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Nobel da Paz Condenada pela Justiça da Narcoditadura militar birmana.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 12 de agosto de 2009.




1. Ontem, a Justiça de Myanmar (–nome dado pelos militares golpistas à Birmânia–) condenou Aung San Suu Kyi, 64 anos de idade e ganhadora do Nobel da Paz.


A pena foi de 3 anos de reclusão com trabalhos forçados.


O general Than Shwe, chefe da Junta Militar que governa Myanmar, comutou essa pena para 18 meses de prisão domiciliar. E justificou a comutação com o fato de Aung San Suu Kyi ser filha do falecido Aung San, herói nacional e que proclamou a independência de Myanmar da Grã Bretanha.


A condenação da Nobel da Paz já era esperada. Os militares marcaram eleições para 2010 e com Aung Suu Kyi na prisão, não poderá ela fazer oposição ao regime ditatorial.


2. A ONU e a União Européia tinham pedido a imediata soltura de Aung Suu Kyi, que está presa há 14 anos.


Com a nova condenação, –baseada na acusação arbitrária de haver violado as regras disciplnares para quem se encontra em prisão domiciliar–, permanecerá Aung Sauu Kyi, feita uma projeção, 15 anos e seis meses sem poder sair da sua vigiada residência, à margem do lago Inya, em Rangoon, ex-capital birmana.


A secretária de estado Hillary Clinton, em maio passado, afirmou que Aung San Suu Kyi não deveria nunca ter sido processado e que o fato imputado representava perseguição política.


Para analistas internacionais, a nova condenação da Nobel da Paz representa uma derrota para o Secretário Geral da ONU. Ele demorou a pressionar. Chegou até a mandar um representante, que levou três dias para ser recebido por um representante do geneal Than Shwe, “capo” da Junta Militar.


O representante do Secretário Geral da ONU visitou Aung Suu Kyi na prisão fechada que foi colocada depois da suspensão da domiciliar. Tirou fotos ao lado da Nobel da Paz e voltou para Nova York, depois de uma vergonhosa e humilhante missão diplomática.


Than Shwe, general comandante da Junta Militar que se apossou do governo do país

3.Aung San Suu Kyi ganhou o prêmio Nobel da paz em 1991. Não pode recebê-lo porque estava presa:ela é presa política.


A golpista Junta Militar birmana, - instalada em 1988 e tendo à frente o narco-general Than Shwe-, não permitiu a sua saída do país para receber o prêmio Nobel.


Os generais transformaram a Birmânia num narco-estado. Eles embolsam o obtido com as vendas de diamantes: a Birmânia tem reserva de diamantes e pedras preciosas.


Referidos generais davam sustentação ao recém falecido Khun Sun, conhecido mundialmente como o rei do ópio e das anfetaminas. Khun Sun comandava o tráfico de ópio e matanfetaminas da Birmânia. Com a sua morte, foi substituído por pessoa da confiança dos militares que controlam o país.


A Birmânia é responsável pela distribuição de drogas sintéticas e ópio para toda a Ásia. Ficou conhecida como Narco-estado. É reprovada no Congresso dos EUA, que impede investimentos no seu território.


Em 1990 foram realizadas eleições gerais na Birmânia, por pressão internacional.


A vitoriosa foi Aung Suu Kyi, filha de Aung San, o grande herói da independência e que acabou assassinado pelos generais golpistas.


Suu Kyi tornou-se a líder da Liga Nacional para a Democracia (NLD). Obteve o seu partido, nas eleições parlamentares de 1990, 392 das 485 cadeiras estabelecidas.


Surpreendidos com a derrota, os militares arrependeram-se de haver realizado as eleições. Então, Aung Suu Kyi, além de não assumir a cadeira de premier, acabou presa por suas idéias e liderança.


Antiga colônia britânica, a Birmânia tornou-se independente em 1948.


A primeira ditadura militar teve início em 1962, sob comando do general Ne Win. Ele foi derrubado pela atual Junta Militar, que assumiu o controle do país em 1988, como frisado acima.


Aung Suu Kyi já permaneceu durante anos incomunicável, em prisão. Parte da pena, — por crime político e de exteriorização do pensamento–, ela cumpre, sempre incomunicável e com a casa cercada de soldados, na residência deixada em herança pelo pai, à beira do lago Inya.


Aung Suu Kyi está com 64 anos de idade. É viúva e não recebeu autorização para comparecer ao enterro do marido, com o qual estava impedida de se relacionar.


Casamento da filha do ditador, coberta de diamantes.

5. O motivo da prisão fechada em face da revogação da domiciliar beirou o ridículo.


John William Yettaw, –um norte-americano de 53 anos de idade, ex-combatente na Guerra do Vietnã e que está aposentado por problemas mentais–, resolveu atravessar o lago Inya a nado e invadir a casa de Aung Suu Kyi. Sua meta, como adepto da religião mórmon dos EUA, era entregar uma bíblia para Aung Suu Kyi.


William nadou 2 km, invadiu a casa e surpreendeu a Nobel com a entrega da bíblia. No dia seguinte à sua aventura, quando estava no aeroporto para retornar aos EUA, foi interrogado pelas autoridades, em atividade rotineira. Outra surpresa: William contou ter conseguido nadar 2 km e logrado entregar uma bíblia à Nobel da Paz.


Interrogada sobre o sucedido, Aung San Kyi, conhecida na Birmânia como o respeitoso apelido de “A Senhora”, confirmou o sucedido e frisou nunca ter visto antes o intruso William.


6. O general-ditador Than Shwe, –que se notabilizou por ter coberto a filha de diamantes em cerimônia de casamento–, prepara, sob pressão das Nações Unidas, uma outra eleição para 2010.


No final do mêsde julho passado, Hillary Clinton denunciou a Junta Militar de Myanmar de estar contribuindo com a Coréia do Norte que, em troca, ajuda em projeto de elaboração da bomba atômica.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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