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Caso Battisti.Parlamento italiano aplaude decisão do nosso STF. Advogado francês de Battisti protesta.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 19 de novembro de 2009.

Cesare Battisti.

De ROMA.

O Parlamento italiano, há pouco, aplaudiu a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro e se mostrou aliviado por não prevalecer a decisão do ministro Tarso Genro de Battisti que, para os parlamentares italianos, (1) deturpou a história do país, (2) ignorou o Estado de Direito italiano vigente à época da consumação dos assassinatos perpetrados pelo extraditando e, ainda, (3) taxou a Itália de incapaz de garantir a vida e de preservar os demais direitos humanos de Battisti.
Pior ainda, Tarso Genro continua a sustentar o acerto da sua decisão, não se sabendo se por interesse político próprio ou ignorância sobre a real situação vivida pela Itália.


A primeira manifestação de júbilo ao STF foi da esquerdista Olga D´Antona (Partido Democrático). Ela é viúva de Massimo D´Antona, que foi fuzilado em maio de 1999 pelas Novas Brigadas Vermelhas.


D´Antona era jurista e preparava um projeto sobre reforma na legislação trabalhista. Como isso desagradou a direção das Novas Brigadas Vermelhas, deliberaram pela sua execução.
Para o parlamentar Antonio Di Pietro, que iniciou e foi um dos baluartes da Operação Mãos Limpas na Itália, a extradição era um ato de respeito para com a Itália. Di Pietro preside o partido chamado Itália dos Valores.


Rose Byndi, uma das lideranças do Partido Democrática (de esquerda) e cientista política, afirmou que o deferimento da extradição de Battisti, pelo STF, “ è uma vittoria del diritto”.


Apresentado pela imprensa francesa e italiana como orientador da defesa de Battisti, o advogado francês Eric Turcon sustentou que a extradição ainda não é certa e que Battisti é um perseguido político merecedor de asilo ou outro julgamento, que não seja à revelia. Disse que Battisti nunca matou ninguém, como lhe afirmaram com convicção os seus filhos e Fred Vargas, a escritora de livros policiais amiga e ativista pró-Battisti.


Perguntado se não pensava nos familiares das quatro vítimas assassinadas, Turcon respondeu: - “ As compreendo, mas não podem provar que Battisti é o culpado. Lula conheceu a ditadura e sabe quanto são preciosos os direitos humanos”.


Omero Ciai, enviado do jornal La Repubblica (o jornal de maior circulação, de esquerda e de oposição a Berlusconi) para acomapnhar o julgamento no STF, escreveu que Battisti aposta “nas farsas que cria”. “Ele compara o seu caso com o de Chico Mendes e Martin Luther King”, ou seja, quer passar a falsa mensagem de ser uma vítima de perseguição política, destaca Omero Ciai.


Para o enviado do La Repubblica, Battisti é histriônico, capaz de jogar com a mentira e um fabulador capaz de comover incautos.


Pano Rápido. Aqui na Itália, o presidente Lula goza de grande prestígio e admiração.


Até existe um movimento para que, deixada a presidência da República, assuma a direção da FAO (sede em Roma, que é órgão das Nações Unidas sobre a agricultura e a fome no planeta.


Ninguém acredita que Lula irá negar a extradição, ainda mais depois que o STF demonstrou que Battisti não cometeu crime de natureza política e é apenas um assassino que faz qualquer coisa para fugir à responsabilidade pelos crimes praticados.


Para os italianos, a conversa de Lula com Massimo D´Alema, --único comunista que conseguiu ser primeiro ministro na história italiana e será o futuro chanceler da União Européia--, foi fundamental para sua compreensão saber, da boca de alguém com credibilidade e que viveu ao tempo do terror, que a Itália era uma democracia. Mais, não havia regime de exceção e que Battisti, --antigo ladrão que conheceu na prisão e nela aderiu ao grupo eversivo Proletários Armados para o Comunismo (PAC)--, era um criminoso de sangue, sem escrúpulos.


Por outro lado, os italianos orgulham-se da admiração e amizade nutrida por Lula ao presidente Giorgio Napolitano, comunista histórico e garante, à época, do pacto de sustentação da democracia, ameaçada pelo terrorismo de direita (terrorismo nero), de esquerda armada ( terrorismo rosso) e pelos anarquistas.


Neste mês, na Itália, teve início a jornada de memória para lembrar os 40 anos de terror.


Nas livrarias e bancas, existem dezenas de livros e revistas sobre o terrorismo que acometeu o país. Em 12 de dezembro próximo, será o 40º. aniversário da tragédia na Piazza Fontana (Milão), primeira explosão terrorista: foi condenado por Noberto Bobbio e o ministro Genro ainda o citou para defender Battisti.


Hoje, nos cinemas, será exibido, com grande expectativa, o filme “Prima Linea”, que leva o nome da organização terrorista de esquerda pró soviétiva. As primeiras vítimas do bando Prima Linea foram dois magistrados, fuzilados em 1979 e 1980.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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