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Direitos Humanos. A tirania do presidente iraniano, que suspende visita ao Brasil.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 4 de maio de 2009.
No centro, opresdente Ahmadinejad.

Ahmadinejad será sempre uma visita incomoda para Lula. A tarde de hoje começou com desencontros sobre eventual adiamento da visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, à América Latina, incluído o Brasil.


O certo é que, diante da boa imagem internacional de Lula, um adiamento seria ótimo. Ahmadinejad é cheio de arestas. E o seu governo é tirânico.


A viagem faz parte do programa eleitoral de Ahmadinejad. No seu país, ele vende a imagem de grande líder planetário.
Com isso, procura tirar o foco da crise econômica interna, com queda do preço do petróleo e aumento do desemprego e da carestia.


Ahmadinejad concorrerá à re-eleição em pleito designado para o próximo mês de junho. Seu opositor é o moderado Mir Hossein Mousavi.


Desde o início deste ano de 2009, a tirania teocrática iraniana executou 141 condenados à pena capital.


No corredor da morte aguardam 150 presos condenados à morte. Dentre eles, estão pessoas condenados por crimes de opinião, político, homossexualismo e adultério.


Só para recordar, no dia 1 de maio, conforme informações e comentários inseridos neste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine, ocorreu o enforcamento da jovem pintora Delara Darabi, de 23 anos: o Irã não aderiu à moratória sobre a pena de morte aprovada em Assembléia Geral das Nações Unidas.
A responsabilidade criminal para as mulheres começa aos 9 anos de idade. Ou seja, aos 9 anos uma criança pode ser enforcada: Delara Drabi tinha 17 anos quando consumado o homicídio a ela atribuído. Para os homens, a imputabilidade criminal tem início aos 15 anos.


Em outras palavras, iranianos do sexo masculino só podem ser processados se contarem com 15 anos. Portanto, só as do sexo feminino podem ser enforcados tendo menos de 15 anos e mais de 9 anos de idade.


Qual seria a razão para esse tratamento desigual entre os portadores de sexos diferentes ?
A resposta é simples e já denunciada uma infinidade de vezes nos foros internacionais sobre proteção aos direitos humanos e aos direitos civis.
É que aos 9 anos a mulher pode, pelo pai, ser dada em casamento. Com pouca idade é fácil a anuência a um matrimônio sob coação. A propósito, são eles denominados de matrimônios coatos. E o risco de processo criminal faz a criança anuir.
O Irã subscreveu e aderiu à Convenção da ONU para os Direitos da Infância.


O artigo 49 dessa supracitada Convenção proíbe a aplicação de pena capital aos menores de idade. E a adesão iraniana foi tranquila, pois pela sharia xiita (norma islâmica). Tranquila dada o conceito que têm sobre menoridade: mulheres com menos de 9 anos e homens menores de 15 não são condenados à morte.


Ahmadinejad mantém uma polícia de defesa dos costumes que persegue os jovens e os coloca em prisões, sem direito de defesa. Por exemplo, são presos os que se reúnem clandestinamente em festas, ouvem música moderna ou consomem bebida alcoólica vendida no câmbio negro. Pior, os pais ficam sob suspeita de educarem incorretamente os filhos. Em caso de reincidência dos filhos, são sancionados.


No ano de 2007, uma jovem, que promoveu uma festa com dez amigos e restou denunciada por condômino vizinho, preferiu se atirar pela janela e morrer a enfrentar a polícia de Ahmadinejad. Seus pais tinham viajado e retornaram para o enterro da filha.


Como regra, os processos criminais são julgados por juízes que realizaram a investigação. O juiz é, ao mesmo tempo, o acusador e o julgador. A propósito, adotam, muitas vezes, processo igual ao da Inquisição católica.


Na segunda semana de abril, ocorreu a condenação por espionagem da jornalista Roxana Saberi, de 31 anos. Ela é filha de um iraniano que, –em 1979 e quando da revolução islâmica e do rompimento com os EUA, fugiu e se instalou no estado de Dakota do Norte: Roxana, em 1998, elegeu-se miss Dakota e fez curso de jornalismo: sua mãe é a japonesa Akiko Saberi.


Roxana, –condenado a 8 anos de prisão e com apelo apresentado–, está presa há pouco mais de três meses no cárcere de Evin, na periferia de Teerã. Nesse cárcere, estão recolhidos os chamados presos políticos.


Com dupla cidadania e munida de passaporte iraniano, Roxana chegou a Teerã em 2002 para trabalhar, devidamente autorizada pelas autoridades do país. Atuou como correspondente da agência Feature Story News.


O ministério da Cultura e da Guia Islâmica cassou a autorização em 2006. Roxana, então, começou a escrever um livro e a fazer algumas matérias, sem conteúdo político, para vender às agências internacionais.


A sua prisão deveu-se ao fato de ter sido flagrada na posse de uma garrafa de vinho.


Em 8 de abril, sempre em 2009, a acusação foi mudada para espionagem. Interessava fazer de Roxana uma arma a ser utilizada politicamente contra o governo dos EUA.


No momento, Roxana está em greve de fome.


Para o seu pai não se trata de greve de fome, mas de depressão a impedir que se alimente. Por evidente, o pai, que é iraniano, bem sabe o que seria uma admissão de uma resistência da filha.


Pano Rápido. Como se percebe, a bagagem recolhida por Ahmadinejad neste 2009 já está repleta de desumanidades.


Na bagagem do tirano Ahmadinejad estaria, também, o caso de Zahra Kazemi, uma repóter fotográfica canadense que estava a trabalho no Irã.


Zahra foi presa no cárcere de Evin (o mesmo que Roxana). No mês de março morreu misteriosamente.

–Wálter Fanganiello Maierovitch—


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