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Fatah: líder continua Abu Mazen. Eleição para o Comitê Central atrai nova geração.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 11 de agosto de 2009.

Mazen busca perpetuar-se como Yasser Arafat

Depois de 20 anos, o Fatah reuniu, na praça da Mangedoura (Belém), 2 mil delegados para a escolha do presidente do partido, da Comissão Central (18 membros) e do Conselho Revolucionário (80 membros).

Os nomes dos novos membros das Comissão Central e do Conselho serão divulgados ainda hoje.

A nova geração de palestinos do Fatah vai ter de esperar mais um pouco para conquistar cargos. Pela boca-de-urna, serão conduzidos para os cargos membros da “gerontocracia”, para usar o termo da edição de ontem do Times.

O leadership continuará sendo Abu Mazen, candidato único e ontem aclamado para continuar na direção do partido, que foi fundado em 1954 pelo falecido Yasser Arafat.

Ontem, a reunião do Congresso desse movimento nacionalista palestino, Fatah, irritou os atuais dirigentes de Israel, com protestos do premier direitista Netanyahu e do extremista e beligerante ministro Lieberman. O motivo foi ter o Congresso aprovado os princípios orientadores do partido:

--(1) unidade dos palestinos e condenação do Hamas (Nota: o Hamas ganhou a eleição em 2006 e ocupa a faixa de Gaza)

--(2) empenho na luta para um Estado palestino ao lado de Israel, com condição de o governo israelense não permitir a expansão dos assentamentos de hebreus na Cisjordânia e Jerusalém do leste (Nota: Netanyahu e Lieberman querem o aumento, sob a provocatória alegação que os habitantes dos assentamentos tiveram prole e precisam se expandir).

--(3) uma solução eqüitativa para o problema dos refugiados e consolidação dos direitos dos palestinos sobre Jerusalém-capital.

--(4) não renúncia à resistência e uso da força no caso de falimento diplomático.

Como se percebe, nada do deliberado e aprovado representa novidade, à luz do estabelecido em Oslo.

Ficou bem clara a intenção do Fatah em estabelecer a unidade palestina.

A nova geração, no entanto, observa, com acerto, que para haver a união torna-se necessário um Fatah democrático e sem corrupção, esta última uma mancha que levou ao fortalecimento e a vitória eleitoral do Hamas.

Para integrantes da nova geração, com 41 anos como média de idade, a “gerontocracia” tenta comprar votos e usar “laranjas” para votar, com base em documentos falsos de filiação.

PANO RÁPIDO. A reação de Israel mostra que o novo governo aposta em aprofundar, ainda mais, o fosso que impede um acordo para que dois estados possam conviver com respeito e harmonia. Barack Obama e Hilary Clinton terão de endurecer o discurso para o atual governo de Israel não criar empecilhos para a pacificação como, por exemplo, a expansão de assentamentos em terras palestinas.

--Wálter Fanganiello Maierovitch


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