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Final do G8 em Aquila. Obama visita o papa.Retrospectiva do summit de Aquila.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 10 de julho de 2009.


O encontro de hoje entre o papa Bento XVI e o presidente Barack Obama durou exatos quarenta minutos.


Obama tinha uma notícia boa a confirmar “urbi et orbe”, ou seja, o pacote de US$20 bilhões para a África, oferecido durante a manhã no “summit” de Áquila.


O “rasgar seda” começou por Obama.: - “Santidade, è uma grande honra para mim”. Na despedida, o chefe do estado Vaticano, papa Ratzinger, disse com olhar fixo a Obama: -“Rezo pelo senhor (Obama)”. Como se percebeu, nada de intimidades, mas emprego de adequados pronomes de tratamento: Vossa santidade e Senhor presidente.
A reunião foi na magnífica biblioteca do Vaticano, onde o papa recebe os chefes de estado.


Obama presenteou o papa com uma peça usada, nas cerimônias litúrgicas, pelo bispo norte-americano Giovanni Nepomuceno Neuman, que é santo da Igreja.


Para Obama, o papa Ratzinger entregou um exemplar autografado da sua nova encíclica “Caritas in veritate” (confira neste blog “post” sobre a nova encíclica do papa Bento XVI).


Obama falou sobre a África, bioética e liberdade religiosa no mundo. Lembrou que o “summit” de Áquila fora muito proveitoso. Ele parte hoje para Gana, escolhida como parada inicial por ser a mais antiga democracia africana.


Segundo observadores, Obama se emocionou quando pisou no Vaticano e cumprimentou Ratzinger. Quando das fotografias e perante os fotógrafos credenciados, brincou respeitosamente com o papa Bento XVI: - “Tenho certeza que Vossa Santidade está habituada a ser fotografado, assim como eu já estou”.


Quando da visita, o papa Bento XVI já estava informado da última entrevista coletiva de Obama, depois do encerramento do G8.


A assessoria papal tinha assinalado algumas respostas de Obama: (1) sobre a crise: “ainda não ocorreu plena retomada da economia no planeta”, (2) sobre mercados: “estão melhorando e parece que conseguimos evitar um colapso global”, (3) sobre efeitos: “muitas pessoas estão sofrendo por causa da crise”.


PANO RÁPIDO. O presidente Obama cumpriu toda a agenda. Surpreendeu ao apertar a mão do ditador líbio, a mostrar altivez diante de um canalha, que já foi fautor do terrorismo internacional. Obama reconheceu que o G8 deveria ser fundido para G14+Egito: com os países que representam 70% da economia e do comércio. Também surpreendeu, e contrariou o seu antecessor, ao tomar a iniciativa para a redução do aquecimento global. Ajudou a África, com recursos financeiros e começo de visita pela democrática Gana.


Obama foi impecável e mostrou ser um realizador. Seguramente, vai cativar a África.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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Retrospectiva sobre o G8, que foi um sucesso.
Obama cumrimenta Khadafi.

A) 9 de julho de 2009.

. 1.
O último dia da summit de L’Aquila, nesta sexta-feira, está reservado para se falar de África. Ou melhor, como se deve ajudar os países pobres africanos, quanto em recursos e qual será o prazo para o envio do auxílio.


Com performance de estadista e faro de gol do corintiano Ronaldo, o presidente Barack Obama anuncia, hoje e durante a summit, um budget de US$ 20 bilhões para a África. Depois que o presidente Lula emprestou dinheiro para o Fundo Monetário Internacional (FMI), nada mais pode surpreender, em termos de generosidades a necessitados.


Mais ainda, terminada a summit de L’Aquila, Obama pega um avião e ruma para Gana, na sua primeira visita à África.


Obama sabe bem que 1,0 bilhão de pessoas morrem de fome e, certamente envergonhado, não decepcionará os africanos.


Ontem, Obama deu um exemplo de altivez.


Na última semana de junho, em visita à Itália, o ditador líbio Muammar Khadafi (Ghedaffi) disse que o governo americano era terrorista e se igualava em ações a Osama bin Laden.


Quando os líderes, ontem e em L’Aquila, se preparavam para a foto oficial do dia, houve troca de cumprimentos. E Obama apertou a mão do ditador Khadafi.


À noite, quando do jantar oferecido pelo presidente da República Italiana, Giorgio Napolitano, o cerimonial projetou Obama distante do coronel líblio Khadafi. Mas Obama sentou-se ao lado do chefe de governo da Itália, Silvio Berlusconi. E Khadafi estava sentado vizinho ao premier italiano. Em síntese, novo cumprimento e troca de palavras.


Aquila Berlusconi mostra a Obama os danos provados pelo terremoto

2. Ao contrário do previsto por analistas internacionais, a summit de L’Aquila foi muito positiva.


Ontem, duas medidas importantes foram adotadas.


Primeiro, entendeu-se que o G8 não tem mais sentido.


Assim, vai ser fundido em G14, a reunir países responsáveis por 70% da economia e do comércio mundial.


Segundo, os países ricos acertaram acordo ambiental: limite de 2 graus de aumento de temperatura global, com corte de 50% ( 80% para os países industrializados) nas emissões.


3. Hoje, na estação ferroviária da cidade de Paganica, vizinha a L’Aquila, haverá manifestação organizada pelo “no-global”. As forças responsáveis pela segurança da summit esperam cerca de 7 mil manifestantes.


Os organizadores garantiram que o protesto será pacífico. Com o sucesso já alcançado na summit de L’Aquila, muitos acham que os manifestantes, em represália, vão partir para a violência.


4. O jornal oficial do Vaticano (L’ Osservatore Romano) anunciou ter o papa Ratzinger orado pelos participantes do G8 e dito, em alocução, que a “verdadeira crise é a moral”. Acrescentou Bento XVI que, para resolver a crise moral, “há necessidade de homens retos na política e na economia”.


Sobre esse pronunciamento papal, não se tem notícia se foram chamados a comentar os nossos senadores José Sarney e Renan Calheiros. Parece que Arthur Virgílio e Jader Barbalho quiseram comentar, mas foram desaconselhados.
Le Grazie e Venere-1798.

5. O polêmico premier Silvio Berlusconi deu de presente aos líderes do G8 um mimo e tanto. Um livro de 24 quilos.


Obama, brincando, disse ao seu assessor que cabia a ele levar a obra e dar um jeito de fazê-la caber na bagagem.


O volume pesa 24 quilos por causa da capa. Capa de mármore com dimensão de 70 centimetros por 45. Na capa, uma reprodução de Le Grazie e Venere, de Antonio Canova (le grazie eram as companheiras da musa e Venere, a deusa da beleza).


Aviso: o abaixo assinado não se incomodaria, caso contemplado, de trazê-lo para o Brasil, para a sua casa.


6. Uma nova charge foi publicada e irritou Berlusconi, que falou numa orquestração para desmoralizá-lo.


Sobre a charge que segue abaixo, deixo os comentários para os leitores deste blog.

Wálter Fanganiello Maierovitch.

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B)8 de julho de 2009.


Pelo jeito, os temas da agenda de hoje do G8 não estavam atraentes para os jornais europeus. Eles preferiram ironizar o premier italiano Silvio Berlusconi, presidente da summit, e que passou recibo.


Berlusconi ficou nervoso com as vinhetas publicadas. E furioso com o comentário do jornal inglês The Guardian.


Segundo o Guardian, em breve a Itália sairá do G8. Motivo: não estará entre os sete países mais industrializados do planeta. E o jornal anunciou a Espanha, com melhores resultados, como substituta da Itália, cuja decadência é atribuída a Berlusconi.


Para Berlusconi, ocorreu provocação por parte de “um pequeno jornal”.


Amanhã, a summit passará a G14, ou melhor, G8 + G5 e + Egito.


O tema inicial de amanhã versará sobre Desenvolvimento nos Países Pobres.


Dois outros temas importantes fecharão a agenda da quinta-feira: clima e comércio global.


O presidente da Itália, o respeitado Giorgio Napolitano, receberá, amanhã, os participantes do encontro para um lauto almoço. Lógico, regado a vinho Trebbiano, da região do Abruzzo, onde, na cidade de L’Aquila, transcorre a summit.


Como este blog Sem Fronteiras, de Terra Magazine, registrou (conferir post abaixo), as primeiras-damas não cruzarão com Berlusconi. Assim, não ocorrerão constrangimentos, e nem oportunidade para Berlusconi fazer cafajestadas.


PANO RÁPIDO. Meus avós, Bernardino e Margherita Fanganiello, nasceram na região dos Abruzzo: com a divisão administrativa feita quando já estavam no Brasil, o local de nascimento passou a pertencer a Molise.

--Wálter Fanganiello Maierovitch-- . .


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