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Drogas. Czar da Casa Branca chega à Bogotá para acabar com o sonho de reedição do Plan Colombia. Quanto às 7 bases militares dos EUA na Colômbia, terá de explicar

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 29 de setembro de 2009.

Obama e Uribe.

O czar antidrogas da Casa Branca, Gil Kerlikowske, inicia o seu périplo pela Colômbia e deverá dizer ao presidente Alvaro Uribe para não contar com o apoio de Barack Obama no que toca a ressuscitar o fracassado Plan Colômbia.



Desde que assumiu em maio passado a responsabilidade como gestor das políticas sobre o fenômeno das drogas, Kerlikowske considera um grande equívoco a “war on drugs”.



Depois de ter o nome aprovado pelo Congresso, o novo czar, em entrevista ao Wall Street Journal, desabafou: - “Independentemente da maneira como se procura explicar para as pessoas que se cuida de uma guerra às drogas, ou de se tratar de uma “guerra” a uma substância, os cidadãos percebem ser ela uma guerra contra as pessoas. E não devemos entrar em guerra com o povo deste país”:
http://online.wsj.com/article/SB124225891527617397.html.



Numa das duas reuniões agendadas com Uribe, o czar Kerlikowske dirá que Obama, para a questão das drogas proibidas, privilegiará políticas voltadas à redução da demanda. Ou seja, irá mudar o foco do governo anterior, que optou pela repressão militarizada e pela repressão judicial criminalizante.



Para reduzir a demanda, o czar Kerlikowske, que tem experiência na área policial, falará a Uribe sobre planos de incentivos a (1) cultivos substitutivos à coca e (2) aproveitamento, em atividades lícitas, da mão de obra atualmente empregada pelos potentes cartelitos, administrados por narcotraficantes colombianos.



Só para lembrar, 80% do cloridrato de cocaína (pó) disponível nos EUA tem origem colombiana.



Uribe mandou preparar para apresentar ao czar Kerlikowske um relatório detalhado sobre políticas de contraste ao narcotráfico que o governo colombiano pretende levar adiante. E no relatório, pelo que se sabe, haverá registro sobre as polêmicas sete bases dos EUA, justificadas como necessárias ao combate ao narcotráfico e à guerrilha.



Pelo que se sabe, Kerlikowske não propõe o fim da repressão à oferta, mas considera ser o principal a redução da demanda. E o governo Obama, ao contrário de Bush, não apoiará o derrame de herbicidas em áreas de plantio de coca, dados os danos ecológicos irreversíveis: o ponto principal do Plan Colômbia era o derrame, por aviões da DynCorp, do herbicida glifosato (no Brasil conhecido por Round-Up), fabricado pela multinacional Monsanto.



O czar Kerlikowske sabe muito bem da experiência calamitosa, e ruinosa em termos financeiros, do projeto de cultivo substitutivo que a ONU e os EUA experimentaram na Bolívia, na região do Chapare e no governo do falecido presidente Hugo Banzer.



Os agricultores bolivianos do Chapare não conseguiram escoar a safra substituta e suportaram prejuízos. Todo o projeto estava centrado no escoamento da safra para a Argentina, que, à época, mergulhou numa profunda crise econômica.



O czar sabe, também, do interesse geoestratégico norte-americano que procura disfarçar a presença bélica na Colômbia, com as novas bases militares, mediante o falso rótulo de combate às drogas.



PANO RÁPIDO. Como perguntar não ofende, coloco uma questão. Se a nova política de Obama privilegiará a redução da demanda, por que bases militares na Colômbia?

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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