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Talebans x Isaf-NATO. Funerais de Estado para os 6 paraquedistas italanos do Folgor, dinamitados em Cabul.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 21 de setembro de 2009.

Funeral de Estado para os 6 paraquedista italianos do tradicional Folgore.


Hoje, uma multidão lotou, em Roma, a praça e a enorme basílica de San Paolo fuori mura (fora da marulha). Isto para a última homenagem aos seis paraquedistas dinamitados em Cabul: Matteo Mureddu, 26 anos, Davide Ricchiuto, 26 anos, Giandomenico Pistomani, 28 anos, Massimiliano Randino, 32 anos, Antonio Fortunato, 35 anos e Roberto Valente, 37 anos.



A emoção fez-se acompanhar de outro sentimento, ou seja, da inutilidade da presença de militares italianos no Afeganistão. Isto porque a população está consciente do insucesso da "missão Isaf" no Afeganistão. E pelos dados recém-revelados, os italianos sabem que novas tragédias acontecerão.



Muitos cidadãos carregavam, durante o cortejo fúnebre, uma foto de Simone Valente, de dois anos de idade. Simone aparece com a boina de paraquedista do tradicional grupo Folgore e a foto foi publicada com destaque em vários jornais italianos. A foto foi tirada ontem, com Simone Valente à espera, no aeroporto militar, da chegada dos espólios do pai Roberto.



Até o momento não se sabe se a explosão em Cabul deveu-se a uma ação de homens bombas ou ao acionamento da carga de dinamite, estimada em 150 kg, por telecomando.



A carga explosiva estava no interior de um automóvel Toyota, estacionado na rua onde passariam os dois blindados italianos Lince, com os seis paraquedistas.



A explosão provocou a abertura de um buraco com 70 metros de diâmetro e dois metros de profundidade. Além dos seis paraquedistas, faleceram 15 civis afegãos.



Com a presença do presidente Georgio Napolitano e a leitura de mensagem do papa Bento XVI, o monsenhor Pelvi, responsável pela celebração, lembrou que os seis paraquedistas integravam uma missão de paz, de apoio aos cidadãos afegãos.



Chegada de corpo de paraquedista morto em Cabul

No particular, a Itália integra a Isaf (Força Internacional de Assistência e Segurança), comandada pela NATO. E a Itália mantém no Afeganistão 2.800 militares, não para combater, mas para dar segurança à população e auxiliar nas missões de paz.



Desde 7 de outubro de 2001, quando forças armadas dos EUA e da NATO resolveram intervir no Afeganistão, já faleceram 21 militares italianos e 830 norte-americacos.



No final do toque de silêncio na basílica de San Paolo ecoou, no meio da multidão, uma voz que deixou o premier Berlusconi sem ação, emparedado: -“ Retire-os logo. Por quantos mortos devemos esperar ainda ?”.



O premier Berlusconi, apesar da grande comoção e da pressão pela volta dos militares, assegurou que os italianos deverão continuar no Afeganistão. A palavra de Berlusconi coincidiu com a do presidente Barack Obama, que frisou, hoje, que a luta contra o terror prosseguirá no Afeganistão.



PANO RÁPIDO. Dados de hoje, pelos serviços de inteligência da Alemanha, França, Canadá, Grã Bretanha e EUA, revelam que os talebans controlam de 75% a 80% do território afegão.



Em junho de 2008, consumaram-se 308 atentados suicidas com emprego de dinamite. Já em junho de 2009, foram 736 atentados. Isso mostra que os talebans já estão plenamente reorganizados, depois das baixas e dos recuos a que foram obrigados em 2002 e 2003.



E os talebans, nos ataques sucidadas, usam crianças. Cada criança-kamicase é vendida numa faixa entre US$7,0 mil a US$14,0 mil.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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