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Terrorismo. Cyberterror preocupa EUA.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

IBGF, 08 de junho de 2009.

Nos anos 90, a Al-qaeda colocou no ar o seu primeiro site de internet, de nome Al Neda. Por interpostos, a organização conseguiu o registro do site no Texas e em Cingapura. A meta de Osama bin Laden era, pela telemática e web, dar passo largo para arregimentar, doutrinar e propagar a jihad. Ou seja, infovias jihadistas em vez de doutrinação em madrassas e mesquitas.


Antes do trágico 11 de setembro e por meio de uma carta interceptada no Afeganistão pelos 007 norte-americanos, o chefe alqaedista avisara ao mulá Omar “que a batalha dos jihadistas se desenvolveria 90% no campo da propaganda”. Essa deliberação de Bin Laden, ainda em vigor, foi ecoada pelo segundo da cúpula alqaedista, Ayman al-Zawahiri. No livro Cavaleiros sob o Estandarte do Profeta, consta a seguinte advertência de Zawahiri: “Devemos transmitir a nossa mensagem às massas e romper a barreira de vedação do acesso midiático imposto ao movimento da jihad”.


Por estimativas dos serviços ocidentais de espionagem, cerca de 7 mil sites jihadistas estão hoje em operação. Anual-mente, 900 sites de perfil filo-alqaedista entraram no ar. O ciberterrorismo da Al-Qaeda adota a filosofia do “faça você mesmo”, a significar que ações violentas podem ser realizadas independentemente de consulta à cúpula.


Para Osama e Zawahiri, a “internet” é considerada mais potente do que uma “bomba” ou um camicase. Os jihadistas e fundamentalistas filo-alqaedistas frequentam fóruns de debates virtuais, participam de chats e recolhem informações e orientações. Pelo jeito, Khaled Ali, morador em São Paulo, pode ter sido um desses frequentadores de infovias jihadistas. Nesta semana, o jornalista Jânio de Freitas noticiou a sua prisão, numa operação secreta da Polícia Federal e a partir de aviso do FBI. Contra Khaled pesou inicial suspeita de ser integrante da Al-Qaeda.


Com preocupação, o presidente Barack Obama acaba de anunciar a criação de um escritório na Casa Branca para coordenar, com verba milionária, ações voltadas a proteger, de ataques piratas e terroristas, diferentes sistemas informatizados: controle do tráfego aéreo, bolsas de valores, bancos, etc. Em breve, Obama anunciará o nome do “ciberczar”, incumbido de evitar uma guerra virtual capaz de produzir tragédias reais. Paralelamente, Obama deu sinal verde para o Pentágono desenvolver um projeto de adestramento das forças armadas na chamada guerra digital, já desenvolvido pelos chineses.


Obama destacou os prejuízos econômicos experimentados em razão dos crimes cibernéticos: 8 bilhões de dólares nos dois últimos anos. Em 2007, o Pentágono abortou 44 mil tentativas de invasão dos seus sistemas por espiões, hackers ou ciberdiletantes. Como se percebe, Obama demonstra percepção aguda acerca do fenômeno que, se enfrentado com políticas inadequadas, provoca danos sociais.


--Wálter Fanganiello Maierovitch.


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