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Viados e Celebrides. Os casos dos transcanarinhos que conquistaram a Europa.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

IBGF, 3 de novembro de 2009.


Lapo Elkman, hedeiro da FIAT.


Um travesti brasileiro que se prostituía em Turim viveu momentos dramáticos quando o seu cliente “vip” desabou por abuso de cocaína. De pronto, o nosso conacional ligou para o pronto-socorro do hospital Mauriziano e a ambulância saiu equipada para atender um caso de overdose.



A conduta responsável e humana desse transexual brasileiro, conhecido por Patri, salvou a vida de Lapo Elkman. Neto de Gianni Agnelli, Lapo é um dos herdeiros do império Fiat.



No fim de 2005, quando ocorreu o relacionamento sexual com dois travestis, Patri e Cinzia, o playboy Lapo era vice-presidente e responsável pela imagem internacional da Fiat. Como muitas celebridades, Lapo rumou para o deserto de Sonora, no Arizona. Ou seja, para a clínica mais cara e famosa na desintoxicação de vips de diversos calibres.



Outro caso protagonizado por um transexual brasileiro ocorreu em Pádua. O prefeito tentou acabar com o trottoir gay. Para tanto, aumentou o valor das multas de trânsito e colocou em ação um batalhão de vigilantes urbanos. Ou seja, ai daqueles que encostassem para iniciar tratativas ou os que ousassem reduzir a velocidade para melhor apreciar o espetáculo.



O bravo transcanarinho promoveu protestos contra o prefeito. Mais ainda, bolou e organizou um fundo financeiro destinado a garantir, para os clientes portadores de cupom de cor rosa, ressarcimento das multas de trânsito: pela quantidade de cupons rosa acumulados, o cliente recebia notas de euros, conforme tabela divulgada nos jornais locais.



Nos estertores do governo Romano Prodi, a oposição berlusconiana, interessada em escândalo desmoralizante, adquiriu do paparazzo Max Scarfone uma fotografia comprometedora. Ela foi tirada quando o ministro e porta-voz Silvio Sircana encostava e abaixava o vidro do seu automóvel para pedir uma informação a um travesti brasileiro, que girava uma borsetta Gucci em busca de programas remunerados. Depois do desmentido oficial, uma segunda fotografia mostrou o número da placa do veículo, com Sircana visível: tollitur quaestio – e, no dia seguinte, declaração da esposa a expressar confiança no marido.



Na terça 27, depois de escândalo a envolver travestis brasileiros, o governador da região Lazio, Piero Marrazzo, apresentou a sua renúncia. E, na região, cuja cidade principal é a própria capital da Itália, haverá antecipação das eleições para março. Berlusconi, que emplacou um ex-membro da juventude fascista como prefeito de Roma, pensa em agora eleger o governador pelo seu Popolo della Libertà (PDL): o renunciante é do Partido Democrático.



Natalia, filmada durante relacionamento íntimo com o então governador Piero Marrazzo.


No particular, Berlusconi deve muito ao acima mencionado paparazzo Scarfone e aos três travestis brasileiros, Natalie, Brenda e Thayna. Todas eram frequentadas pelo governador Marrazzo, em visitas regadas a cocaína. Scarfone ofertou à Editora Mondadori, de propriedade do premier Berlusconi e administrada pela sua filha Marina, o vídeo da relação sexual de Marrazzo com Natalie. Segundo a polícia, coube a Brenda gravar as imagens.



E pesa a suspeita de ela haver avisado os quatro carabinieri que invadiram o apartamento e tentaram extorquir do governador três cheques de 20 mil euros cada um, até hoje não resgatados, enquanto os policiais estão presos preventivamente.



O caso acabou descoberto e os vídeos apreendidos antes da difusão. Graças a uma ação do Raggruppamento Operativo Speciale (ROS). O ROS investigava a facção casalese da Camorra e numa interceptação ambiental surgiu a história do vídeo de Marrazzo.



Berlusconi foi avisado pela filha sobre o vídeo e levou vinte dias para alertar Marrazzo. Assim mesmo quis posar de praticante da ética e declarou não ser igual à oposição, que explorou as suas aventuras com garotas de programa.

Quanto a Marrazzo, ficou claro, pela reação da população, que o comportamento privado de um político tem relevância pública. E alguns psiquiatras peninsulares gastam tinta para explicar o denominado “sexo transgressivo”, ou seja, à luz dos comportamentos dos travestis brasileiros e da mitologia romana. Seria, sustentam, a ação esperada do fauno aprisionado em jaula. E o fauno deseja fugir, se libertar, para cortejar com danças e sons de flautas as divindades a ele inacessíveis, dada sua condição de divindade pela metade.



A jornalista Roberta Sedoz, esposa de Marrazzo e apresentadora do telejornal TG3, da RAI, disse que perdoou o marido e que as mulheres são inquebrantáveis. Ao contrário do marido.

Dulcis in fundo: a palavra viado, em homenagem aos travestis nativos, hoje faz parte da língua italiana.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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