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Mafia calabresa bombardeia prédio do Ministério Público

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

IBGF, 04 de janeiro de 2010.

sede da Procuradoria Geral de Reggio Calábria.


A Máfia calabresa, conhecida como ‘Ndrangheta, surpreendeu ao detonar uma bomba na porta de ingresso da Procuradoria da Justiça de Reggio Calábria, na piazza Castelo, zona central da cidade. A bomba, elaborada com 1 quilo de dinamite, explodiu parcialmente.



Certamente foi uma bomba de advertência. No domingo, às 5 horas, ninguém passava pelo local e o corpo de guarda permanecia na parte interna do edifício sede da Procuradoria regional. Portanto, nenhuma vítima. E a conclusão orienta-se no sentido do objetivo se voltar a uma advertência, ou melhor, nada de sangue.



Todas as autoridades envolvidas no combate ao fenômeno da criminalidade organizada de matriz mafiosa foram surpreendidas. Isto porque a ‘Ndrangheta, na sua secular história e ao contrário da siciliana Cosa Nostra, jamais declarou guerra ao Estado italiano e nunca atacou prédios públicos.



Para o procurador-geral, Salvatore Di Landro, o atentado não foi iniciativa de apenas um clã ‘ndrine, mas decorreu de decisão do órgão de cúpula da organização.



Nos últimos anos, a ‘Ndrangheta é apontada – em comparação com a Cosa Nostra (Sicília), a Camorra (Campania) e a Sacra Corona Unita (Puglia) – como a mais potente economicamente. Em outras palavras, é a Máfia mais rica, dada a sua especialidade na “lavagem de capital sujo” e na posterior aplicação em atividades formalmente lícitas.



A ‘Ndrangheta já chegou a operar na bolsa alemã de Frankfurt. Ela não tem atuação apenas meridional, ou seja, conta com ramificações na rica Itália setentrional. Em especial em Milão, coração financeiro do país.



No tráfico de drogas, a ‘Ndrangheta domina o mercado interno e mantém estreita ligação com a Máfia balcânica (confira, abaixo e neste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine, a novidade sobre a Máfia balcânica no controle europeu do tráfico internacional de cocaína andina).



A magistratura do Ministério Público italiano realizou, em 2009, e pela procuradoria antimáfia da região da Calábria, inúmeras interdições de estabelecimentos comerciais (na Itália e fora, mediante cooperação internacional: rede de restaurantes na Alemanha), apreensões de bens imóveis, móveis (ações em bolsa de valores, dinheiro, automóveis de luxo, ouro etc) e drogas proibidas. Além disso, ocorreram várias condenações, em primeiro grau, com pesadíssimas penas e isolamentos em cárcere especial para mafiosos.



No início deste ano, a Corte de Apelação deverá analisar as apelações interpostas contra condenações criminais e inúmeros recursos em sede de embargos de terceiros (no caso, laranjas), voltados ao levantamento de bens sequestrados.



Para muitos analistas, a bomba representa uma advertência à Corte de Apelação.



As câmaras existentes na parte externa da sede da Procura Generale di Reggio Calábria captaram muitas imagens. Por exemplo, a chegada de dois motociclistas (mantiveram-se de capacete o tempo todo e era falsa a placa de identificação da moto) que armaram a bomba: um recipiente com 25 quilos de gás e um condutor da chama aos 25 quilos de dinamite.



PANO RÁPIDO. O presidente da República italiana, Giorgio Napolitano, declarou solidariedade à magistratura, em face da explosão da bomba, sem vítimas. A explosão produziu danos materiais no amplo portão de ingresso: “La solidarietà e la vicinanza del Paese a tutti i magistrati reggini”, frisou Napolitano.



Com qualquer resultado na Corte de Apelação, a ‘Ndrangheta não adotará a tática de provocar tragédias, como fez a Cosa Nostra ao bombardear Roma, Florença e Gênova, e dinamitar os juízes Giovanni Falcone e Paolo Borselino, mártires da luta contra a criminalidade organizada sem fronteiras.



A ‘Ndrangheta, só em Reggio Calábria, conta com mais de 4 mil afiliados. O vínculo de sangue prevalece na admissão dos afiliados e isto para evitar as delações premiadas. No momento, o núcleo de governo da ‘Ndrangheta encontra dificuldade em controlar as múltiplas células da sua organização em federação espalhadas pela Europa.

Wálter Fanganiello Maierovitc


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