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Berlusconi leva drilbles de Zappadu e não realiza sonho de liderança européia.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 10 de junho de 2009.

Berlusconi sempre em diferentes papéis.

1.Em termos de dribles, o premier italiano Silvio Berlusconi, --presidente emérito e de fato do Milan--, perdeu aqueles aplicados Kaká, a seu favor.



Agora, Berlusconi só pensa nos “chapéus, canetas e dribles da vaca”, dados, contra ele, por Antonello Zappadu.



Zappadu era o fotógrafo franqueado para cobrir os eventos festivos de Villa Certosa, a cinematográfica mansão mantida por Berlusconi na Costa da Esmeralda (Sardenha).



Depois das festas, Zappadu vendia as fotos tiradas para as celebridades, partícipes dos eventos.



Eram sempre eventos grandiosos: Belusconi, em avião do governo, transportava bailarinas, cantor (o napolitano Apricella) e músicos para as festas na Villa Certosa. Sobre isso, a magistratura do ministério Público italiano já apura.



Quando apareceram nos jornais italianos as fotos da napolitana Noemi Letizia, então com 17 anos de idade (a maioridade na Itália se atinge aos 18 anos), em Villa Certosa, numa festa de passagem de ano (2008), Berlusconi reclamou de invasão de privacidade.



Na seqüência, Berlusconi acionou a Justiça, que determinou a apreensão das fotos na posse de Zappadu: o fotógrafo antecipou-se e entregou os disquetes a um oficial de Justiça.



As fotos em Villa Certosa de Noemi Letizia, --que chama Berlusconi de “papi” (apelido criado por uma brasileira de nome Renata, ligada a Berlusconi e que vive em Milão)--, revelaram como eram falsas anteriores afirmações de Berlusconi. Isto no sentido de que mantinha apenas relacionamento de amizade com a família Letizia, cujo pai era influente membro do seu partido político (Popolo della Libertà-PDL) em Napoli: outra mentira, pois não era o pai de Letizia conhecido na repartição regional do PDL.



Parêntese: o escândalo Berlusconi começou em abril, quando ele compareceu, em Napoli, à festa de 18 anos de Noemi: deu-lhe uma valiosa jóia de presente e tirou fotografias.



Com as fotos apreendidas e referentes à Villa Certosa (Sardenha), Berlusconi começou a respirar aliviado e insistiu nas teses de complô eleitoral da esquerda e invasão à privacidade.



Na antevéspera da eleição, o jornal espanhol El Pais publicou cinco fotografias de festas na Villa Certosa.



Numa delas, aparece Mirek Topolanek completamente nu. À época das fotos, Topolanek era presidente de turno da União Européia e chefe do governo da república Tcheca: ao lado dele, estavam mulheres semi-nuas.



Detalhe: o tcheco estava excitado, isto é, com o pênis ereto. Ontem, ele lamentou o ocorrido, disse que estava em férias e que não podia confiar em convites de Berlusconi, que é sempre alvo da imprensa. Nada disse sobre sofrer de priapismo.



Rapidamente, Berlusconi, --que falara em fotos comuns ao pedir a apreensão à Justiça--, começou a perceber que perderia os votos dos católicos italianos (fato acontecido) e reagiu pedindo a responsabilização criminal de Antonello Zappadu, por ter ficado com cópia das fotos entregues à Justiça e tê-las vendido para o jornal El Pais.



Aí, começou, para usar o jargão futebolístico, o “olé”. Um coro bem semelhante ao da última partida do Milan, que foi derrotado pela esquadra da Roma, em Milão. O coro misturava “olé” e “papi”, com Berlusconi nas cativas do estádio.



Zappadu não será responsabilizado criminalmente, como pretende Berlusconi, que tomou um monumental drible.



A venda das fotografias para o espanhol El Pais foi feita por uma empresa colombiana: Ecoprensa Colômbia.



O contrato foi celebrado e registrado na Colômbia duas semanas antes de Berlusconi haver pedido, e a Justiça italiana determinado, a apreensão das fotografias tiradas em Villa Certosa.Como se percebe, Antonello Zappadu não descumpriu ordem judicial.



Um detalhe. Zapadu, 51 anos de idade, é casado com uma colombiana.



2. O premier Sílvio Berlusconi apresentava-se, --para as eleições européias e para as provinciais e comunais italianas ocorridas no final de semana--, como “admirado” por cerca de 75% dos italianos.


Para o europarlamento, Berlusconi, --que encabeçou como candidato a eurodeputado todas as listas do seu partido de centro-direita (Popolo della Liberta-PDL)--, falava na obtenção de 40% dos sufrágios, o que o colocaria como inconteste líder europeu.



Com os resultados confirmados hoje, Berlusconi empatou com o seu Milan. Ou seja, ficou em terceiro lugar, atrás da premier-chanceler Ângela Merkel (CDU) e do presidente Sarkozi (UMP).



Os dois, Merkel e Sarkozi, obtiveram, pelos seus partidos, porcentuais bem superiores ao de Berlusconi.



Pelo jeito, 75% dos italianos não admiram Berlusconi tanto quanto ele imaginava.



Nas eleições européias, o partido do fanfarrão Berlusconi teve pouco mais de 35% dos votos, ou seja, 25 cadeiras de deputados conquistadas.



Esse resultado bem inferior aos 40% esperados. Mais ainda, bem inferior à última eleição para o Europarlamento, onde o Popolo della Liberta (PDL) havia conseguido 37% das preferências.



Na Sicília, --terra da Máfia e onde Berlusconi afirmou ser quase unanimidade--, sua votação beirou ao ridículo, diante de tanta presunção. Ele teve 362 mil votos, quando, em 2008, havia conseguido 1.316.000.



Mais ainda, na mencionada terra da Máfia, o premier Berlusconi proporcionalmente perdeu para a antimáfia. Ou melhor, não venceu Rita Borselino, democrata de centro-esquerda (PD), e irmã de Paolo Borselino, dinamitado pela Máfia em julho de 1992.



E uma outra mulher humilhou Berlusconi nas européias. Trata-se de Débora Serrachini, nascida em 1970 e que vive em Udine. Ela teve nove (9) mil votos a mais do que o premier.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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