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Irã. Mousavi poderá ser processado e enforcado. Tensão na teocracia, com ayatolás em divergências.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 30 de junho de 2009.

Enforcamento de narcotraficantes em Teerã.

1. Para o ministro responsável pelos 007 iranianos, Gholam Mohsen Ezhei, as revoltas ocorridas depois da vitória de Mahmoud Ahmadinejad, no primeiro turno das eleições presidenciais de 12 de junho passado, foram orquestradas e financiadas pela Central Intelligence Agency (CIA), com apoio de americanos, europeus, sionistas e mídia estrangeira.


Os presos políticos recolhidos na temida seção 209 do presídio de Ervin estariam sendo torturados para admitirem as acusações que convém ao ministério de Inteligência. A partir dessas confissões, os 007 de inteligência da Vevak — agência iraniana de espionagem composta por mais de 30 mil agentes — estão a concluir sobre o complô da CIA.


No momento, as autoridades teocráticas maiores esperam a chegada de provas da ligação da CIA com os candidatos derrotados Mir Hussein Mousavi e Mehdi Karroubi.


Mousavi, 67 anos, pintor, arquiteto e ex-primeiro-ministro do falecido líder xiita Khomeini, é o alvo principal. Isto por ter popularizado o movimento Onda Verde, que saiu as praças em protestos. Mais ainda, diante da brutal repressão, promovem cantos noturnos com gritos de “Allahu Akbar” (Deus é grande): o principal jogador da seleção de futebol, apelidado de Maradona iraniano, exibiu, em jogo internacional, uma faixa verde, numa adesão ao protesto pela fraude nas apurações eleitorais.


Lógico que as únicas provas incriminatórias serão as obtidas mediante tortura. Se elas aparecerem, Mousavi e Mehdi poderão ser processados e condenados à forca, como traidores.


Mousavi e Mehdi são considerados os responsáveis pelas revoltas populares, a partir do pedido de recontagem de votos e das declarações no sentido de ocorrência de fraude a favorecer a reeleição de Ahmadinejad, delfim do Guia Supremo, ayatolá Khamenei.


Três assessores diretos de Mousavi, segundo colocado nas eleições, estão presos: Mostafa Tajzadeh, Abdollah Ramezanzadeh e Mohsen Aminzadesh.


Para a Anistia Internacional (Amnesty International), alguns jovens reformistas estão sendo levados a programas da televisão do Estado para admitir que “são terroristas”. Para a organização Repórteres Sem Fronteiras, os presos durante as manifestações estão incomunicáveis, ou seja, não podem receber visitas de parentes e nem de advogados.


-2. Para se ter idéia da maquina repressiva iraniana, existem 120 mil guardas da revolução, chamados “pasdaran”. Eles são guiados por Ali Jafai, um dos fiéis ao Khamenei, o Guia Supremo.


Os “pasdaran” mantém 31 departamentos e duas brigadas de choque: “Al Zahra” e “Ashoura”.


Na repressão aos movimentos de ruas e praças atua a violenta milícia Basij, comandada pelo fanático religioso Hussein Taeb. Essas duas forças têm por meta garantir a revolução de 79, quando da derrubada do xá Reza Parlavi.


-3. O presidente Barack Obama não confirmou o envio de carta a Khamenei, pouco antes do pleito e a consignar disposição de reaproximação e retomada de relações diplomáticas, interrompidas desde 1979.


Como os EUA não possuem representação diplomática no Irã, a carta do presidente Obama teria tramitado via a embaixada da Suíça.


Khamenei não informou sobre a referida carta, mas, num dos seus pronunciamentos a favor de Ahmadinejad e em face das revoltas populares, manifestou estranheza sobre as contradições norte-americanas. Ao mesmo tempo que pregam a reaproximação, estimulam, com os sionistas, os movimentos de revolta contra o resultado das eleições, sustentou Khamenei.


Para observadores internacionais, o silêncio de Obama e a manifestação de Khamenei não deixam dúvida quanto à remessa da referida mensagem epistolar.


-4. PANO RÁPIDO. No curso desta semana haverá novidades. Ninguém estranhará em Teerã se o juiz Saeed Mortazavi — que faz questão de assistir aos enforcamentos dos seus condenados — decretar a prisão de Mousavi.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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