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Vértice Internacional sobre Segurança Alimentar. Lula e o papa Bento XVi são destaques.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 16 de novembro de 2009.




De Roma.


No vértice internacional sobre segurança alimentar promovido pela FAO-ONU, e que vai durar três dias, o discurso mais aguardado era o do presidente Lula.


Isto porque Lula tinha um testemunho de vida a apresentar e um governo, -com o seu Fome Zero-, considerado pelos europeus e orientais um sucesso na luta contra a fome.


Não deu outra. Lula falou da sua “experiência de migrante”, ou seja, de quem deixou a sua cidade natal com fome e para fugir da miséria: - “A constatação amarga e atual, destacou Lula, é que com a metade dos recursos que os líderes mundiais investiram para salvar os bancos, seria possível eliminar a fome em todo o mundo. E isto mostra que a luta contra a fome ainda não é prioridade nas políticas globais”.


Como se observa, Lula tocou na ferida e agradou.


Todos os presentes no summit da FAO-ONU sabiam bem do que Lula falava. A cifra de US$ 44 bilhões anuais para salvar o mundo da fome, que foi pedida na abertura dos trabalhos pelo senegalês Jacques Diouf, diretor-geral da FAO, representa menos do que a ajuda dada pelo governo norte-americano apenas para uma das instituições financeiras quebradas, ou seja, o Citigroup.


Lula demonstrou responsabilidade e seriedade, num summit em que o comportamento de muitos não condiz com a seriedade do encontro da FAO. Até o sanguinário ditador Robert Mugabe teve o caradurismo de comparecer para falar sobre fome.


O ditador líbio Muammar Khadafi contratou 200 mulheres italianas, entre 18 e 30 anos e a 50 euros cada, para participarem de uma festa. Durante essa festa, realizada ontem, saiu Khadafi a perguntar se as mulheres conheciam a Líbia, o que achavam do país e dos líbios. No final, Khadafi contemplou as convidadas com um exemplar do Alcorão.


Hoje, a festa de Khadafi prossegue com 500 contratadas (via hostess-web) e um aviso: nada de mini-saia ou vestido colocado ao corpo. Salto alto, pode.
Azam Al Sadat Farahi, esposa do presidente iraniano Ahmadinejad, vem falando, desde a véspera do vértice da FAO, da miséria imposta às crianças palestinas, por uma potência: Azam, de 54 anos e sempre coberta com véu negro, fez hoje a sua estréia num encontro internacional, a substituir o marido, mas com o discurso centrado em atacar, de alguma maneira, Israel. No Iraque, são raras as suas aparições públicas. E quando aparece, não abre a boca.


O encontro na sede da FAO foi aberto por Jaques Diouf que deixou claro o aumento real de pessoas necessitadas de alimentos. Pelo colocado por Diouf, o número teria aumentado em razão do aumento no preço dos cereais nos países pobres e da crise financeira internacional.


O papa Bento XVI, que deixou o encontro por volta das 13 horas, foi autor de uma frase de impacto e que calou fundo nos presentes: - “Todos os países têm direito ao seu próprio modelo de desenvolvimento. . . Não é possível, no entanto, continuar-se a aceitar a opulência quando o drama da fome assume dimensões cada vez maiores”.


PANO RÁPIDO. Como sempre ocorre em encontros importantes, a sociedade civil incumbe-se de montar um fórum paralelo. No caso, paralelo ao da FAO. No fórum que foi instalado em Roma, participam cerca de 600 pessoas e estão representados 70 países.


Como noticiou a imprensa italiana que cobre o Fórum Paralelo, os oradores repetiram os argumentos do presidente Lula.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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