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Crime Organizado. Berlusconi com odor de máfia é recebido pelo papa Bento XVI

IBGF, 27 de setembro de 2009.

Berlusconi.

“Sobre cavalos, ele não entendia nada”, disse o procurador de Justiça que atua junto à Corte de Apelação de Palermo a respeito do “cavalariço” Vittorio Mangano, um mafioso de ponta contratado, de 1973 a 1975, para cuidar do valioso plantel de cavalos do haras de luxo de Sílvio Berlusconi, na sua fazenda em Arcore (norte da Itália).



“Não entendia de cavalos”, virou a frase-piada carimbada no premier Silvio Berlusconi na última sexta-feira, tão logo ele retornou dos EUA, onde, no palácio de vidro das Nações Unidas em Nova York, procurou a ribalta e só conseguiu destaque de canto de página. Isto em razão de ter passado alguns minutos preso no elevador do célebre hotel Waldorf Astorias, por problemas técnicos.



Na Corte de Apelação de Palermo tramita um processo por associação mafiosa contra o senador siciliano Marcello Dell´Utri, amigo fraterno de Berlusconi, co-fundador com ele do partido Forza Itália e seu exclusivo correspondente na Sicília.



Por sentença de primeiro grau, o senador berlusconiano Marcello Dell´Utri está condenado a 9 anos de prisão por associação à Máfia.



Sexta feira, na Corte de Palermo, o procurador de Justiça Antonino Gatto lembrou ter sido Dell´Utri a indicar o mafioso Mangano para trabalhar para Berlusconi na fazenda de Arcore.



Só para lembrar, Mangano foi condenado à prisão perpétua por ser mafioso e responsável por dois homicídios perpetrados a mando da Cosa Nostra: ele morreu em 2000, com um câncer no cérebro.



Gatto lembrou que Dell´Utri era o braço direito de Berlusconi para negócios na Sicília: “Mangano era o símbolo vivo de como a Cosa Nostra tutelava Berlusconi”. E acrescentou Gatto: “Mangano foi chamado para cultivar interesses diversos para os quais foi oficialmente contratado”.



No final da sua manifestação perante a Corte de Apelação de Palermo, indagou o procurador: - “O que fazia um cavalariço de fachada e mafioso na fazenda de Berlusconi em Arcore ?”



Numa investigação conduzida pelo magistrado Paolo Borsellino, — dinamitado pela Máfia em 1992–, figurava Vittorio Mangano. Para Borsellino ele era o “testa de ferro” que cuidava dos negócios da Cosa Nostra no norte da Itália. Esse juízo de Borsellino foi lembrado pelo magistrado Gatto, em função de representante do ministério Público.



Apesar do odor de máfia a impregnar em Berlusconi no momento, ele conseguiu, antes de o papa Ratzinger embarcar para Praga, agendar um encontro.



Sem saber o que dizer, Berlusconi, ontem, foi logo dizendo: - “Santidade, trago-lhe um afetuoso abraço do presidente Barack Obama”.



Com um cinismo nada cristão, Ratzinger emendou: - “Presidente (do Conselho de Ministros), que alegria em encontrá-lo”.



PANO RÁPIDO. Como não mais está entre nós, só podemos imaginar que tenha ficado o mafioso Mangano, –que em vida nunca montou ou tratou de cavalos–, admirado com o diálogo entre Berlusconi e o papa Bento XVI.



Nem Totó Riina, o encarcerado “capo-dei-capi” (chefe dos chefes) da Máfia poderia imaginar um trato diplomático igual.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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