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Irã. Confronto iminente. Em cogitação impeachmnt do Guia Supremo, Ali Khamenei.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 16 de junho de 2009.

presidente Mahmoud Ahmadinejad.



Os que votaram pela reeleição de Marmoud Ahmadinejad na última sexta-feira foram surpreendidos com a manifestação de ontem (segunda-feira), em Teerã, que reuniu cerca de um 1,2 milhões de iranianos, em marcha iniciada na praça da Revolução (Enqelab) e concentração na da Liberdade (Azadì).


Um segundo protesto dos opositores a Ahmadinejad está marcado para amanhã, no período da tarde. O protesto de ontem, segunda-feira, deveu-se à certeza de fraude eleitoral, com a divulgação antecipada do resultado, por órgão sem atribuição e ligado a Ahmadinejad.


Antes da proclamação do resultado pelo Conselho dos Guardiões ( formado por 6 clérigos e 6 juristas), o Guia Supremo, ayatolá Ali Khamanei, no poder desde 1989, cumprimentou Ahmadinejad, candidato da sua predileção. Por isso e nas praças, os manifestantes gritaram “Marq Bar Khamenei”, ou seja, “Fora Khamenei”.


Como existe dissenso na cúpula dos ayatolás e o segundo na hierarquia, Ali Akbar Hashemi Rafsanjani (74 anos), está enfurecido com Ahmadinejad, há um “plus” no quadro político iraniano. Ou seja, não está em jogo apenas a eleição da última sexta feira para a chefia do governo. Em jogo, também, o comando do estado-teocrático, que conta com um sistema de controle, onde o presidente é apenas uma peça administrativa, submissa ao Guia Supremo, isto é, ao Rahbar.


Rafsanjani, ex-presidente (1989-1997), segundo na hierarquia, chefe do Conselho do Discernimento, é o homem mais rico do Irã. Durante a campanha eleitoral foi chamado de “ladrão” por Ahmadinejad. Ainda, prometeu Ahmadinejad, caso reeleito, levar Rafsanjani para a cadeia. Rafsanjani reagiu e publicou carta-aberta a Khamanei, considerado um líder fraco e que dá sustentação a Ahmadinejad. Só para lembrar, Ahmadinejad já se ajoelhou e beijou publicamente as mãos de Khamanei, em sinal de referência e submissão.


Na passada eleição de 2005, o azarão Ahmadinejad, ex-prefeito de Teerã, ganhou a disputa pela presidência de Rafsanjani, no segundo turno. O rico Rafsanjani é considerado o financiador das campanhas dos três opositores a Ahmadinejad.


Os antecipados cumprimentos de Khamanei pela vitória de Ahmadinejad foram considerados afrontosos à Constituição do país.


Já se fala num possível impeachment: Khamanei tem cargo vitalício, mas pode ser cassado pelo Conselho dos Guardiões. Essa antecipação de cumprimentos foi considerada parte da fraude. Um fato consumado por Khamanei, com computadores, segundo a oposição, programados para dar 60% dos votos a Ahmadinejad e 30% para Mousavi, que é conservador e pediu calma aos manifestantes.


No momento, o inquietante é que Mousavi pediu calma e aguardo do pronunciamento a respeito do seu recurso: ele postula a anulação do pleito e marcação de novas eleições.


Os eleitores não seguiram a sua recomendação de Mousavi e saíram às ruas e ocuparam as praças. Para analistas, o povo é que está no comando do processo, que é de pressão. E o alto escalão teocrático passa por dificuldades. Do povo partiu a manifestação que derrubou o xá Reza Pahlavi, em janeiro de 1979 e abriu caminho à revolução comandada pelo ayatolá Khomeine, referendada em 30 de novembro de 1979.


Os manifestantes pediram “respeito ao voto” e em praça estavam os votantes em Mir-Hussein Mousavi, 67 anos, ex-premier no regime de Ruollah Khomeine.


Os cerca de 1,2 milhões de manifestantes de ontem tinham a certeza de fraude quanto aos 24 milhões de votos atribuídos a Ahmadinejad, num colégio de 42,5 milhões de eleitores, afluência de 85% e 70% da população com menos de 30 anos. E a maioria jovem, como os moradores das grandes cidades, estavam contra o atual presidente Ahmadinejad.


Ahmadinejad tenta um golpe de força, que poderá gerar derramamento de sangue. Ele está convocando os seus para uma manifestação amanhã, no mesmo local e horários onde estarão os opositores, que darão prosseguimento à marcha de segunda-feira. Em outras palavras, vai provocar o confronto para que possa entrar em ação a sua polícia e os paramilitares que o apóiam abertamente.


O Conselho dos Guardiões já determinou a recontagem parcial. Mas, apenas com relação às urnas que foram objeto de impugnação. E já corre a notícia de que não haverá nova eleição. Mais ainda, o povo já percebe que o Conselho confirmará a vitória de Ahmadinejad.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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