São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Papa Ratzinger e a visita à Terra Santa. Por trás do muro, lamentações.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 12 de maio de 2009.


O papa Bento XVI surpreende na sua visita à Terra Santa. Tem feito pronunciamentos cuidadosos. Como um prudente chefe de Estado (estado do Vaticano), está a medir as palavras. Com isso, evita juízos que podem ser transformar em instrumento de propaganda negativa: parece ter apreendido com o infeliz e ofensivo discurso feito em Ratisbona (Alemanha).
Hoje, na parte da manhã, o papa Bento XVI esteve na Esplanada das Mesquitas e rezou no Muro das Lamentações. Foi felicíssimo no seu apelo, ou seja, a fim de Jerusalém, berço espiritual de cristãos, islâmicos e judeus, tornar-se, “efetivamente, uma “cidade da paz, aberta para todos os povos”.


Mohammed Hussein, o grande mufti, recebeu Ratzinger na Esplanada das Mesquitas, também conhecida por Monte do Templo. E pela primeira vez um papa subiu até a rocha onde o profeta Mamomé pregou pela última vez, antes, como crêem os islâmicos, de iniciar a viagem ao céu.


Na Esplanada, Ratzinger clamou pelo diálogo: - “Num mundo tristemente ferido pelas divisões, este lugar sacro serve de estimulo. Além disto, constitui um desafio para os homens e mulheres de boa-vontade para se empenharem de modo a superar incompreensões, conflitos do passado e se colocarem no caminho para um diálogo sincero e, também, voltado à construção de um mundo de justiça e paz para as futuras gerações”.


Ontem, nos bastidores, alguns míopes, judeus e religiosos, criticaram Ratzinger por entenderem que, no pronunciamento no Museu do Holocausto (Yad Vashem), fez relatos sobre os horrores da Shoá mas não mencionou os nazistas alemães e nem demonstrou emoção. Mais, usara, ao se referir aos milhões de vítimas dos campos de extermínio, o termo “mortos” e não “assassinados”. Ainda, falara em milhões de mortos e não 6,0 milhões de judeus eliminados.


Não compareceram à visita feita por Ratzinger ao Museu do Holocausto (Yad Vashem) os quatro ministros do partido religioso-ortodoxo Shas. Os membros do Shas disseram, antes da eleição, preferir o capeta a Lieberman (fanático leigo e atual ministro das relações exteriores). Depois da eleição aceitaram a aliança com Lieberman e permitiram ao direitista Netanyahu formar maioria e chegar a premier.


Os liberais do partido Meretz também não compareceram em “solidariedade à comunidade gay”, já ofendida pela posição doutrinária e nada pluralista de Ratzinger.


O pior do dia de ontem ficou por conta xeque Taysir al Tamimi que, no encontro entre os religiosos, fez uso da palavra para atacar Israel e “os seus crimes”. Ele se manifestoue em árabe e o papa não entendeu uma só palavra. Lógico, percebeu que algo de errado ocorria. Enquanto o xeque falava, os rabinos levantaram e deixaram a sala onde ocorria o encontro. Em síntese, Tamimi conseguiu “melar” o encontro e abriu caminho para religiosos judeus afirmarem que não mais participarão das futuras reuniões.


PANO RÁPIDO. Chamou a atenção deste articulista a menção de Ratzinger, -- que é um intelectual--, a menção, no museu da Shoá, de um texto de Isaias, que relacionou ao Yad Vashem.


O termo “yad” significa memorial e a palavra “shem” (de vashem) nome. Na sala do Yad Vashem Memorial dos Nomes) o papa Ratzinger encontrou o nome de todos os judeus eliminados nos campos de extermínio.


No texto de Isais, mencionado por Ratzinger, está consignado “ darei a eles um nome eterno que não será nunca apagado”. E o papa Ratzinger, na sala do Yad Vashem, concluiu: - “ eles perderam a vida mas nunca perderão os nomes, escritos de forma indelével na memória de Deus”.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet