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Terror: Obama toma conhecimento de estelionato aplicado na CIA. Caso Umar, juiz lê a acusação.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 28 de dezembro de 2009.

O nigeriano que tentou derrubar o avião com 278 passageiros a bordo.


1. O presidente norte-americano imaginava dias tranqüilos na sua estada no Havaí, durante as festas de fim de ano.



A sua tranquilidade foi perturbada pela notícia do falido atentado terrorista promovido pelo nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab. Isto ocorrido no avião da companhia Delta e quando sobrevoava o espaço aéreo de Detroit.



Em razão do sucedido, o presidente Obama promoveu reuniões de emergência. E, aí, colheu surpresas desagradáveis.



Obama, por exemplo, tomou conhecimento do estelionato milionário que um tal Denis Montgomery aplicou na polêmica CIA, ou melhor na Central Intelligence Agency.



Não só o diretor dessa agência, George Tenet, foi logrado.



O corpo de técnicos de Langley, onde fica a sede da CIA, “embarcou” no golpe ao dar parecer favorável à compra de um software ofertado e a ser operado por Montgomery.



Montgomery, um especialista na elaboração de programas de jogos eletrônicos para adolescentes, vendeu à CIA um software que apresentava como capaz de captar mensagens transmitidas pela Al-Qaeda à rede televisiva Al Jazeera, sediada no Qatar.



Como só Montgomery operava o programa, coube-lhe passar à CIA, falsamente, a informação, no Natal de 2003, de outro e iminente ataque da Al-Qaeda. Em razão disso, vôos foram desviados e decolagens suspensas.



O falso demorou a ser descoberto e muitas vezes o código laranja antiterror restou ativado com base em informações de Montgomery.



Na reunião do Havaí, Obama soube que a CIA descobriu o golpe de Montgomery.



Obama também soube que, neste ano de 2009, Montgomery conseguiu vender por US$ 3 milhões um “programa revolucionário” para a Air Force. Em outras palavras, um novo golpe que revela a Obama o nível de profissionalismo dos órgãos de espionagem, de força e de segurança dos EUA.



2. Não bastasse, Obama descobriu que o pai do nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, de 23 anos, já havia denunciado o filho por ligações com o extremismo islâmico junto à embaixada norte-americana em Abuja (Nigéria). Apesar disso, o nome de Umar não constava da lista No fly emitida pelos EUA.



Outra grave falha. O nome de Umar integrava a base de dados dos EUA sobre pessoas vizinhas aos ambientes islâmicos radicais. Apesar disso, não estava na lista e contava, no passaporte, com visto autorizador de entrada nos EUA .



3. O pai de Umar, que é banqueiro, confirmou que ele estudava em Londres, na faculdade de engenharia da University College London.



Mais ainda, como possuía visto para ingressar nos EUA, não teve nenhuma dificuldade de passar, na escala feita, pelo controle de segurança do aeroporto de Schiphol (Amsterdã-Holanda): ele partiu de Lagos com destino aos EUA e escala em Amsterdã. Antes da viagem, comunicou, por carta, o rompimento de relações com o pai e isto para se dedicar ao fundamentalismo islâmico.



4. Ontem, o juiz Paul Borman compareceu ao hospital onde se encontra internado Umar. Numa cadeira de rodas e algemado, o nigeriano ouviu a leitura da acusação e disse necessitar de um advogado dativo por não ter dinheiro para contratar um defensor. Ele foi informado pelo juiz que o artefato utilizado no vôo da Delta, com 278 passageiros a bordo, continha o potentíssimo explosivo PETN.



5. PANO RÁPIDO. A secretária do departamento americano de Segurança, Janet Napolitano, afirmou que ainda não pode informar sobre a responsabilidade da Al-Qaeda pelo atentado falido.



Uma coisa, no entanto, é certa e já escrevemos muitas vezes no Sem Fronteiras, de Terra Magazine. Ou seja, a Al-Qaeda explora o ciberterrorismo e transmite mensagens a recomendar o “faça você mesmo a sua parte”.



Nas mensagens, todos os islâmicos são convocados para promover, no Ocidente, ataques terroristas em nome da Al-Qaeda. A única proibição é de, sem autorização da cúpula al-qaedista, interpretar os preceitos religiosos e impor comportamentos.



O nigeriano Umar, como aconteceu com os que promoveram os ataques no metrô de Londres, pode ter entrado na onda do “faça você mesmo”.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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