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Diplomacia Vaticana. Recuo com relação a Pio XII. Marcada beatificação de João Paulo II.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 26 de dezembro de 2009.

o venerável Pacelli.

O papa Bento XVI não é dos mais hábeis no que toca ao senso de oportunidade e de conveniência.



Serve de exemplo, dentre outros, o sucedido na aula magna que Ratzinger proferiu na universidade alemã de Ratisbona, em setembro de 2006. Ele fez infeliz e inoportuna referência ao juízo do imperador bizantino Manuel II Paleólogo sobre Maomé: “ a sua ordem para espalhar pela espada a fé que ele pregava”.



No último sábado, o papa Bento XVI proclamou “as virtudes heróicas” e a condição de “venerável” do papa Pio XII, no mundo civil Eugenio Pacelli. Morto em outubro de 1958, o pontificado de Pacelli foi marcado pelo silêncio sobre o nazismo e a shoá.



Em 16 de outubro de 1943 ele se manteve inerte quando, em Roma e próximo ao Vaticano, foram colocados em trens, na estação Tiburtina e com destino ao campo de concentração de Auschwitz, 1021 judeus italianos: só se salvaram 17.



No elenco dos veneráveis “Servos de Deus” estava, como para aliviar o impacto negativo, o papa João Paulo II, de grande prestígio e respeito, inclusive entre os judeus.



A proclamação papal, no particular, abriu caminho para as beatificações.



Os protestos sobre Pacelli, -- apelidado de papa de Hitler--, ganharam amplo espaço na mídia européia, a criar um péssimo clima natalino e a confirmar a inabilidade de Ratzinger. E nem conseguiu empolgar a versão vaticana de o papa Pacelli haver permanecido em silêncio para “salvar o maior número possível de vidas”, incluídos os judeus escondidos nos monastérios: até agora os arquivos do pontificado de Pio XII não foram abertos.



O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, foi o primeiro dos “bombeiros”. Em entrevista, Lombardi disse, a respeito de Pio XII, que a Igreja realizou um juízo sobre a sua pessoa (intenção de fé) e não um julgamento histórico, político.



Para o porta-voz da comunidade judaica em Roma, rabino Riccardo Di Segni, nada mudou com relação ao pronunciamento de Lombardi: “- A nossa valoração continua crítica a respeito da atuação histórica de Pio XII”. O supracitado rabino disse que não se pronunciava sobre questões de escolhas internas e rituais da Igreja.



Depois do susto passado pelo papa Bento XVI, quando da missa de Natal e ao ser derrubado por uma mulher com aparente intenção de agredi-lo, uma boa notícia chegou ao outro lado do Tevere, onde está o estado do Vaticano.



A diplomacia vaticana conseguiu uma distensão. Fez chegar à comunidade judaica que a beatificação de João Paulo II será no dia 16 de outubro de 2010 (mesmo 16 de outubro do embarque dos 1021 judeus italianos para o campo de concentração de Auschwitz). E nesse dia não ocorrerá a beatificação de Pio XII, pois os processos estão em fases diferentes.



No que toca ao campo das trapalhadas, só faltava marcar a beatificação de Pio XII para o 16 de outubro.



Em outras palavras, a causa de João Paulo II está avançada e o milagre exigido para a beatificação está confirmado: a freira francesa Marie Simon Pierre, doente de Parkinson, curou-se pela intercessão de João Paulo II.



Quanto a Pio XII, o milagre ainda pende de individualização. Portanto, a beatificação poderá demorar.



PANO RÁPIDO. Foram contornados e esclarecidos os “equívocos” decorrentes da decisão do papa Bento XVI, ao proclamar Pio XII detentor de virtudes heróicos e poder ser venerado.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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