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Máfia. ´Totó Riina, chefão mafioso, rompe silêncio de 13 anos.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 25 de julho de 2009.

Totó Riina.

Como informou este site do IBGF, magistrados antimáfia deliberaram ouvir Salvatore Totó Riina, capo dei capi da Máfia.


O interrogatório de Riina ocorreu ontem, no cárcere Opera, em Milão, onde ele está custodiado.


Riina foi ouvido por três magistrados, dentre eles Antonio Ingroia, que era o braço direito de Borsellino e, também, seu amigo fraterno e fiel.


Totó Riina, nascido na pequena cidade siciliana de Corleone, está com 79 anos de idade.


Ele está preso desde 15 de janeiro de 1992.


Durante 24 anos conseguiu driblar a polícia e a Justiça que não o encontravam para cumprir uma centena de ordens de prisão. Riina, enquanto foragido, não precisou tirar os pés da Sicília ou se afastar da gestão da Máfia: morava em condomínio de elegante bairro residencial de Palermo, quando preso.


Riina assumiu o comando do governo mafioso nos anos 80, pois o seu grupo venceu a sangrenta Segunda Guerra de Máfia: os corleoneses, com Riina no comando, venceram os palermitanos que, até então, dirigiam a Máfia, sob ordens de Stefano Bontade.


Ao grupo de Bontade pertencia o boss Tommaso Buscetta, que fugiu para o Brasil e aqui casou com a carioca Maria Cristina Guimarães.


A propósito, Bontade permaneceu na Sicília e acabou metralhado e morto pelos corleoneses de Riina e de Bernardo Provenzano. Este era o lugar-tenente de Riina e virou chefe da Máfia com a prisão do capo, em 15 de janeiro de 1993. Provenzano permaneceu 42 anos foragido, também sem deixar a Sicília ou perder o comando da Máfia.


Riina, mafioso desde os 16 anos de idade, dirigiu a Máfia com mão de ferro por quase 15 anos.


Em 1992, Riina decretou guerra ao Estado Italiano e dinamitou Roma, Florença e Milão. Também mandou dinamitar, em maio e julho de 1992, os juízes antimáfia Giovanni Falcone e Paolo Borsellino.


Paolo Borsellino


No seu currículum vitae criminal, Riina, antes de eliminar Falcone e Borsellino, já estava condenado definitivamente por ter sido o responsável pelos assassinatos de outros magistrados da linha de frente contra a Máfia: (1) o magistrado chefe do ministério Público de Palemo, Pietro Scaglione (1971), (2) os juízes antimáfia Cesare Terranova (1979) e Rocco Chinnici (1983).


Ao todo, Riina é responsável por 800 crimes de homicídio. Por isso, acabou apelidado de “La Belva”, ou seja, a besta-fera.


Muitos mistérios sobre o assassinato do juiz antimáfia Paolo Borsellino, em 19 de julho de 1992, continuam em aberto e os magistrados tentam decifrá-los.


Por exemplo: no dia que a Máfia mandou aos ares Borsellino, do interior do blindado veículo oficial que o servia foi subtraída a sua agenda de capa vermelha.


A “agenda rossa” estava no interior de uma pasta de couro, deixada no automóvel, no assoalho do banco traseiro. O zíper da pasta foi aberto e apenas a agenda restou retirada.


Falcone


As correlações da Máfia com a política e políticos foram descobertas por Falcone e Borsellino e, seguramente, esta foi a causa dos assassinatos.


Há suspeita de a Máfia ter feito acordo com o Estado, depois da morte de Falcone (23/5/92), fato que teria sido descoberto por Borsellino e objeto de longo escrito na “agenda vermelha”.


A respeito do tal acordo, Borsellino teria marcado um encontro com o ministro do Interior (segurança pública), Nicola Mancino:era senador e um especialista em trocar de partidos.


Tommaso Buscetta.


Mancino, responsável pela segurança pública, nega ter ocorrido.


Só que muitas testemunhas viram e conversaram com Borsellino no palazzo Viminale, sede do ministério do Interior. Hoje, o político Mancino é vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura italiana, órgão de controle institucional.


Mancino continua a negar o encontro. Hoje, no entanto, já admite poder ter, naquele dia fatídico, apertado a mão de Borsellino. Mas, como cumprimentava muitos, também não afirma o encontro “casual”. Depois de comprovada a presença de Borsellino no prédio do ministério (palazzo Viminale), Mancino produziu a versão do eventual “aperto de mão”.


No domingo passado, quando se recordava a morte de Borselino e em face dos relatos de Massimo Ciancimino (matéria deste blog Sem Froneiras publicada na segunda feira, 20 de julho), Riina mandou avisar: - “ Borsellino, o mataram eles”.


Eles, quem ? Pelo avisado por Riina, não fora a Máfia.


Por evidente, então Riina acusa os representantes do Estado-legal.


Bruno Contrada, 007 ligado à Máfia


Ouvido ontem, Riina quebrou o silêncio (omertà) de 13 anos.


Borsellino foi morto, segunda presumido por Riina, pelos 007 dos serviço secretos italiano. Ou seja, nada de resposnabilidade da Máfia, mas dos 007 da inteligência italiana: Bruno Contrada, do serviço secreto italiano, encontra-se definitivamente condenado por ligações com a Máfia.


A primeira acusação contra Contrada partiu de Tommaso Buscetta e acabou feita ao juiz Giovanni Falcone. Buscetta era colaborador de Justiça quando acusou Contrada (hoje fora do cárcere por grave problema de saúde.


Sobre correlações da Máfia com a política, Riina disse nada saber. Até porque sempre negou tivesse qualquer relação com a Máfia, que, na sua opinião, nunca existiu.


PANO RÁPIDO: Mistérios ! ! !

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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