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Cerveja faz bem para os ossos das mulheres. Alcoolismo, perto do fim.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 18 de agosto de 2009.




Ontem, neste espaço, foi falado sobre o uso terapêutico-medicinal da maconha no combate à osteoporose. Hoje, chamo a atenção para duas novíssimas pesquisas, na Espanha e nos EUA, e que estão a entusiasmar a comunidade acadêmica-científica.



Como o assunto de hoje será álcool, lembro de uma lenda árabe mencionada por Cesare Lombroso, o respeitado médico-psiquiatra italiano que desenvolveu a tese do criminoso nato, na obra “O Homem Delinqüente” (L’Uomo Delinquente , lançado em 1876).



A tese de Lombroso sobre o criminoso nato, com o passar do tempo, acabou desmentida.



No entanto, ela empolgou até positivistas do porte do nosso grande jusfilósofo Tobias Barreto.



Lombroso sustentou, --só para lembrar aos que não mais estudam Medicina Legal nos cursos de Direito--, que o criminoso nato seria o indivíduo propenso a praticar delitos em razão de taras ancestrais. Numa síntese, um homem primitivo a viver numa época diversa daquela que deveria ter vivido.



Sobre as correlações entre alcoolismo e crime, Lombroso lembrou uma lenda árabe que separava as fases da embriagues etílica. Por ter pertinência à pesquisa dos EUA, acima mencionada, convém dela recordar.



Pela lenda, Adão, já pecador, plantou a primeira videira e o diabo, na calada da noite, irrigou-a com sangue de três animais: macaco, leão e porco (o Palmeiras ainda não existia e, assim, os da organizada Mancha Verde não foram observados por Lombroso).



Esses três animais passaram a simbolizar as três fases da embriaguez. Na primeira, o indivíduo se tornaria irrequieto, desatento, buliçoso: macaco. Depois, na segunda, viraria violento e agressivo: leão. A sonolência e o estado comatoso surgiriam na fase terceira: porco.



Uma mulher não precisa ingressar em nenhuma das fases mencionadas pela lenda árabe para conseguir ter bons ossos no seu esqueleto.



Com efeito, só com um moderado consumo de cerveja garantirá isso, como acabam de afirmar os pesquisadores da universidade espanhola de Extremadura, em Cáceres.



Durante a pesquisa foram observadas 1.700 mulheres com idade média de 48 anos.



A densidade óssea, --verificada mediante emprego de ultrassonografia--, mostrou que era melhor nas mulheres que consumiram regulamente cerveja a base de malte, em pequena quantidade.



Para os pesquisadores, as mulheres beneficiaram-se com a ingestão de “fito-estrogêneos” presentes nas cervejas à base de malte.



A pesquisa com as conclusões está publicada na revista “Nutrition” que chegou às bancas espanholas.




A outra pesquisa, realizada nos EUA (Maryland), trabalhou com macacos. E a macacada encheu a cara e percorreu as três fases da lenda árabe.



Ou seja, não faltava bebida alcoólica para os macacos consumirem e alguns passaram longos períodos no mais completo “porre”.



Por essa pesquisa aposta-se que vai se chegar à cura do alcoolismo humano. Do macaco, diria a sabedoria lusitana, é só não bebida alcoólica, pois, pois.



O estudo, com detalhamento da pesquisa acaba de ser publicado na revista Proceedings National Academy of Science. Alguns macacos, consoante a pesquisa, possuem uma variante genética que impulsionam a beber mais bebida alcoólica.



O gene (gem) variante funciona como fator de liberação da “cortcotropiba” (Crf), que, conforme o estudo, “ influi muito na madeira pela qual respondemos ao stress cotidiano. Por vezes, a hiperatividade do Crf pode conduzir a problemas ligados ao stress, como a ansiedade, a depressão e ao alcoolismo”.



Os macacos com o supracitado gene variante buscavam consumir a bebida alcoólica, e também sentir o cheiro dela, para reduzir a ansiedade. E eles bebiam além do limite: sem moderação, para aproveitar o jargão da publicidade, mencionado pela obrigatoriedade legal.



Independentemente do sabor (bastava sentir o cheiro do álcool para consumir), os macacos com gene variante tomavam de quatro a cinco “drinks” por ora. Aí e como destacou a professora Christina Bar, assumiam comportamento igual ao dos homens. Ou seja, os comportamentos mencionados na lenda árabe, que chamou a atenção de Cesare Lombroso.



Tratar o gene variante de “maneira a limitar a hiperatividade” , de acordo com a pesquisa desenvolvida pelo Institute of Health di Bethesda (Maryland) , poderá representar uma cura do alcoolismo e, também, evitar o risco de recaída.

--Wálter Fanganiello Maierovitch—


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