São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Drogas. O Bate-volta da Maconha e o Turismo Canábico.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 14 de maio de 2009.





Por ano, cerca de quatro milhões de pessoas atravessam a fronteira para comprar, para uso pessoal, maconha nas cidades holandesas da província de Limburgo, cuja cidade principal e mais famosa cidade é Maastricht: o Tratado de Masstricht deu vida à União Européia.


O “bate-volta” até Limburgo é feito por compradores que moram na região de fronteira com a Alemanha e a Bélgica. Ou melhor, a província de Limburgo tem como divisa leste a Alemanha. A fronteira oeste é com a Bélgica. Do levantamento de compradores, um verdadeiro censo canábico, consta, em menor número, franceses e aí o “bate-volta” fica mais longo.


Dos quatro milhões de compradores anuais, cerca de metade prefere parar nos coffe-shop de Maastricht.


Desde 1968, é permitida a venda de maconha em cafés com alvarás: o primeiro a funcionar foi o coffe-shop Sarasani. Está aberto faz mais de 40 anos, na cidade universitária e industrial de Utrecht.


Nos registros holandeses de 2009, constam 702 estabelecimentos (coffe-shop) oficialmente autorizados a vender maconha. Cada coffe-shop só pode vender ½ kg demaconha por dia.


Em oito cidades de Limburgo, os administradores (equivalente a prefeito municipal) estão incomodados com o chamado “turismo da maconha”, por belgas, alemães e franceses. Evidentemente, não pensam na proibição de venda, até para não empobrecer as suas cidades. Pretendem, no entanto e a partir de 2010, fornecer um “cartão” de identificação para o compradores: como um cartão de vacinação, explicou um dos “prefeitos”.


Para comprar, em coffe-shop, haveria necessidade de exibição da "carteirinha": . Explica o “prefeito” de Maastricht, Gert Leers, que a meta é tirar do anonimato o comprador e transformá-lo numa espécie de “associado”, como nos clubes esportivos.


Leers frisa que o “da carteirinha" fica conhecido, a evitar baderneiros que entram nas cidades para comprar maconha e aproveitam para algumas algazarras, que incomodam os moradores.


Referido prefeito de Maastricht já tentou proibir a venda, nos coffe-shop, a cidadãos que não fossem holandeses. Lógico, perdeu na Justiça holandesa e levou, sem sucesso, a questão para a Corte Européia de Justiça. Leers, um populista, sabia que, no âmbito da Comunidade Européia, não poderia estabelecer tal tipo de restrição.


PANO RÁPIDO. Em época de crise econômica, está claro que os “prefeitos” simulam um jogo para mostrar aos cidadãos que lutam para acabar com o “turismo canábico”. Não querem que despenque a arrecadação.


A propósito, em dezembro de 2005, este articulista ( blogueiro ) estava em Palermo (Itália) e participava da Conferência sobre o Fenômeno das Drogas.


Um dos expositores era o falastrão czar antidrogas das Nações Unidadas, o italiano Antonio Costa: aquele que propôs ao mundo a testagem de crianças nas escolas, colocando todas sob suspeita de uso de drogas.


Costa, que comanda a agência da ONU com sede em Viena, anunciou, frise-se em Palermo e em 2005, que a Holanda, em breve, não mais venderia maconha nos cafés (coffe-shop). Mais, informou Costa que as autorizações para a venda seriam cassadas. Ainda, que a Holanda faria isso para adaptar a sua política à preconizada pela ONU.


Aliado do então presidente Bush, o czar da ONU parece mais atordoado do que certos frequentadores do Café Sarasani: os maiores doadores para os programas da ONU sobre drogas são os que escolhem o tal czar. Costa, um funcionário de carreira, trabalhava na área monetária, antes de se aboletar em Viena.

Wálter Fanganiello Maierovitch


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet