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Caso Battisti: escritora francesa, Fred Vargas, interpela ministro Peluso, do Supremo Tribunal Federal.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF,08 de outubro de 2009.

Fred Vargas.

A autora francesa de suspenses policiais Fred Vargas resolveu interpelar o ministro Cezar Peluso, relator do caso Battisti no Supremo Tribunal Federal (STF).


Ela apresentou 13 perguntas para Peluso responder, pois considera que houve, por parte desse ministro do STF, equívocos e contradições no seu voto (julgamento).


O Comitê Pró Battisti deverá divulgar a interpelação. Este blog a recebeu ontem, em Brasília, das mãos do exmo. senador Eduardo Matarazzo Suplicy.


A própria Fred Vargas, que viu as suas teses naufragarem na França e na Corte Européia de Direitos Humanos, apresenta, agora no Brasil, perguntas ao relator Peluso. Estranhamente, ela ao mesmo tempo fornece as respostas, numa crítica ao voto de Peluso. Essas respostas, alías, já bem conhecidas, pois repetem as surradas teses que expõe desde a prisão de Battisti.


Fred Vergas chegou a Brasília ontem, onde prepara novas ações em favor de Battisti.


Cópia da interpelação de Fred Vargas ao ministro Peluso foi encaminhada, pelo senador Eduardo Matarazzo Suplicy, a todos os onze ministros do STF.


A interpelação tem até título introdutório: - “Equívocos E Imprecisões Que Podem Levar Um Homem À Prisão Perpétua”.


Vargas esqueceu ter Battisti afirmado que não mais pertencia à organização eversiva Proletários Armados para o Comunismo (PAC), quando dos quatro homicídios.


E o esquecimento fica claro na formulação da 12ª. pergunta: - “O ministro Cezar Peluso insiste no fato de que Cesare Battisti foi preso, –junto com outros clandestinos–, num apartamento onde existia esconderijo de armas?”



Na resposta, Vargas surpreende até a Battisti: - “É verdade”, diz ela.


Com efeito, para Vargas é verdade que Battisti “foi preso num apartamento onde existia um esconderijo de armas”.


Só que para Vargas isso não interessa como indicativo de Battisti pertencer à organização: a prisão, na célula onde eram armazenadas armas, foi posterior aos assassinados.


Interessa a Vargas, apenas, a afirmação de que todas “aquelas armas eram virgens” (sem uso). E, assim, conclui que não foram usadas nos crimes atribuídos e em nenhuma outra ação eversiva do PAC.


Faltou apenas a escritora Vargas, que desmentiu Battisti, dizer que o seu colega escritor de ficções policiais tinha passado pela célula terrorista apenas para tomar um café e rever antigos amigos.


Por outro lado, em momento algum acusou-se Battisti de ter usado as armas que estavam em depósito, mas, apenas, que tal fato demonstrava ser mentirosa a afirmação dele não mais pertencer à organização eversiva de sigla PAC.


PANO RÁPIDO. Na França,Vargas não teve o mesmo empenho de agora. Lá, em todas as instâncias judiciárias e administrativas (Conselho de Estado), deferiu-se a extradição de Battisti. Na interpelação a Peluso, Vargas volta a não aceitar a conclusão da Corte Européia de Direitos Humanos, ou seja, de que Battisti teve ampla defesa.
Vargas, além de conhecidos leguleios, insiste em afirmar que Battisti terá prisão perpétua.


Na Itália, a pena perpétua não existe mais.


Nenhum terrorista (brigadista) está a cumprir pena perpétua.


Apenas uma ex-brigadista está presa e isto há menos de três anos.


Todos os condenados que não fugiram como Battisti, exceção à supracitada ex-brigadsta, já tiveram a pena extinta e estão reintegrados plenamente à sociedade.


A pena, na Itália, não ultrapassa de 30 anos, como no Brasil. Não interessa a Vargas admitir isso. Interessa continuar a sustentar que Battisti terá pena pérpetua.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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