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A Al Qaeda no Vermelho. O qaedista Yazid (foto) é o ministro das finanças.

Por WFM-CORREIO BRASILIENSE

IBGF, 13 de julho de 2009.

Yazid: o arrecadador de 11 de setembro, reponde pelas finanças da Al Qeda. Agora, apela para os turcos.

Em plena guerra fria, o saudita Osama bin Laden participou da guerrilha voltada à expulsão dos soviéticos do Afeganistão, que lá estavam para sustentar o regime comunista instaurado em 1978. A retirada soviética teve início em 1988. À época da guerrilha, Bin Laden recebia polpudas somas de fautores wahabitas, da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) e dos negócios de família..


Com grana de sobra, Bin Laden, um mitômano que gosta de ser chamado de califa, contratou um jornalista como assessor de imprensa e foram realizadas duas filmagens suas em combates contra os soviéticos. Duas, pois a primeira foi desastrada e não se prestava à vanglória.


No ano de 1988, Bin Laden fundou a Al-Qaeda e continuou a receber contribuições financeiras, como as procedentes da Daw’ha, uma rede integrada por instituições de caridade bancada por empresas da Arábia Saudita e do Golfo Pérsico. A meta da Daw’ha era difundir a doutrina wahabita, ou seja, uma interpretação conservadora do islamismo. E a Daw’ha subvencionava, também, organizações armadas que lutavam para criar regimes voltados a introduzir a sharia à luz do wahabismo sunita.


Osama bin Laden bancou os talebans que, em outubro de 1997, instauraram um emirado islâmico no Afeganistão, sob a liderança do mulá Omar. Até o trágico 11 de setembro de 2001, Bin Laden desembolsou 30 milhões de dólares com as milícias talebans.


Com a marca Al-Qaeda, montou campos de adestramento e trouxe para o Afeganistão o terrorista jordaniano Abu Musab al-Zarqawi a fim de formar jihadistas. Zarqawi, depois, foi enviado para combater no Iraque e fundar a Al-Qaeda da Mesopotâmia: acabou dinamitado por bombas jogadas por dois aviões norte-americanos no seu esconderijo iraquiano.


Depois de proibido de entrar na Arábia Saudita, as fontes de capitais começaram a secar. A sua reação veio com o manifesto lido, em 1998, por Ayman Zawahiri, segundo na hierarquia alqaedista. Sua meta era, por via oblíqua, derrubar o governo da Arábia Saudita. Ou seja, primeiro atacaria os EUA, país que dava sustentação ao regime saudita.
Bin Laden: aposentou-se como guerrileiro. Virou comentarista de política internacional.

Essa nova filosofia alqaedista inspirou os bombardeamentos simultâneos às embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia (agosto de 1998). Também aos ataques camicases à embarcação militar USS Colle (novembro de 2000) ancorada no Iêmen, às torres gêmeas e ao Pentágono, em 11 de setembro de 2001.


Para a dupla Bin Laden-Zawahiri, os EUA não suportariam três ataques. Erraram, pois o presidente George W. Bush, depois de eleito sob o odor de fraude, investiu na manipulação do medo ao terror alqaedista para conquistar um segundo mandato. A vantagem alqaedista foi a gestão calamitosa de Bush, mas Barack Hussein Obama virou o contraponto ao extremismo.


Bin Laden e Zawahiri estão em distintos esconderijos, com pouco dinheiro e sob proteção tribal. Ambos deixaram as vestes de combatentes e viraram comentaristas de política internacional. Os áudios e vídeos são veiculados em redes televisivas e sites de perfil filo-alqaedista. A Al-Qaeda Central, hoje, difunde o ciberterror, com custo baixo: transformou-se numa al-qaeda.com. Como se sabe, a Al-Qaeda apenas deu apoio virtual aos ataques em Madri (março de 2004) e Londres (julho de 2005).


No momento, a Al-Qaeda encontra-se em fase pré-falimentar. O seu ministro das finanças, Mustafá Abu Al-Yazid, acaba de fazer um apelo patético aos que chamou de “irmãos turcos”: pediu uma coleta para ser mantida a jihad. Com a crise financeira internacional, o controle mais rígido de circulação de capitais pelas redes bancárias, a redução das extorsões mediante sequestro realizadas no Afeganistão e no Iraque e o ataque da semana passada pela Otan-Isaf à região que detém mais de 50% dos campos de papoula afegãos, a Al-Qaeda busca sair do vermelho.


Os membros e aliados da Al-Qaeda dedicam-se, hoje, à clonagem de cartões de crédito para esvaziar terminais de saque. Vendem produtos piratas e promovem contrabando de ouro e das maravilhosas pedras lápis-lazúli do Afeganistão. Ainda não contam com a expertise brasileira dos sequestros relâmpagos. Em outras palavras, os alqaedistas concorrem com a delinquência comum, quer no tráfico de drogas, quer em condutas tipificadas nos velhos e ainda vigentes códigos penais do Ocidente.


Esta semana veio à tona o quadro famélico. Um grupo de voluntários teve de pagar, para ser aceito na Al-Qaeda, um curso de duas semanas de adestramento. A “taxa de matrícula” custou 400 dólares, fora outros 900 para cobrir despesas militares.


Enquanto isso tudo ocorre, o comentarista Bin Laden, por áudio, fez uma análise geopolítica. Ele afirmou que Saddam Hussein temia um ataque do Irã e não dos EUA. E blefou ao recusar as inspeções da ONU, pois queria que todos, em especial o Irã, acreditassem que o Iraque possuía armas de destruição em massa. Para os 007 da inteligência ocidental, Osama bin Laden não aparece mais em vídeo, para não mostrar o semblante de enfermo.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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