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80 gigabytes de arquivos no computador de Brenda. Morte envolta em mistérios.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 25 de novembro de 2009.
Brenda

-- 1. Os peritos da polícia científica informaram à magistratura do Ministério Público italiano o encontro de 80 gigabytes de arquivos no computador da travesti Brenda.


Mais ainda, afirmaram terem sido cancelados (apagados) 20 arquivos, que podem ser recuperados.


Brenda, --uma transsexual que se prostituía nas ruas, usava cocaína e álcool--, matinha encontros sexuais com o então governador Marrazzo e a sua morte, ocorrida na madrugada da quinta feira passada, permanece envolta em dúvidas.


A falecida Brenda mantinha arquivos fotográficos em dois celulares (estão desaparecidos) e o registro de um vídeo, -- que afirmou ter apagado—feito com Marrazzo e a travesti Michelly, -- também brasileira--, numa banheira.
Neste mês de novembro e perante o procurador Giuseppe Cataldo, a travesti Brenda havia relatado que não possuía computador e nem sabia operá-lo.


As travestis brasileiras próximas a Brenda e que circulavam pelo seu minúsculo apartamento, no entanto, confirmaram a existência do computador e a habilidade da travesti no seu manejo, o mesmo sucedendo com aparelhos celulares.
Na madrugada da morte de Brenda, -- ocorrida por asfixia em face de fumaça de incêndio verificado no seu pouco espaçoso apartamento--, os bombeiros foram ao local para apagar as chamas.


Pelos registros, os bombeiros levaram 17 minutos para atender a chamada e Brenda, inconsciente em razão de ingestão de sonífero, álcool e suposta cocaína, teve metade do corpo carbonizado.


A esquadra móvel de Roma rumou ao local, interditou o apartamento e relacionou objetos e o seu estado. Da relação minuciosa consta, até, um pênis de borracha de 40 centímetros de comprimento.
Na pia do banheiro, encontrou-se um computador debaixo de água corrente.


O disco de memória do computador foi recuperado e os 80 gigabytes de arquivos serão abertos hoje.
Peritos de outra equipe já trabalham na restauração de arquivos apagados e garantem sucesso.


Natalia com o apresentador Bruno Vespa.


-- 2. Brenda é suspeita de participação ativa em extorsão ao governador Marrazzo. Este, como percebido no programa televivo Porta a Porta (com recorde de audiência) em face da intervenção do seu advogado, nega qualquer extorsão.
Para a polícia, o Ministério Público, a torcida da Lazio (a maior) e todos os monumentos e estátuas de Roma, o ex-governador não quer nenhuma investigação financeira.
Certamente, Marrazzo terá dificuldades para justificar gastos com travestis, traficantes de drogas proibidas e eventuais chantagistas.


Talvez, na história do mundo, compreendida Roma, tenhamos um inusitado caso de uso indevido de verba pública de representação. Não para comprar tapioca, --um produto desconhecido no comércio romano--, mas para pagar regiamente travestis e garantir o silêncio de chantagistas.


Os quatro policiais acusados de extorsão ao governador Marrazzo (dois estão na cadeia e um em prisão domiciliar) também negam a extorsão e afirmam terem, por ínfima quantidade, jogado a cocaína encontrada no vaso sanitário do apartamento da travesti carioca Natalia.


O certo é que os policiais, à paisana, invadiram o apartamento de Natalia, que estava na companhia do então governador Marrazzo. Dele levaram quatro cheques, no valor aproximado de 20 mil euros ( R$60.000,00). Isto tudo em julho deste ano.
Os quatro cheques não foram compensados bancariamente, a levar a suspeita policial de terem servido para sustentar novas extorsões.


-- 3. O affair Marrazzo-Natalia só foi descoberto por acaso, em interceptações telefônicas e ambientais realizadas pelo ROS, um grupo policial de repressão ao crime organizado.
O ROS investigava tráfico de drogas por uma facção da Camorra e descobriu que um vídeo,-- a envolver o governador e uma travesti brasileira--, estava sendo ofertado para agências de publicidade e jornais.


Uma cópia do vídeo acabou apreendida e seu conteúdo visual não vazou à mídia.


-- 4. Natalia, elegantemente vestida e com lentes de contacto de cor verde, participou do programa Porta a Porta, da televisão italiana.
Por evidente, negou qualquer participação na extorsão. Defendeu Marrazzo, aponto de até desmenti-lo. Marrazzo, por exemplo, admitiu uso ocasional de cocaína e disse estar sob seu efeito para justificar falhas de memória, com relação ao contato com os policiais, à paisana, no apartamento de Natalia. Para Natalia, ela e Marrazzo não usam drogas.


Natalia, se auto-intitulou “ser pessoa do bem” e exibiu um laudo laboratorial a atestar não estar afetada pelo vírus CIDA-HIV.


O romance de Natalia com Marrazzo, - do qual anteriormente declarou-se namorada-, data de mais de 8 anos.


Sobre o preço por programa sexual, Ntalia sustentou, no inquérito apuratório da extorsão, que era de 3 mil euros.
Os encontros ocorriam duas vezes por semana e, durante alguns períodos eram interrompidos, consoante revelou Natalia.


Marrazzo, ex-governador


Natalia, que já negara conhecer Brenda, admite-o, no momento. Natalia, agora fala que Marrazzo teve encontros com Brenda. Ainda, estava preocupado com o vídeo onde aparecia com Brenda e com outra travesti brasileira.


-- 5. Uma semana antes da morte, Brenda foi abordada por duas pessoas, que levaram-lhe um celular e a chave da porta de entrada do apartamento: ela possuía três chaves e nunca trocou a fechadura da porta de ingresso, aliás, única do “monolocale”.


Os dois estranhos não se interessaram em levar o dinheiro de Brenda.


Em razão de ameaças e medo, Brenda, no dia da morte, estava com duas malas feitas e pronta para se mudar do apartamento que morava: o proprietário já havia sido informado a respeito. Para amigas, contou que voltaria para o Brasil uma vez que preocupada com as ameaças de morte.


-- 6. Os jornais de hoje, em primeira página, noticiam um novo mistério, a produzir a reabertura das investigações sobre a morte de Gianguarino Cafasso, de 37 anos. Ele era cafetão de travestis, “pappone”, como se diz em gíria romana. Cafasso, suspeito de haver armado com Brenda e os policiais a armadilha para Marrazzo, morreu de overdose.
Ele era viciado em cocaína, diabético, obeso e com problemas cardíacos. Frise-se, só usava cocaína.
Como o pai de Cafasso,insistia, desde terça feira passada. na suspeita de homicídio em razão de aviso de o filho estar sendo ameaçado de morte, realizou-se a exumação do corpo e novas perícias.


Com efeito. Surpresa, constatada pela perícia. Cafasso consumiu heroína pura ao invés de cocaína. E a heroína pura (droga que não usava e de efeito completamente diverso da cocaína) o matou.
Cafasso vivia, num hotel em via Salária, na companhia da travesti Janniffer, também viciada em cocaína.
Jannifer, apenas agora, resolveu contar que não usou a droga por ter, ao colocá-la na boca para testar, sentido um gosto amargo “insuportável”. Dela desconfiou, mas nada disse a Cafasso.


Cafasso morreu em 12 de setembro passado, quando já havia sido, evidentemente, consumada a extorsão com o vídeo Marrazzo-Natalia. Ele quis vender o vídeo a um jornal italiano.


No momento, peritos verificam se a travesti Brenda, agora em novembro, não fez uso de heroína, sem saber e como Cafasso.
Aos peritos intriga o sono profundo de Brenda, a ponto de não perceber o incêndio e acabar carbonizada.


A heroína, do mesmo grupo do ópio e da morfina (Morfeu, deus do sono) é droga que inibe o sistema nervoso central, diversamente da cocaína, que o acelera.


-- 7. Em Roma, como se diz, existe um “giallo”. E esse suspense coloca em estado de apreensão muitos políticos, artistas e futebolistas.
O mundo “gossip”, por sua vez, está em ebulição.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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