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Liberdade de Crença. Plebiscito proibe novas construções de minaretes em mesquitas na Suíça

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 30 de novembro de 2009.

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Minarete da mesquita suíça de Winterthur, construído em 2005.

Neste mês de novembro comentei a decisão de uma das câmaras da Corte Européia de Direitos Humanos, sediada na francesa Estrasburgo.


Essa mencionada câmara proibiu, --nas escolas públicas italianas--, a colocação ou manutenção de crucifixos. A decisão da câmara será atacada por recurso à Grande Corte, que reúne os atuais 17 juízes da corte de Estrasburgo: o prazo recursal é de três meses.


Segundo a câmara, o símbolo não se coadunava, numa Europa unida e laica, ao princípio da separação entre Estado e Igreja.


À Corte Européia de Direitos Humanos irá recorrer o partido verde suíço, mas por outra razão e em face do resultado do plebiscito de domingo último.


O partido verde suíço não se conforma com o resultado do plebiscito que altera o artigo 72 da Constituição e proíbe a construção de minaretes em futuras mesquitas: o ‘não’ venceu com 57,5% e na Confederação Helvética residem cerca de 400 mil islâmicos (5% da população).


Para os membros do partido verde da Confederação Helvética, o resultado do plebiscito afronta um princípio constitucional maior, consubstanciado na liberdade de crença.


Os quatro minaretes existente em Genebra, Zurique, Langenthal e Wangen bei Olten, continuarão nos seus lugares. Em Langenthal um segundo minarete estava sendo alçado, mas acabou embargado e gerou a polêmica que conduziu ao plebiscito.


O resultado do plebiscito surpreendeu e o seu resultado é atribuído à forte campanha, --reforçada na antevéspera da consultação--, feita pelo Partido Popular (Svp), liderado pelo direitista Christoph Blocher.


Foi usada a técnica W.Bush, ou seja, a do temor. A distorcer o pacífico islamismo para confundi-lo com o uso violento da religião, por uma minoria fanática. Durante a campanha, falou-se no minarete como símbolo da penetração política do islamismo, a revelar, na verdade, uma “islamisfobia”.


O objetivo do minarete ( do árabe ‘manãr’ e a significar farol), --que são lindíssimos como, por exemplo, o da mesquita suíça de Winterthur (confira imagem acima)--, é o de chamar os fiéis para as cinco orações diárias e fundamentais. Do alto, o ‘muezzin’ chama os fiéis. Modernamente, a chamada pode ser feita por altofalantes.


Os campanários católicos são utilizados para chamadas às missas.


PANO RÁPIDO. A afluência ao plebiscito foi grande: 57,5% (não construção de novos minaretes) e 42,5% (sim, para futuras torres nas mesquitas).


Os direitistas liderados por Blocher não ficaram sozinhos.
O não contou com apoio de expoentes da chamada esquerda-laica e de feministas que consideram os minaretes verdadeiros símbolos de um poder machista, que oprime as mulheres.


O condenável ficou por cota dos direitistas. No sábado bem cedo, carros, com equipamentos de som ligados ao máximo, acordaram os suíços. Isto com mensagens chamando para as mesquitas. Logo em seguida, o alerta: com minaretes autorizados, vocês serão frequentemente acordados e perturbados.

--Wálter Fanganiello Maierovitch-- Atualização, às 16,20 hs.



EUROPA AGITADA. VATICANO E EVANGÉLICOS A FAVOR DOS MINARETES ISLÂMICOS.


A escolha do ‘não’ no plebiscito suíço causa dano à liberdade religiosa.


Essa é a posição da presidência da União Européia (UE), do Vaticano e da Federação das Igrejas Evangélicas da Confederação Helvética.


“Nós, cristãos, não podemos aceitar uma lógica de exclusão”, diz o bispo Veglio, presidente do Conselho Vaticano para os Migrantes.


Para a presidência da UE, o resultado do plebiscito, que altera a constituição da Suíça e proíbe a construção de novos minaretes nas mesquitas islâmicas, contraria os valores da tolerância, do diálogo e do respeito a outros credos.


O pastor evangélico Thomas Wipf fala em resultado que coloca em risco a coesão social: - “A proibição de construir minaretes não resolve nenhum problema, mas só cria outros.”

WFM.


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