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IRÃ. Ayatolás em luta para controle do Poder Central.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 17 de junho de 2009.

protesto em Terrã.

O Irã visível é o da luta pela Presidência, até agora com sete mortos, jornalistas estrangeiros impedidos de sair dos hotéis para cobrir as manifestações de rua e blackout determinado pelo Ministério da Cultura e Guia Islâmica em celulares, SMS, messenger etc. – apenas resistem à censura as comunicações pelo Twitter e o Facebook.


Essa luta pela chefia de governo (o chefe de Estado é do/o Rahbar - Guia Supremo) começou com suspeita de fraude, a macular o processo eleitoral iniciado na sexta-feira 12. Isto, quer com relação à captação de votos, quer com referência à contagem concluída 12 horas após. O resultado apontou para a reeleição do presidente, com 62,63% dos votos.


A afluência às urnas teria sido de 85%. O colégio de votantes conta com 42,5 milhões de eleitores cadastrados e aptos a exercitar o direito de voto. O Censo concluído em 2006 aponta o Irã com população de 70.472.846 (o site Population Reference Bureau, – www.prb.org –, aponta, em 2008, para 72,212,000 habitantes). Mais ainda, 70% da população tem menos de 30 anos de idade, ou seja, a população iraniana é jovem.


Na linha de frente dessa visível luta presidencial – com impugnação voltada para a anulação do pleito e resposta oficial de deferimento de recontagem apenas com relação às urnas impugnadas no curso da coleta de votos – estão o presidente Mahmoud Ahmadinejad e o opositor Mir Hossein Mousavi. O opositor Mousavi foi ex-premier e antigo braço direito do falecido ayatolá Ruhollah Khomeini, da revolução que derrubou o xá Reza Pahlavi, em janeiro de 1979.


Sobre esse litígio presidencial, o que chamou a atenção foi a disposição de uma massa de oposição a Ahmadinejad ter saído às ruas. Sem ordem do governo e sujeita à repressão dos basiji (milícia do governo) e dos pasdaran (guarda revolucionária). Algo que chegou a ser comparado aos budistas tibetanos do dalai-lama, mas sem a repressão feita pelas forças chinesas.


Como disse o presidente Barack Hussein Obama, em entrevista dada ontem, quase nada muda com Mousavi ou Ahmadinejad. Numa correta chave de leitura, Obama quis dizer que ambas são peças de um mesmo sistema teocrático, em que os ayatolás mandam e o Guia Supremo é Mohamad Khamenei. Para se ter idéia, a mesma política nuclear é defendida por Ahmadinejad e por Mousavi.


O Irã invisível é aquele de luta, iniciada com a morte de Khomeini em junho de 1989. O sucessor da sua predileção seria Hossein Ali Montazeri, mas quem foi escolhido, em junho de 1989, para Guia Supremo (Rahbar), em caráter vitalício, foi Mohamad Ali Khamenei. Os ayatolás dividiram-se e Khamenei, que, como acima frisado, não era da predileção de Khomeini quando vivo, acabou vencendo.


Montazeri apoiou a eleição de Mousavi, e Khamenei a do submisso Ahmadinejad.


Para o ayatolá Montazeri “o resultado eleitoral é inaceitável para uma pessoa na posse das faculdades mentais”. A fraude teria sido tão evidente que Mousavi teria perdido até na sua cidade natal, onde as consultas o apontavam com mais de 90% dos votos.


Outro de olho na cassação de Khamenei, e que também apoia Mousavi, é Ali Akbar Hashemi Rafsanjani (mencionado nos posts abaixo), ex-presidente, com dois mandatos, isto é, de 1989 a 1997. Em 2005, Rafsanjani perdeu, em segundo turno, a eleição para Ahmadinejad, desconhecido fora de Teerã, onde fora prefeito. Para Rafsanjani, vencedor no primeiro turno na eleição de 2005, a derrota no segundo turno para Ahmadinejad deveu-se a fraude.
Rafsanjani, o homem mais rico do Irã, foi, durante a campanha eleitoral, chamado de ladrão por Ahmadinejad, que se dizia candidato dos pobres.


Por seu turno, Rafsanjani quer o impeachment de Khamenei (Guia Supremo), que se antecipou e cumprimentou Ahmadinejad antes da divulgação do resultado, como a dar o fato como consumado.


Nessa queda de braço entre Rafsanjani e Khamenei o tertius poderia ser Montazeri, que era o “delfim” de Khomeini.


PANO RÁPIDO. Aos envolvidos na luta invisível pelo poder maior de Guia Supremo não interessa criar um caos nas ruas. Isso enfraqueceria o sistema teocrático, que nem Khamenei, nem Rafsanjani, nem Montazeri desejam. Por evidente, o cargo de Guia Supremo (Rahbar) não será jamais objeto de escolha pelo povo, pelo voto. No Vaticano, o mesmo vale para a escolha do papa, que não é eleito pelos católicos.


--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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