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Aumenta tensão no Irã. No cardápio da crise, greve nacional, retirada de embaixadores da UE, confissões sob tortura e enforcamentos de traidores

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 2 dejulho de 2009.

Khanenei: sua cadeira balança.

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad não pode comparecer à 13ª.edição da Cúpula Africana, iniciada nesta semana e sob a presidência do ditador líbio Muammar al-Gheddaffi.



Na condição de presidente de turno da União Africana, coube a Gheddafi organizar e dirigir o “summit”. E Gheddafi teve a grata satisfação de ser chamado por Lula de “amigo e irmão”, como fizera, uma semana antes e em Roma, o polêmico premier Silvio Berlusconi.



Como Lula e o premier italiano Berlusconi, o presidente Ahmadinejad era convidado de honra da União Africana. No entanto, a situação explosiva do Irã e a fratura na cúpula teocrática dirigente não aconselhavam Ahmadinejad deixar Teerã. Assim, só Lula compareceu, pois Berlusconi deu a desculpa de estar a organizar o encontro do G8, que começa na próxima semana, em Áquila (Itália).
A oposição capitaneada por Mir Hossein Mousavi, --candidato dado como derrotada na eleição de 12de junho passado--, continua, apesar da repressão e da censura, a proclamar a ilegitimidade do governo Ahmadinejad, em face de fraude eleitoral.
Até o moderado ayatolá Mohammed Khatami, ex-presidente, saiu de cima do muro. Ontem, ele declarou ter ocorrido “um golpe sujo contra o povo iraniano e a democracia”, numa referência à fraude eleitoral.



Khatami, depois de longo silêncio, resolveu contestar o governo de Ahmadinejad que acabara de afirmar haver ocorrido uma “revolução entreguista” liderada por Mousavi e Mehdi Karroubi, este terceiro colocado na eleição.

Por evidente, Ahmadinejad não pode estar na Líbia. Pessoalmente, ele comanda a resistência contra a tentativa de anulação das eleições, embora o resultado oficial já tenha sido confirmado pelo Conselho dos Guardiães da constituição e da sharia: o Conselho mencionado é composto por 12 membros nomeados pelo Rahbar, ou seja, por Khamenei, que é o Guia Supremo (chefe de estado) e apoiava a reeleição de Ahmadinejad para a chefia do governo.



No momento, Ahmadinejad usa a televisão do Estado para exibir depoimentos de presos políticos, com prestígio popular, que confessam participação em complô estrangeiro, responsável pelos protestos nas ruas e praças, iniciados em 13 de junho.



Para surpresa dos jovens iranianos, foram exibidas confissões de Mohammad Gouchani, diretor de redação do censurado jornal de Karroubi, e de Amir Hossein Mousavi, um dos influentes consultores de Mousavi.



Os dois, apresentados como traidores, admitiram participação em complô estrangeiro pró Mousavi, este ex-premier do falecido aytolá Khomeini, líder da revolução xiita que derrubou, com apoio popular e em 1979, o xá Reza Pahlavi.



A tentativa diversionista de Ahmadinejad e Khamenei, --no sentido de atribuir aos EUA, União Européia e sionistas a responsabilidade pela revolta de uma minoria iraniana--, não tem convencido a jovem população iraniana: os jovens representam 70% da população. As confissões são consideradas arrancadas sob tortura ou ameaça e os presos encontram-se incomunicáveis.



Pelas infovias da internet, e pelo twitter, transitam mensagens convocando para uma “greve nacional” de 5 a 8 de julho.



O governo tenta estabelecer filtros de censura na internet, mas em razão dos seus interesses no mercado petrolífero não pode prescindir dela.



Por outro lado, o jornal israelense Jerusalém Post lança informes voltados a chegar a Teerã, que as agências noticiosas não confirmam a veracidade. Hoje, o parcial Jerusalém Post noticia o enforcamento, marcado para a próxima segunda feira, de seis partidários de Mousavi. No site de Mousavi não existe uma linha a respeito.



Na véspera do G8 de Áquila (Itália), chegou a Bolzano (região do Tirol meridional-Itália), a iraniana Shirin Ebadi, ganhadora do Nobel de direitos humanos.



Ebadi, à imprensa européia, disse que “o retorno à democracia no Irã é uma questão de tempo”. Ela fez uma advertência à Khamenei: “ é necessário anular as eleições e voltar logo às urnas, sob a vigilância da ONU”.



Um erro de avaliação política é atribuído a Ebadi e que permitiu a primeira eleição de Ahmadinejad. Ela comandou, e os estudantes e a classe média aderiram, o não comparecimento ao pleito de junho de 2005 e Ahmadinejad, no segundo turno, venceu.



PANO RÁPIDO. No Irã invisível dos ayatolás, balança a cadeira de Khamenei, que apoiou Ahmadinejad e ficou dele refém, isto no caso de necessitar dos pasdaran (guarda revolucionária) e dos paramilitares Basij, obedientes e sob as ordens do presidente.



A União Européia não engoliu a acusação de Khamenei de ter participado do complô pós eleitoral. Por isso, estuda a retirada dos seus embaixadores de Teerã.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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