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Irã. Guia Supremo aplainou caminho para Ahmadinejad

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 16 de junho de 2009.

Ahmadinejad, suspeita de ter participado de fraude para se reeeleger.


Para dissidentes do porte de Akbar Ganji, de ativistas para a igualdade civil das mulheres iranianas como Nargis Mohammadi ,e de analistas internacionais como o norte-americano filo-israelense Daniel Pipes, nada tirará de Mahmoud Ahmadinejad, 52 anos de idade, o segundo mandato presidencial: no Irã só são permitidos dois mandatos consecutivos.



Ninguém acredita que a deliberação do Guia Supremo, Ali Khamenei, que encaminhou a exame o pedido de anulação eleitoral formulada pelo opositor Mir Hossein Mousavi (perdeu no primeiro turno e obteve 34% dos votos), tenha sido um sinal para reprimir eventual fraude eleitoral. Puro jogo de cena de Khamenei, com o objetivo de mostrar que no Irã não é o Zimbábue do ditador Robert Mugabe, no poder desde 1980 e um especialista em fraudes eleitorais, como ocorre na ex-Birmania com os membros da Junta Militar que se eterniza no poder pela força.



O próprio Guia Supremo, no domingo, elogiou a forma como transcorreu o pleito e o surpreendente comparecimento de 85% dos eleitores.



Pela contagem oficial, Ahmadinejad teve 63% dos votos, Musavi ficou com 34%, enquanto os oposicionistas Mohsen Rezai e Mehdi Karroubi conquistaram, respectivamente, 1,7% e 0,9% das preferências.

A melhor das análises foi a realizada por Akbar Ganji, um iraniano dissidente do regime dos yatolás e jornalista de profissão.



Pelas suas idéias, escritos e entrevistas, Ganji passou 5 anos preso no temível cárcere de Evin. Ele fez greve de fome na prisão de Evin. Colocado em regime de liberdade vigiada, conseguiu fugir para os EUA e, como exilado, vive em Nova Jersey.



Bem antes da eleição, Ganji chamava a atenção de que nada mudaria no Irã.



Para Ganji, com ou sem a reeleição de Ahmadinejad, o sistema teocrático de controle do estado e do poder continuaria intocável, com o Guia Supremo vitalício, Ali Khamenei, a dar sempre a última palavra.



Num dos seus últimos escritos, Ganji falou da existência no Irã de uma máquina institucional nas mãos de Khamenei, ao qual chama de sultão. Mais ainda, definiu o cargo de presidente iraniano, --que é de chefe de governo e não de Estado--, como o de uma marionete: o controlador dos cordéis seria Khamenei.



Os opositores ao governo de Ahmadinejad, destaca Ganji, fazem parte do sistema teocrático. Concordam com ele e atuam no espaço permitido pelo sistema. Em outras palavras, só participam por aceitarem o sistema em vigor.



O opositor na última eleição, Mir Hossein Mousavi (teria conquistado 33,8%), reporta-se a Khamanei e nunca o criticou, tanto que teve deferida a sua candidatura.



Na visão de Ganji, o candidato Mousavi, caso fosse eleito, jamais ousaria cogitar de reformas na estrutura de poder de um Estado teocrático. Ou seja, continuaria a existir a armadura de proteção ao estado, com o Guia Supremo (chefe de Estado) a controlar o Conselho Nacional de Segurança, as Forças Armadas e as polícias (Pasdaran, Basijii e Vevack), o responsável pelo Poder Judiciário, os incumbidos da vigilância das rádios e televisão, e o Conselho dos Guardiões ( 6 clérigos xiitas e 6 juristas, com poderes para reprovar candidatos à presidência e ao parlamento de 290 membros).



Vários presidentes, de Rafsanjani e Khatani por exemplo, nunca fizeram propostas para mudar o sistema.



Khatani, que possui uma fundação e é apontado como reformista, já afirmou e reafirmou que a república do Irã foi uma conquista do povo, que ela é uma organização santificada e não existe melhor alternativa para os cidadãos iranianos.



PANO RÁPIDO. Os jovens representam 60% da população iraniana. Os do sexo masculino não podem dançar, freqüentarem bares, ouvirem música. E nem permanecer nas ruas depois da meia-noite. As jovens do sexo feminino devem retornar para casa às 21 horas, sob pena de prisão e responsabilização dos genitores.



Apesar da repressão de Khamenei e Ahmadinejad, cresceu no Irã progressistas movimentos estudantis, feministas e sindicais. Para Narges Mohammadi, que assessora Shirin Ebadi, ganhadora do Nobel da Paz, “quando crescem valores democráticos e igualitários na sociedade civil, consegue-se colocar freios nos governos.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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