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ONU acusa Israel e Hamas. Comissão Goldstone conclui por crimes de guerra.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 16 de setembro de 2009.
Palestino,com filho morto, após ataque do Tsahal de Israel.



O inquérito tem 575 páginas e foi produzido por uma comissão de investigação presidida pelo professor Richard Goldstone, que é judeu.



Segundo a chamada Comissão Goldstone, o Exército de Israel (Tzahal), durante as operações militares em Gaza, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, cometeu, em razão de ataques sem observância às regras de segurança previstas no direito internacional, “crimes de guerra e, talvez, crimes contra a humanidade”.


Resumo: 22 dias de guerra. Mortos: 13 israelenses e mais de 1.300 palestinos.


Para a comissão — formada pelo presidente Goldstone e integrada por um inglês, um paquistanês e um irlandês —, os milicianos do Hamas, com arremessos de foguetes Qassan disparados contra o território israelita e a acarretar mais de uma dezena de mortes, também perpetraram crime de guerra.


As provocações do Hamas, com lançamento de foguetes Qassan (leva o nome de um combatente palestino), provocaram uma desproporcional reação de Israel, conforme ressaltado no relatório do inquérito elaborado pela Comissão Goldstone.


A propósito, neste blog Sem Fronteiras, de Terra Magazine, frisamos, em comentário quando da guerra, que a desproporcionalidade da reação por parte de Israel estava a descaracterizar a legítima defesa e os resultados da chamada ”Operação Chumbo Derretido”, 773 civis mortos, tipificavam crimes de guerra e contra a humanidade.


Pela Comissão Goldstone foram realizadas, durante cinco meses de trabalhos, 188 entrevistas, juntados 10 mil documentos e tiradas 1.200 fotografias.


O inquérito será apresentado no final deste mês de setembro à ONU, que deve abrir prazo para a defesa de Israel.


Cópia do inquérito será enviada ao Tribunal Penal Internacional, de Haia (TPI), apesar de este não ter jurisdição sobre Israel, bem como EUA, China, Rússia etc. Ou seja, vai para o arquivo de Haia.


Sabe-se que Israel ainda não emitiu nota oficial a respeito das apurações dos errôneos bombardeios, pelo Tzahal e com emprego de bombas proibidas (fósforo branco), que atingiram instalações da ONU para refugiados palestinos, bem como os hospitais Al-Quds e Al-Wafa.


O nacionalista e neofascista ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, acusa de “parcialidade” e de “equivocadas apurações” o relatório produzido no inquérito presidido por Goldstone. Ele fala, irritado, da falta de reconhecimento do direito de autodefesa e em falsos relatos de testemunhas. Fora o fato de Goldstone ser antissionista.


Goldstone, sobre as críticas, respondeu: “Ridículo. Sou judeu e tenho vínculos com Israel. Estou, no entanto, profundamente desiludido com o acontecido durante os ataques”.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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