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Guerra do Tráfico no Riode Janeiro. Uma invasão anunciada pelo crime organizado.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 18 de outubro de 2009.

Morro dos Macacos.

Duas semanas depois da escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, eclodiu uma nova guerra entre facções de duas potentes organizações criminosas: Comando Vermelho e Amigos dos Amigos.


A meta era o controle do território onde operam os postos de venda de drogas proibidas no morro dos Macacos (Vila Isabel).


A facção beligerante do Comando Vermelho partiu do morro São João para se apossar das lucrativas “bocas de fumo”, como são chamadas.


No Rio, a disputa de território controlado pela criminalidade organizada não representa fato novo. Em 2006, a chamada Guerra da Rocinha mostrou que, em busca de lucros ilegais, as organizações criminosas partem para o embate e enfrentam até as forças de ordem, caso se metam no confronto.


O estranho, no conflito de sábado passado, é que o órgão de inteligência da Secretaria de Segurança Pública foi informado, na véspera, sobre um iminente embate entre as facções, no morro dos Macacos, em Vila Isabel. Nenhuma medida eficaz foi tomada pelas forças de ordem, diante de uma tragédia anunciada. Resultado: 12 mortes e danos materiais de monta.


Para o local do conflito, a escancarar a falta de preparo policial, foi enviado um helicóptero. Este só possuía blindagem no piso da cabine do piloto. Mais ainda, a blindagem do piso não resistia rajadas de metralhadoras. Na queda do helicóptero fuzilado faleceram, carbonizados, dois policiais militares. Três tripulantes conseguiram saltar do aparelho em queda, antes do impacto com o solo e da sua consequente explosão.


Quanto ao planejamento, o crime organizado venceu de novo e infelizmente. O crime organizado conseguiu, --além de bloquear o acesso ao morro com incêndios --, imprimir ações relâmpagos em outros locais e de modo a confundir a polícia.


PANO RÁPIDO. As organizações criminosas no Rio continuam a enriquecer com o comércio de drogas. Financeiramente fortes, continuarão a comprar armas potentes, corromper autoridades e difundir o medo na população.


A partir deste domingo volta em cartaz um filme que já assistimos. Ou seja, especulações sobre envio da Força Nacional (que já foi empregada quando veio a furo o caso das milícias) e do Exército. O governo, --podem escrever caros amigos deste blog Sem Fronteiras--, vai voltar a culpar os usuários de drogas. E na visita do presidente colombiano Uribe a Lula uma nova cooperação será anunciada, apesar da cocaína que abastece o Rio ser proveniente, na sua maior parte (95%), da Bolívia: a maconha é paraguaia.


Enquanto isso, pelo sistema bancário internacional o mercado das drogas ilícitas movimenta mais de US$ 400 bilhões por ano. No Rio, não se consegue cortar o fluxo do dinheiro e nem desplugar as organizações criminosas dos centros de abastecimentos.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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