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Terror. Obama não esperava pelos Jovens Leões afegãos.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

IBGF, 27 de setembro de 2009.

Plantio de Papoula no Afeganistão.

Nesta semana, enquanto se preparava para o summit sobre mudanças climáticas no palácio de vidro das Nações Unidas, o presidente Barack Obama percebeu que a estratégia David Petraeus para o Afeganistão, na qual colocou todas as fichas e um contingente adicional de 21 mil militares, tinha ido para o vinagre. E 58% dos norte-americanos são contrários à guerra contra o terror de Obama, na Ásia Central. Uma guerra de contrastes. De um lado, forças regulares com tecnologia de ponta: aviões sem pilotos, bombas penetrantes para atingir cavernas, etc. Do outro, camicases, minas, emboscadas e fanatismo.



Petraeus é o chefe militar para toda a região médio-oriental. No Afeganistão, segundo anunciado em março deste ano e visto como ovo de Colombo por Obama, a sua estratégia consistia em separar os talebans moderados dos duros, e ambos dos alqae-distas. Ao general Petraeus está vinculado Stanley McChrystal que, do Afeganistão e em uniforme estrelado de campanha, deu um ultimato a Obama, ou seja, precisa de mais 30 mil militares combatentes para os EUA não perderem a guerra.



Em março de 2009, quando Petraeus falou em introduzir, para celebrar posteriores acordos, cunhas a separar os distintos grupos, os talebans controlavam 70% do território afegão. O relatório que chegou esta semana a Obama destaca que os talebans controlam de 75% a 80% do território.



Não bastasse, Obama foi informado sobre a união dos “jovens leões” aos líderes históricos que expulsaram os soviéticos. Em outras palavras, a cunha de Petraeus é inviável. A coordenação entre os antigos senhores da guerra e os “jovens leões” está a cargo do mulá Mohamed Omar, que, em setembro de 2006, o-cupou Cabul, impôs a sharia (lei islâmica) e transformou a república num emirado islâmico. Omar, depois de 11 de Setembro de 2001, negou-se a entregar o genro Bin Laden para George W. Bush.



A região onde atua o grupo de Zakir.


Dentre os “jovens leões” destaca-se o mulá Zakir. Ele foi um dos primeiros prisioneiros levados a Guantánamo: sua matrícula é a de número 08. Em 2007, os norte-americanos o devolveram ao presidente Hamid Karzai com o alerta de que se tratava de um nacionalista, com perfil filo-alqaedista e especializado em explosivos e emboscadas. No mesmo ano de 2007, Zakir fugiu da prisão e tornou-se um dos chefes talebans.



Além de coordenar os vários grupos, Omar foi recentemente eleito para presidir o conselho do movimento taleban, ou melhor, a Shura de Quetta (Paquistão). Não está fora de combate, como sustentava W. Bush e o certo é que as milícias talebans, a partir de 2003, se reorganizaram e atacam até em Cabul, uma zona dada como superblindada pelo comando da Nato-Isaf.



Na quinta-feira 17, no coração de Cabul, dois blindados Lince italianos foram arremessados a 25 metros de distância, em face de uma explosão com 150 quilos de dinamite misturada a fertilizantes e gasolina. O ataque matou seis jovens paraquedistas italianos, da tradicional divisão Folgore, e 30 civis afegãos.


Para enfrentar as tropas reunidas sob a bandeira da Nato-Isaf, os talebans contam de 15 mil a 22 mil guerrilheiros. Segundo os 007 da CIA, do tráfico de ópio bruto, os talebans embolsam 100 milhões de dólares, por ano: 1) Cada combatente recebe mensalmente de 100 a 300 dólares. 2) Os que estão em adestramento vencem mensalmente 1,5 mil dólares.



Um dos itens do budget controlado pela cúpula taleban é reservado para a compra de crianças-camicases. Segundo os 007 ocidentais, o preço de uma criança-bomba varia de 7 mil a 14 mil dólares. Em 2008, os talebans promoveram 116 ataques suicidas, 12 em Cabul, a mostrar vulnerabilidade e poder de infiltração.



Obama: veste camisa de sete varas.

Convém lembrar que, às vésperas das eleições presidenciais de agosto, Cabul foi por duas vezes bombardeada e a CIA se embaraçava para, internamente, justificar o injustificável. Ou seja, o candidato a vice-presidente da chapa de Hamid Karzai, o tadjique Mohammed Qasim Fahim, tinha sido ex-agente da CIA, apesar de grande traficante internacional de ópio e heroína.



Chrystal, no relatório a Obama, mostra que os talebans intensificam, de ano a ano, os ataques no Afeganistão. Até junho de 2007 foram 234 explosivos ataques. O número subiu a 308 em junho de 2008 e, até junho de 2009, ocorreram 736 ataques. A chamada missão Nato-Isaf, composta de 42 países, contabilizou, de 2001 até o último ataque a Cabul, 1.386 soldados mortos.



Pano rápido. Não empolga mais o discurso de que se deve combater os terroristas onde eles se organizam e são adestrados, para evitar ataques dentro dos EUA e da Europa. No meio da multidão, na basílica romana de San Paolo e por ocasião dos funerais dos paraquedistas dinamitados, levantou-se uma voz a incomodar o lacaio Berlusconi: “Retire-os logo. Por quantos mortos devemos esperar ainda?”



Não dá mais para defender um Karzai que permitiu o desvio de ajuda financeira destinada a fomentar a agricultura, a saúde, o consumo, a cultura, a renda, etc. O Afeganistão de Karzai, reeleito com fraude, é uma armadilha para Obama.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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