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Escândalo Berlusconi: premier queria bancada de prostitutas italianas no Parlamento Europeu.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 29 de julho de 2009.


1. A semana começou mal para o premier Silvio Berlusconi, que até então se vangloriava da divulgação dos escândalos sexuais e das repercussões das bravatas e das “confissões” gravadas e colocadas à disposição, da polícia e da Justiça, pela escort girl Patrizia D’Addario, de 42 anos. Não sou santo, como sabem todos, disse com deboche o premier Berlusconi, no curso da última semana.


Só para recordar: numa das conversas na residência oficial (Palazzo Grazioli) e na cama onde havia dormido o então presidente russo Putin, quando esteve em visita à Itália, o premier Berlusconi gabou-se de não usar “camisinha” e ainda ensinou a escort a como treinar sozinha para atingir o orgasmo profundo.


A escort D’Addario, por sua vez, engordou o ego de Berlusconi ao segredar-lhe que nunca tinha experimentado tanto prazer, “embora no começo tivesse sentido dores na penetração” por ser Berlusconi “bem-dotado”.


Mas tudo o que agradava ao machista e cafajeste Berlusconi virou pesadelo, desde ontem, com a imprensa europeia a atacar o premier.


Em outras palavras, e como dizem os nossos jovens, “pintou um novo escândalo sexual na parada”.


Só que agora este último escândalo berlusconiano não se circunscreve às fronteiras da Itália e levou o jornal The Guardian, por exemplo, a questionar em manchete: “A União Europeia deve tolerar essa situação?”


A indignação europeia decorre de uma desconfiança, que apenas agora está confirmada. Era intenção de Berlusconi — como antes havia insinuado a sua esposa, Veronica Lario, e concluído o partido de oposição (Partido Democrático) — eleger para o Parlamento Europeu uma bancada de belas garotas de programa e de modelos atraentes.


Um passo atrás, para melhor compreensão.


Veronica Lario, no início deste ano, noticiou a propositura de uma ação litigiosa de divórcio por não mais suportar as aventuras e o desrespeito do marido, Silvio Berlusconi.


Ela não se referia apenas ao escândalo amoroso com Noemi Letizia e à presença do premier em Nápoles, sem agenda oficial, para a festa de 18 anos de idade da suposta namorada.


A recatada Veronica Lario também não se limitava a externar inconformismo com as festas e as orgias organizadas pelo marido, na casa de praia na Sardegna (Villa Certosa). Numa das festas, até o premier da República Tcheca foi fotografado pelado, ao lado de duas mulheres e com o pênis ereto.


A gota d’água para Veronica Lario deveu-se ao fato de o premier Berlusconi mandar arregimentar para concorrer às eleições, administrativas italianas e europeias, garotas de programa, modelos e showgirls. As selecionadas concorreriam pelo partido político liderado por Berlusconi, ou seja, o Popolo della Libertà (PDL).


Berlusconi negou tudo e classificou o informado pela imprensa italiana como “gossip” (fofoca) e injúrias. À semelhança do senador brasileiro José Sarney, o premier Berlusconi sustenta ser vítima da imprensa, em especial do grupo La Repubblica: jornal La Repubblica e revista semanal L’Espresso.


Mas, com a comprovação dos diversos escândalos sexuais, chegou a certeza. E até a escort Patrizia D’Addario concorreu à vereança em Bari: quando o premier afirmou que não a conhecia, a imprensa publicou as fotos dos dois, em campanha pela cidade de Bari.


Ao Journal du Dimanche, francês, com confirmações no Times na segunda-feira 27 de julho, a escort D’Addario destacou, em entrevista, que lhe foi pedido, para entrega a Berlusconi, um breve currículo, e isto a fim de ela integrar a lista de candidatos para o Parlamento Europeu.


A respeito, recordou o Daily Telegraph de ontem — e sempre com base na entrevista da escort D’Addario ao jornal dominical francês — que o premier Berlusconi se reuniu e discutiu com 20 beldades três alternativas, ou melhor, ela poderiam (1) ingressar na política, (2) participar de programas televisivos ou (3) fazer parte do Grande Fratello (Big Brother, versão italiana), transmitido pelo Canal 5, da sua propriedade.


D’Addario acabou selecionada para a disputa municipal, como frisado acima. Para o Europarlamento, consoante o Times de ontem, restaram escolhidas pelo premier Angela Sozio, Camilla Ferranti, Eleonora Gaggioli e Barbara Matera. O estrilo de Veronica Lario e as acusações do Partido Democrático levaram o premier a recuar. E apenas Barbara Matera saiu candidata ao Parlamento Europeu.


O supracitado “currículo” foi pedido a D’Addario por Gianpaolo Tarantini, encarregado de selecionar as garotas de programa para os encontros e festas de Berlusconi.


Tarantini, empresário que vendia em licitações próteses cirúrgicas a hospitais públicos, era o gestor dos encontros e festas promovidos por Berlusconi: fornecia as passagens para as garotas, reservava os hotéis onde elas ficavam hospedadas no aguardo da convocação do premier, e pagava as despesas. Depois dos encontros, as garotas de programa recebiam um envelope de pagamento, com 3 mil euros no seu interior.


Como se percebe, Berlusconi pretendia obter votos com as beldades, pois seu canal televisivo tenta promover uma mudança cultural, a valorizar as pessoas de sucesso, a qualquer preço.


2. No início da tumultuada semana, coube ao advogado do premier desmenti-lo. Um grande espanto para os eleitores de Berlusconi: os católicos já ameaçam debandar, a acompanhar as críticas de autoridades eclesiásticas.


Disse o causídico ter Berlusconi exagerado ao revelar à escort D’Addario, em gravação, a existência, na sua cinematográfica propriedade de Villa Certosa (Sardegna), de tumbas de fenícios, de grande valor arqueológico e histórico.


A lei italiana, e também as dos demais países europeus, obriga, sob pena de multa e processo criminal por apropriação indébita, a denúncia da existência de sítios arqueológicos e históricos. São bens do Estado e não podem ser objeto de apropriação por particular.


Para o advogado: “Nada de tumbas fenícias, mas, na Vila Certosa, pedras e ossadas não identificadas, talvez de animais, tudo sem nenhum valor arqueológico”.


O advogado é também deputado. Aliás, deputado eleito pelo partido do premier Berlusconi. Eleito na lista do PDL e lá colocado por indicação de Berlusconi.


3. PANO RÁPIDO. Pela visão canhestra de Berlusconi, o Parlamento Europeu não se distingue de um lupanário.


Assim, a indignação europeia guarda inteira procedência, embora existam medíocres a afirmar tratar-se de vida privada, sem atentar para o fato de Berlusconi ser um homem público, cuja vida deve ser pautada pelo decoro e pela ética.


Ao mundo, Berlusconi apresenta uma tragicomédia. Ele protagoniza o bufão.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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