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Nobel da Paz, encarcerada, corre risco de morte. A farsa do julgamento de Aung San Suu Kyi.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 19 de maio de 2009.




O resultado do processo criminal contra Aung San Suu Kyi, segundo fontes de Rangoon (Birmânia), só deverá ser conhecido no final de semana. Uma estratégia da Junta Militar que, --sob o comando do general e narcoditador Than Shwe--, apossou-se da Birmânia.


Por acaso (conferir retrospectiva abaixo), os generais souberam que o turista John William Yettaw, --um mórmon norte-americano aposentado por problemas psiquiátricos depois de haver participado da Guerra do Vietnã--, havia ingressado no prédio onde a pacifista cumpre prisão domiciliar. Isto para lhe presentear com uma bíblia e depois de ter nadado 2 km: policiais vigiavam apenas a frente da casa da pacifista. Os fundos dão para o lago Inya e o intruso chegou a nado, sem ser notado.


Como as eleições estão marcadas para 2010, ocasião que Aung San Suu Kyi já teria cumprido a pena que lhe foi imposta por pacificamente exteriorizar pensamento contrario à ditadura militar, a Junta ditatorial aproveitou o fato ocorrido com o intruso para processar a pacifista. Processo por violação à obrigação de presa domiciliar, com penas de 3 a 5 anos de prisão fechada.


Para analistas internacionais e órgãos de defesa de direitos humanos, o processo é uma farsa e a meta é condenar a pacifista.


Mais ainda, a pacifista está com a saúde muito debilitada: confira na retrospectiva carta-aberta de Carla Bruni, primeira-dama da França.



Nos últimos 19 anos, Aung San Suu Kyi passou 13 na prisão. Não pode nem comparecer ao enterro do marido, com o qual foi proibida de manter qualquer contato, em vida.


PANO RÁPIDO. Aung San Suu Kyu, caso a pressão internacional for desprezada pela ditadura, poderá ser condenada e morrer no cárcere. Isto por estar com a saúde debilitada.


Uma maneira indireta de pena capital, de emprego muito comum nas ditaduras.Com isso, os controladores do narco-estado poedrá definitivamente se livrar da líder de oposição, que já venceu eleição e foi presa antes de assumir o cargo de primeiro ministro (confira retrospectiva abaixo).


Ontem, 200 opositores do regime protestaram na frente da prisão onde está encarcerada a pacifista.


O julgamento foi iniciado ontem e não é público: jornalistas internacionais, embaixadores europeus e ativistas de direitos humanos foram impedidos de acompanhá-lo.


Uma tragédia está prestes a ocorrer e o secretário Geral das Nações Unidas continua em silêncio.

--Wálter Fanganiello Maierovitch— REGISTRO. O narcoditador de plantão e a sua Junta militar preferem que o país seja chamado de Myanmar, para esconder o fato de grupo étnico birmano representar 55,9% de uma população com mais de 48,0 milhões de habitantes: as demais etnias que se sobressaem são os karen dos generais (9,5%), Shan (6,5%), Chin (2,5%), Mon (2,3%), Mon (2,3%), Kachin (1,5%).

Os generais chamam a pacifista de Aung Kyi para esconder que se trata de Aung San Suu Kyi, filha do herói nacional Aung San, que tornou a Birmânia independente: era colônia britânica. -WFM- ..........................................


1)Retrospectiva: 17/5/2009.

Aung San Suu Kyi ganhou o prêmio Nobel da paz em 1991. Não pode recebê-lo porque estava presa.


A golpista Junta Militar birmana, - instalada em 1988 e tendo à frente o narco-general Than Shwe-, não permitiu a sua saída do país para receber o prêmio Nobel.


Os generais transformaram a Birmânia num narco-estado. Embolsam o obtido com as vendas de diamantes: a Birmânia tem reserva de diamantes e pedras preciosas.



Referidos generais davam sustentação ao recém falecido Khun Sun, conhecido mundialmente como o rei do ópio e das anfetaminas. A Birmânia é responsável pela distribuição de drogas sintéticas e ópio para toda a Ásia. Ficou conhecida como Narco-estado.


Em 1990 foram realizadas eleições gerais, por pressão internacional.


A vitoriosa foi Aung Suu Kyi, filha de Aung San, o grande herói da independência e que acabou assassinado pelos generais.


Suu Kyi tornou-se a líder da Liga Nacional para a Democracia (NLD). Obteve o seu partido, nas eleições parlamentares de 1990, 392 das 485 cadeiras estabelecidas.


Surpreendidos com a derrota, os militares arrependeram-se de haver realizado as eleições. Então, Aung Suu Kyi, além de não assumir a cadeira de premier, acabou presa por suas idéias e liderança.


Antiga colônia britânica, a Birmânia tornou-se independente em 1948.


A primeira ditadura militar teve início em 1962, sob comando do general Ne Win. Ele foi derrubado pela atual Junta Militar, que assumiu o controle do país em 1988, como frisado acima.


Nos últimos 19 anos, Aung Suu Kyi passou 13 em prisão, incomunicável. Parte da pena, — por crime político e de exteriorização do pensamento–, ela cumpre, sempre incomunicável e com a casa cercada de soldados, na residência deixada em herança pelo pai, à beira do lago Inya.


Aung Suu Kyi está com 63 anos de idade. É viúva e não recebeu autorização para comparecer ao enterro do marido, com o qual estava impedida de se relacionar.


Na semana passada, Aung Suu Kyi foi colocada no presídio fechado de Insein. Ela corre o risco, no processo criminal que será julgado amanhã, segunda feira, de receber pena que varia de 3 a 5 anos de cárcere.


O motivo da prisão fechada beira o ridículo.



John William Yettaw, –um norte-americano de 53 anos de idade, ex-combatente na Guerra do Vietnã e que está aposentado por problemas mentais–, resolveu atravessar o lago Inya a nado e invadir a casa de Aung Suu Kyi. Sua meta, como adepto da religião mórmon dos EUA, era entregar uma bíblia para Aung Suu Kyi.


William nadou 2 km, invadiu a casa e surpreendeu a Nobel com a entrega da bíblia. No dia seguinte à sua aventura, quando estava no aeroporto para retornar aos EUA, foi interrogado pelas autoridades, em atividade rotineira. Outra surpresa: William contou ter conseguido nadar 2 km e logrado entregar uma bíblia à Nobel da Paz.


Interrogada sobre o sucedido, Aung San Kyi, conhecida na Birmânia como o respeitoso apelido de “A Senhora”, confirmou o sucedido e frisou nunca ter visto antes o intruso William.


A acusação é de ter violado as regras da prisão domiciliar ao receber um hóspede.


PANO RÁPIDO. O general-ditador Than Shwe, –que se notabilizou por ter coberto a filha de diamantes em cerimônia de casamento–, prepara, sob pressão das Nações Unidas, uma outra eleição para 2010. Caso condenada, Aung San Suu Kyi, não poderá participar da eleição e nem se manifestar.

–Wálter Fanganiello Maierovitch– Registro. Os militares golpistas trocaram o nome para Mianma, mas, nos foros internacionais, continua o emprego de Birmânia: a etnia dos birmanos equivale a de 55,9%. A dos generais, que é a karen, 9,5%. Por respeito, deve-se continuar a chamar o país de Birmânia e não pelo nome imposto pelos generais.

Outra mudança, em 2007, foi a troca do nome da capital administrativa. Construída para distanciar os generais do povo, a nova Capital chamava-se Naypyidaw, mas, para o povo é Rangoon (Yangoon, como escrevem), com 4.107.000 habitantes.
WFM. ...................................................



2) Retrospectiva: 18/5/2009.

Conforme comentamos ontem (vide “post” abaixo), Aung San Suu Kyi, 63 anos de idade e prêmio Nobel da paz em 1991, está sendo acusada na Birmânia (Mianmar, para os generais golpistas) de ter violado obrigação imposta quando da concessão da prisão domiciliar: nos últimos 19 anos, Aung San Suu Kyi passou 13 encarcerada. Isto pelas suas idéias e resistência pacífica à ditadura militar.


Confira no “post” abaixo a farsa processual: um norte-americano, ex-combatente na guerra do Vietnã e com problemas mentais, invadiu a sua residência para lhe entregar uma bíblia mórmon. Como a frente da casa é guardada por policiais, o intruso entrou pelos fundos, ou seja, pelo lago Inya: ele nadou 2 km. Frise-se que Aung Kyi, apelidada respeitosamente de “A Senhora”, nunca tinha visto ou tido noticia do norte-americano, que entrou como turista na Birmânia.


O julgamento de Aung Kyi teve inicio na manhã de hoje e ainda não se sabe o resultado.


Todos os embaixadores europeus em Rangoon receberam determinação dos seus países para seguirem o julgamento. No entanto, a Junta Militar, presidida pelo general Than Shwe desde 1992, expediu ordem a impedir o ingresso dos embaixadores na prisão, local onde está sendo realizado o julgamento.


Uma cópia de carta-aberta escrita por Carla Bruni, –a primeira dama da França–, chegou às mãos de Aung San Sun Kyi. O destinatário da missiva é a Junta Militar que se apossou da Birmânia e a transformaram num narco-estado ditatorial.


Na dura carta-aberta, –que o palácio Eliseo (sede da presidência da França) acaba de autorizar a divulgação–, Carla Bruni alerta: - “Sabemos que Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da paz, poderá ser novamente condenada e com imposição de pena a ser descontada em regime carcerário. Diante do seu estado de saúde, haverá risco de perder a vida”.


Em outro parágrafo da carta-aberta, Carla Bruni adverte: - “ Sem prejuízo da situação política na Birmânia, utilizo a minha posição e a ressonância que está carta poderá causar para me colocar no papel de porta-voz de todos aqueles que, no meu país, julgam intolerável a sorte reservada a essa pacifista”.


Carla Bruni deixa consignado, ainda, - “A dissidente birmana Aung San Suu Kyi nunca fez uso ou recomendou a violência. Ela, simplesmente, nunca parou de lutar, pacificamente, pela liberdade. Mais, a prisão domiciliar, imposta em 1990, estava próxima do seu término. Encarcerar a ela e a todos os opositores do regime significa sufocar a esperança de se ter uma democracia na Birmânia”.


PANO RÁPIDO. A invasão da casa da pacifista é mero pretexto para calá-la, pois se aproxima o período eleitoral. Desde que perderam a eleição para o partido liderado por Aung Kyi, os generais, que não aceitaram o resultado, passaram a seguir dois caminhos: (1) calar e isolar a pacifista, (2) fraudar as eleições. O ato do intruso, serviu para iniciar o processo e as penas variam de 3 a 5 anos de cárcere.


Vida longa a Aung San Suu Kyi. “Delanda” ao regime dos narco-ditadores fardados.
–Wálter Fanganiello Maierovitch


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