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Futebol e Política, com Berlusconi e Dinho.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 07 de agosto de 2009.
Berlusconi, o manda-chuva do Milan

Ontem, por telefone, conversei longamente com o jornalista Paolo Manzo que trabalha para o La Stampa, da cidade industrial de Torino (Piemonte), onde existem duas equipes de futebol, Juventus e do Torino, que disputam o campeonato italiano.



Paolo Manzo queria saber se o processo de extradição de Battisti já havia entrado na pauta de julgamento do Supremo Tribunal Federal, pois ele estava “escalado” para a cobertura.



O futebol entrou na conversa, até porque o Palmeiras, time pelo qual torço desde 1947 (eu já nasci campeão, pois em 47 o Palmeiras levou o título paulista. Mais ainda: em 1951 foi campeão do mundo, título que a Fifa tarda em reconhecer), jogaria com o Grêmio à noite. Abro parêntese: quando nasci, no Palmeiras jogavam craques como Waldemar Fiúme, Lima, Og Moreira, Villadoniga e Canhotino.



Uma certeza, tirei da conversa com o Manzo. Ou seja, o premier Silvio Berlusconi pisa em ovos com relação ao Milan, onde ele é o manda-chuva.

Não bastassem os problemas decorrentes dos escândalos amorosos do premier Berlusconi, — que perde votos entre católicos escandalizados com as suas “farras e bacanais” —o desprestígio entre os torcedores do Milan pode sair-lhe caro, sob o prisma político partidário.



Os ultrà, –membros das torcidas organizadas–, perdem a paciência em átimo de tempo igual, por exemplo, aos da Mancha Verde, Gaviões da Fiel, Leões da Fabulosa, etc. E Berlusconi, quando da venda de Kaká, já ouviu os ultrà a gritar Vaffà, papi: vaffa é a forma sincopada de vaffanculo. Papi é como a jovem Noemi Letizia chama o premier, sob forte suspeito de ser seu namorado.



Em síntese, Berlusconi vive dias iguais aos já passados pelos falecidos Alfredo Ignácio Trindade, Athiê Jorge Cury, Mendonça Falcão, ou seja, aqueles que conquistavam cadeiras nos parlamentos com votos de torcedores de futebol.



Como sabem até as cadeiras do famoso Teatro alla Scala di Milano, o premier e presidente de honra do Milan aposta todas as fichas naquele que só chama de “Dinho”, que é o brasileiro Ronaldinho. E sem que o “Dinho” perceba, ele é um “cabo-eleitoral” do premier.



Berlusconi, apesar de confiar no “Dinho”, criou um sistema de amortecedores. O craque Pirlo não sairá do Milan, conforme anunciado ontem por Galiani, que é o laranja de Berlusconi na direção do Milan. O holandês Huntelaar, contratado ontem por quatro anos e 3,5 milhões de euros, é outro dos amortecedores.



Huntelaar não é nenhum “fora de série”, para usar a expressão italiana reservada aqueles que não são craques.



Ele brilhou no Ájax, mas não no Real Madrid. Huntelaar pode dar certo, como aconteceu com outros seus co-nacionais que “comeram a bola” com a camisa do Milan: Gullit, Van Basten, Seedorf. O futebol de Huntelaar lembra o do artilheiro argentino Artime, que brilhou no Palmeiras. E dá saudades, quando, hoje, em campo temos Obina e Ortigoza.



Na verdade, Berlusconi, que é o homem mais rico da Itália, não quis usar o próprio bolso e realizar o sonho da torcida. Um sonho muito caro, chamado Luis Fabiano. No Milan, Berlusconi não confunde o privado com o que é patrimônio do clube, tanto que mandou o Milan vender Kaká quando a sociedade entrou no “vermelho”. Na vida política, Berlusconi faz confusões do privado com o público e finge não perceber flagrantes situações de conflito de interesses: caso RAI e os seus canais privados de televisão.



Segundo os bastidores, Berlusconi está preocupado com a quebra de promessa de “Dinho”.



Como noticiaram os jornais italianos, na primeira folga, “Dinho” retornou à Espanha. E na Catalúnia, passou animada noitada na badalada discoteca Casanova Beach Club.




A Casanova Beach Club é a discoteca que “bomba” neste verão europeu. Lá, o trabalho maior dos seguranças localiza-se no banheiro, tudo para socorrer com rapidez. Isto é, evitar mortes por overdose de usuários compulsivos de cocaína.



Ronaldinho, segundo manchete da La Gazzetta dello Sport, tinha feito uma promessa a Berlusconi, embora com claro componente de coação. Em outras palavras e, simbolicamente, Berlusconi colocou “Dinho” num “pau-de-arara” e dele extraiu uma promessa.



Ainda segundo informado pela Gazzeta dello Sport, e repetido pelo jornal Corriere della Sera, Berlusconi apareceu no vestiário do Milan para falar com os jogadores. Então, puxou um banquinho e mandou nele “Dinho” subir. Subir e prometer empenho nos treinos, regime para perder peso, e fim das noitadas. A cada exigência, “Dinho” respondia um constrangido “assim o prometo”.



“Dinho” não cumpriu o prometido e, para usar uma expressão tirada de comentário de ontem do jornal Corriere della Sera de Milão, voltou à “Dolce Vità”.



Muitos são os boatos sobre a reação de Berlusconi que está hoje na Turquia. Um dos boatos que correu refere-se à reação do premier ao comentário do Corriere della Sera, segundo em circulação na Itália e primeira leitura do milanês: “Dolce Vità il Cazzo”.



Certo mesmo é que os ultra das orgazinadas do Milan não suportam as conquistas da rival Inter. Com Samuel Eto’o a brilhar nos treinos realizados pela Inter em Pequim, os ultrà do Milan ficaram furiosos Mais ainda, o técnico Mourinho já disse que a sua Inter continuará a vencer e ele só precisa de um jogador de armação.



PANO RÁPIDO. Dinho já sabe que a “escapada” para a balada não agradou a torcida. Talvez, tenha de voltar a subir no “banquinho” para ser novamente ensaboado.



Berlusconi continua a apostar todas as fichas em “Dinho”. Berluscoli espera ansiosamente que “Dinho” faça a torcida esquecer de Kaká e que ela não esqueça de votar nele.
–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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