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Travestis brasileiros e cocaina. Supeita de o governador italiano ter pago com verba pública.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 5 de novembro de 2009.

Natalia, como Marilyn Monroe.




Pelo jeito, não há muita diferença entre Roma e Brasília. Ou seja, lá e cá, existe, pelo controle precário, possibilidade de desvio de verba pública destinada à chamada representação de gabinete.


Neste ano, na Itália, foram instaladas catracas para atrapalhar a vida dos funcionários públicos fantasmas e inibir a entrada e a saída dos que comparecem só para marcar ponto e deixar o paletó no encosto da cadeira.


Nenhuma providência, no entanto, adotou-se com o “andar superior”, tomado de empréstimo a irônica expressão criada pelo brilhante jornalista Elio Gaspari, da Folha de S.Paulo e de O Globo.


No particular, deu confusão quando o Executivo tentou intrometer-se no Judiciário. Isto para controlar, -também com catracas eletrônicas-, o comparecimento dos juízes aos palácios de Justiça e às audiências.


Parêntese: não se sabe a opinião do ministro Gilmar Mendes, -que opina sobre tudo e até prejulga-, a respeito do sucedido em terras peninsulares.


Como na Itália ainda não se implantou o cartão corporativo, -nem para adquirir tapioca-, os gastos com a chamada “verba de representação” são registrados em diferentes e genéricos itens: “almoço oficial”, “ estacionamento e hotéis”, “ viagens ou deslocamentos para encontros políticos e culturais”, “postagem de correio” e quejandos.


Conforme suspeitam os magistrados do Ministério Público e os membros do grupo de operações especiais da polícia (ROS), o então governador Piero Marrazzo pode ter camuflado nesses supracitados itens genéricos o pagamento, com verba pública de representação de gabinete, de cocaína e de encontros íntimos mantidos com os travestis brasileiros Natalia, Brenda e Thaynna.


Alguns indícios provocaram a atual devassa nas contas públicas e na privada conta-corrente bancária do governador. Além do apurado exame nas contas públicas, foi quebrado o sigilo bancário e fiscal do governador.


Afinal, quem ganha 10.566,89 euros por mês como governador (sem outra fonte declarada de ganho) não pode, salvo se for pródigo, gastar semanalmente 5 mil euros com travestis, ainda que sejam nossos conacionais canarinhos.


Piero Marrazzo.


Como ensina a sabedoria lusitana, “quem tem cabritos e não é possuidor de cabras, de algum lugar eles provém”.


A travesti Natalia, -já miss no Rio de Janeiro e em Florença-, declarou, em duas oportunidades, — perante o grupo de ações policiais especiais (ROS) e o Ministério Público-, que recebia 5 mil euros por programa sexual com o então governador Marrazzo. O encontro íntimo não passava de 4 horas.


No primeiro interrogatório, Marrazzo, -que renunciou em 27 de outubro em razão de haver sido filmado enquanto se relacionava sexualmente com a carioca Natalia-, declarou que pagava 5 mil euros por “programa”.


Perante o magistrado inquirente, em relato de mais de três horas, Marrazzo mudou o relato. Afirmou que pagava mil euros para Natalia. Mais ainda, no dia fatídico tinha na carteira 3.000 euros e saiu zerado ( “al verde”, como se diz na Itália): mil para Natalia e dois mil furtados pelos dois policiais que invadiram o apartamento, consoante declinou Marrazzo.


Natalia, em dois testemunhos, sustentou que recebia 5 mil euros por programa com Marrazzo.


Quanto à compra de cocaína, Marrazzo, no primeiro testemunho (ele aparece como vítima de extorsão por policiais), frisou que não fazia uso dessa droga proibida.


La Brendona, o traveco brasileira que também era contratada pelo governador.


Depois, perante o magistrado inquirente, admitiu o uso esporádico de cocaína em alguns programas e com preço embutido. Ressalvou nunca ter usado ou visto cocaína nos encontros com as brasileiras Natalia e Brenda, a última apelidada de Brendona pelo porte físico avantajado.


PANO RÁPIDO. O ex-governador não esperava uma investigação financeira. Entre os travestis que fazem trottoir ele ficou conhecido por pagar muito pelos encontros íntimos. Quando passava pelas ruas, os travestis exibiam os seios, para tentar cooptá-lo para um encontro vantajoso economicamente.


Marrazzo formou-se em Direito, mas tornou-se jornalista da estatal de rádio e televisão italiana (RAI). Na RAI, nunca recebeu salário diferenciado.

– Wálter Fanganiello Maierovitch–


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