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Caso Marrazzo. Travesti brasileiro cobrava pedágio, como a Máfia

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 02 de dezembro de 2009.

Natali, com Bruno Vespa.

---1. José Alexandre Vidal Silva, ---a travesti carioca Natalie filmada enquanto fazia sexo com o então governador italiano Piero Marrazzo--, já percebeu que de testemunha de extorsão está se transformando em co-autora desse crime.



Ela corre risco de prisão e só não será expulsa por ser objeto de investigação: recebeu autorização para permanecer na Itália, enquanto útil à apuração.



Fora isso, prosseguem as investigações sobre as mortes misteriosas da trans paraense Brenda e do cafetão de travestis Gianguerino Cafasso.



Cafasso, que era o “maneger” de Brenda, telefonou aos quatro policiais que invadiram o apartamento de Natalie e receberam, segundo as apurações, quatro cheques do então governador Marrazzo.



Brenda é suspeita de ter realizado a filmagem, com o seu celular e Marrazzo tentou negociar o vídeo com uma agência de publicidade: a polícia técnica procura, nos arquivos do computador de Brenda, uma foto dela com Marrazzo numa banheira.



Ontem, a polícia e o ministério público analisaram os autos do processo condenatório de Natali. Ela foi processada por explorar travestis na zona norte de Roma, nas vias Due Ponti, Gradoli, Capena e largo Sperlonda, nos anos de 2004 e 2005.



No processo, Natalie foi condenado a 8 meses de prisão e a pena cumprida na seção masculina do presídio modelo de Rebibbia.



Natalie, hoje com 37 anos de idade, cobrava “pedágio” (“pizzo”, no jargão mafioso) dos travestis que se prostituíam.



O travesti que não pagava o “pegágio” de Natalie sofria vários tipos de represália. O automóvel do cliente era danificado, enquanto “rolava” o “programa”, no apartamento ou no banco traseiro do veículo. Fora isso, o travesti que atrasava ou não pagava o “pedágio” era agredido fisicamente.



Natalie era como uma mafiosa a controlar território e a exigir o pagamento dos trans.



O valor do pedágio cobrado por Natalie variava entre oito e dez mil euros por mês. Ou seja, de cada travesti ela embolsava o equivalente a R$30.000,00 mensais.



o ex-governador Piero Marrazzo

--2. A imagem de Natalie, de boazinha, “namoradinha” e “confidente” de Marrazzo, começa a ruir.



No programa Porta a Porta da RAI, onde compareceu e a audiência foi altíssima, Natalie frisou que sempre foi uma “pessoa do bem”. “Non troppo”, como mostram os seus antecedentes.



Para os investigadores do caso refrente à extorsão de Marrazzo (continua em retiro espiritual num convento), Natalie “cafetinava” travestis, como fazia o supracitado Cafasso.



Descobriu-se, disse um policial, que a “dark-lady” era uma “pappone” (cafetina, exploradora de travestis, na Itália chamados de “viados”).



Diante dessa mudança de cenário, Natalie está agressiva.



Hoje, a fotógrafa da agência GMT, Simone Ferraro, formalizou a representação para processar criminalmente Natalie por agressões físicas e por danos em face da destruição, com o salto dos sapatos, da sua máquina fotográfica: prejuízo material avaliado em 7 mil euros (R$21.000,00).



Simone Ferraro fazia uma cobertura jornalística na via Gradoli quando viu Natalie passar pela calçada. Resolveu, então, bater uma foto. Depois de um tempo e quando concentrada no trabalho foi atacada por Natali.



mãe de Brenda, visita túmulo da filha.

---3. Ontem, Asseneta Mendes Paes, a mãe da falecida travesti Brenda visitou a campa onde está enterrada a filha.



Numa gravação para o programa Porta a Porta que no Brasil vai ao ar hoje pela RAI-Internacional--, a mãe de Brenda disse não acreditar em suicídio, pois a filha sempre foi cheia de vida.



Acrescentou que a sua família é evangélica e Brenda, sempre alegre, amava viver.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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