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Caso Battisti. Presidente da Itália convoca familiares das vítimas do terrorismo, incluídos os de Battisti.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 7 de maio de 2009.


O presidente italiano, Giorgio Napolitano, irá receber, –no palácio Quirinal–, os familiares das vítimas do terrorismo, dos chamados “anos de chumbo”. O primeiro atentado ocorreu há 40 anos (1969), em Milão, na praça Fontana.


À época , a Itália vivia uma democracia, ou seja, havia um estado-democrático de Direito. O partido comunista era forte, crescia e ocupava o segundo posto em aceitação popular. Dentre os líderes do chamado eurocomunismo destacava-se Giorgio Napolitano, hoje presidente da Itália.


Os terroristas procuravam, pela luta armada, extinguir o regime democrático. Terroristas de direita e de esquerda objetivavam ocupar o poder pelas armas e não pelo voto.


Na ocasião, o presidente da Itália era Sandro Pertini, herói da resistência contra o fascismo de Mussolini. Frise-se: Pertini foi preso pelo fascismo e ocupou cela vizinha a Antonio Gramsci.


No encontro do próximo sábado, com o presidente Giorgio Napolitano, estarão os familiares das vítimas dos assassinatos, inclusive os perpetrados e da responsabilidade de Cesare Battisti.


Também estarão presentes os que sobreviveram, pois Battisti e o seu pequeno grupo atiravam com revólveres e fuzis nas pernas de transeuntes: para lesionar e não para matar.


Para o presidente Napolitano, o evento será um ato de memória voltado. “Ato de respeito aos direitos humanos”, consoante afirmou. Assim, adota Napolitano posição contrária à do ministro da Justiça Tarso Genro, que concedeu o status de refugiado político a Battisti.


Napolitano, ao contrário do ministro Tarso Genro, da Justiça, sabe que o direito internacional e as convenções não consideraram crime político o homicídio (crime de sangue) consumado num Estado democrático: caso diverso do Brasil, na ditadura militar.


Neste mês de maio, o Supremo Tribunal Federal deverá julgar o pedido de extradição de Battisti, formulado pela Itália.


Battisti, na sua luta para não ser extraditado e cumprir pena (até 30 anos, pois na Itália não existe mais prisão perpétua), continuará a sustentar a tese de crime político, depois de perceber, pelo parecer do Procurador Geral da República, que os homicídios não estão prescritos.



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