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Berlusconi: prega boicote ao jornal La Repubblica, quer reforma judiciária e seus advogados preparam uma nova lei para salvar o premier de condenação criminal.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 13 de outubro de 2009.

Berlusconi, no encontro de jovens indústrais realizado pela Confederação das Indústrias (Confindustria)

Na segunda feira passada (12/10/2009), em encontro de jovens industriais promovido pela Confederação das Indústrias (Confindustria), o primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, perdeu as estribeiras e se desesperou.


O desespero de Berlusconi decorreu do fato de a maioria dos italianos aprovar recente decisão da Corte Constitucional. Uma decisão que cassou o privilégio de o premier não ser julgado por crime comum enquanto no cargo.


Berlusconi sabe da iminência da sua condenação perante o tribunal de Milão, isto em primeiro grau de jurisdição e por crime de corrupção.


No cível, — conforme informado neste blog Sem Fronteiras–, Berlusconi foi, há pouco, condenado a pagar alta indenização por corromper um juiz e um perito que elaborou falso laudo em seu favor.


Uma condenação criminal, ainda que não definitiva, sujará a ficha de Berlusconi e poderá, pela grande repercussão interna e internacional, inviabilizar os seus projetos de (1) permanecer no cargo de premier até o final do mandato (faltam 3 anos e meio) e de se (2) tornar, na seqüência, presidente da república italiana, em escolha pelo Parlamento.


Apesar de recomendado pelo presidente da Confindustria para baixar o tom das críticas, Berlusconi não deu bola e atacou a imprensa e os magistrados.


Berlusconi ameaça apresentar um projeto de reforma judiciária para acabar com as perseguições que se diz vítima.


. Por outro lado, os seus assessores e advogados providenciam um projeto de lei ordinária para lhe conceder imunidade, de modo a evitar a condenação criminal pelo Tribunal de Milão.


Para os seus advogados, o Lodo Alfano (lei ordinária dada como inconstitucional pela Corte ao privilegiar com a suspensão dos processos criminais as quatro mais altas autoridades do estado italiano) pode ser emendado.


E emendado para completar o elenco de privilegiados, ou seja, todos os parlamentares, que também são órgãos de poder. Assim, não mais haveria violação ao princípio da igualdade, dado como violado pela Corte Constitucional.


No encontro de ontem com jovens industriais, Berlusconi pediu o boicote ao jornal La Repubblica, de maior circulação na Itália.


Também recomendou o boicote às publicações italianas que, na sua visão, alimentam a mídia estrangeira, com informações escandalosos e voltadas a denegrir a imagem da Itália.


Como Mussolini, o premier Berlusconi fala que foi eleito pelo povo, ao contrário dos membros da Corte Constitucional e dos magistrados. Na sua visão, só o povo poderá lhe tirar o mandato.


Para Berlusconi, o povo será por ele convocado para sair às ruas caso haja ameaça de perder o cargo de premier. Talvez, teremos uma nova Marcha sobre Roma, como a elaborada por Mussolini.


Berlusconi disse sofrer, há 15 anos, ataques da Magistratura, dos “juizes de toga vermelha” (comunistas). Para Berlusconi, “o seu governo continuará até o fim da legislatura, por mais 3 anos e meio”.


Depois de afirmar ter sido o melhor governante italiano dos últimos 150 anos, Berlusconi soltou, ontem, uma nova pérola: - “Os chefes de governo dos outros países me falam, admirados, que sou duro, com grande capacidade para resistir e que outros políticos, pelo mundo, não teriam resistido metade dos ataques de que fui vitima”.


PANO RÁPIDO. A Itália, na sua história, já teve um Mussolini. Por isso, a Constituição de 1948 elaborou um seguro sistema de freios e contrapesos para evitar novas surpresas.


Vamos esperar que esse sistema constitucional continue a funcionar a fim de conter novos Mussolini.


Até agora, tudo está a contento, com a Corte Constitucional tendo cumprido, admiravelmente, o seu papel de evitar privilégios e de cassar instrumento legislativo voltado a produzir, “ad personam” (Berlusconi), impunidade.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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