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Justiça. Transsexuais brasileiros são inocentados pelo ex-governador italiano que protagonizou escândalo. Permanece o mistério sobre a morte do gigolô dos travecos.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 3 denovembro de 2009.

Natalia, transcanarinho vira celebridade




—1— É o a m o r . . . ?



O ex-governador Piero Marrazzo, –conforme noticiou este sítio IBGF–, foi ouvido no final de semana pelos magistrados inquirentes do Ministério Público de Roma.


Acaba de vazar parte da sua declaração.


A surpresa decorreu do fato de Marrazzo haver alterado a sua versão. Ou melhor, Marrazzo mudou o relato anteriormente apresentado ao ROS (Raggruppamento Operativo Speciale).


O ROS, por força de aparecimento de elemento circunstancial, apurou o escândalo que envolveu o então governador da região Lazio (capital Roma), Piero Marrazzo. Isto a partir de interceptações ambientais e telefônicas em investigação sobre tráfico de drogas pela facção de ‘Casal di Principe’ da Camorra: camorra casalese.


No relato aos magistrados do Ministério Público de Roma, Marrazzo contou que, por vezes, fazia programas sexuais com transsexuais e pagava pela cocaína.


Quanto ao encontro íntimo e filmado com a trans brasileira Natalia, Marrazzo insistiu em dizer que tinha pago mil euros e não havia cocaína. Natalia, frisou, não lhe oferecia cocaína.


Mais ainda. Segundo Marrazzo, a transcanarinho Natalia não tinha cocaína na sua posse e o contrato celebrado era só para relacionamento íntimo, ou seja, sem drogas.


Por outro lado, o ex-governador livrou a trans brasileira Brenda da suspeita de ter realizado a filmagem do encontro.


Marrazzo admitiu encontros íntimos e sem drogas com Brenda, que, consoante destacou na declaração prestada no Ministério Público de Roma , não estava no apartamento de Natalia quando da filmagem.


Para Marrazzo, foram os quatro policiais militares (carabinieri) os responsáveis pela filmagem. E Natalia relatou que um dos policiais estava com um aparelho celular, provavelmente a filmar.


Marrazzo compareceu ao interrogatório acompanhado de advogado contrato e da esposa, apresentadora do telejornal TG3, da RAI (Rádio e Televisão Italiana).


No interrogatório ao ROS, o ex-governador falara em extorsão e que os policiais militares (carabineiros) sumiram com a cocaína que estava numa mesa do apartamento. Os carabineiros eram Luciano Sensone e Carlos Tagliante, que estão presos.



Piero Marrazzo.




—2— Ex-governador muda relato pela 3ª.vez.



Até agora e a respeito dos fatos, o ex-governador Marrazzo já apresentou três diferentes versões.


Ao Ministério Público, no final de semana, Marrazzo disse não ter sido vítima de extorsão policial, mas de furto.


A razão da mudança de crime de extorsão para delito de furto foi compreendida pelos experientes procuradores. É que no dia da invasão do apartamento pelos policiais, Marrazzo comprou o silêncio dos carabineiros com quatro cheques a totalizar 20 mil euros (cerca de R$60.000,00).


Por receio, os policiais não depositaram ou descontaram os cheques. E os cheques não foram apreendidos até o momento.


Como Marrazzo teria dificuldade de comprovar a entrega dos cheques, mudou a versão, para evitar um processo criminal por calúnia: os policiais poderiam processá-lo por crime de calúnia, que consiste em imputar a terceiro fato certo, determinado, e constitutivo de crime (extorsão, no caso).


Marrazzzo não falou da existência de cocaína no apartamento de Natalia. Nem de os policiais terem desaparecido com ela.


Com relação à cocaína, eventual afirmação de fornecimento por Natalia poderia colocar o trans em lado oposto a Marrazzo. Assim, ensejar reação a prejudicar a sua defesa. Do lado contrário, Natalia poderia, em testemunhos, colocá-lo em apuro. Fora, poder revelar fatos íntimos, de alcova.


Assim, Marazzo sustentou, junto ao Ministério Público, que carregava na sua carteira 4 mil euros. Para Natalia e a título de pagamento pelo contrato sexual, pagou, antecipadamente, 1 mil euros (cerca de R$3.000,00). Os outros 3 mil foram furtados pelos policiais militares.


—3— Ordem de Prisão.



Ao confirmar na semana passada a prisão preventiva dos policiais, o juiz de instrução preliminar, Sante Spinaci, escreveu ter Marrazo acertado com Natalia, conforme relatos colhidos na apuração do ROS, o preço de 5 mil euros, ou seja, relações íntimas presumidamente regadas com cocaína.



Brenda, inocentada por Marrazzo.




—4— O assassinato de Cafasso e os Policiais Militares presos.



Hoje, já foram ouvidos os dois policiais presos preventivamente ( dois outros, que não entraram no apartamento, obtiveram liberdade provisória). Amanhã, novidades surgiram.


Pelo que se comenta, os policiais permanecerão em silêncio, ou seja, preferirão se manifestar apenas em juízo.


Os policiais presos negam a extorsão. Falam em pequena quantidade de cocaína, jogada no vaso sanitário para atender apelo do governador Marrazzo.


Afirmaram que o gigolô Gianguarino Cafasso, por celular, informou-lhes de uma “festa íntima”, com muita cocaína, em apartamento na via Gradoli.


No local, encontraram Marrazzo de cueca e ele fez apelo para ser poupado pois tinha três filhos, dois deles menores, e esposa. Dada a pequena quantidade de cocaína (“insuficiente até para gerar um procedimento administrativo”) e nenhuma suspeita que lhe pertencia, resolveram poupá-lo, sem qualquer compensação financeira.


Para os policiais, o vídeo pode ter sido feito pelo gigolô Cafasso.


Cafasso, misteriosamente, acabou assassinado cerca de um mês depois da invasão do apartamento de Natalia, pelos policiais: final de julho de 2009, verificou-se a invasão domiciliar.


Local do encontro, no apartameto da via Gradoli.




—5—Vídeo Comprometedor.



O vídeo foi negociado com uma agência de publicidade e com a revista “Quem” (Chi), do grupo editorial do premier Silvio Berlusconi.


Durante a ouvida de Marrazzo, pelos magistrados do Ministério Público, nenhuma pergunta formulou-se a respeito de Berlusconi: o premier Berlusconi, 20 dias depois de ter tomado conhecimento da oferta de compra feita à editora Mondadori, de sua propriedade, informou o então governador Marrazzo: a Mondadori não comprou o vídeo.


Os policiais do ROS realizaram a apreensão do vídeo antes da sua difusão.



—-6— Mistérios, Cocaína e Morte misteriosa.


Marrazzo nasceu em 1958 e por mais vinte anos trabalhou como jornalista na RAI, onde atua a sua esposa.


Ao ser eleito governador, em 2004 e com 50,7% dos votos, licenciou-se da RAI( Rádio e Televisão Italiana).


Nos relatos de Marrazzo e Natalie, no apartamento da via Gradoli, no dia fatídico, não estava o gigolô Cafasso.


PANO RÁPIDO. Os magistrados atuam junto com o ROS a fim de fazer com que a verdade real surja no processo. Marrazzo, já desmoralizado, luta para continuar como testemunha no processo e procura evitar seja seu nome ligado ao assassinato de Cafasso.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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