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Direitos Humanos. Suspenso enforcamento de Delara. Repercussão inspira tribunal taleban que mata amantes.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 20 de abril de 2009.


Sempre perseguidas pela polícia dos bons costumes do estado teocrático xiita, as jovens iranianas conseguiram, diante do iminente enforcamento da pintora Delara Darabi, de 23 anos, alimentar com informações várias redes internacionais de direitos humanos e canais de difusão.


Para se ter idéia, as jovens iranianas não podem se reunir nem para celebrar festa de aniversario. Muitas, no entanto, continuam a se arriscar por causas nobres. E desafiam o governo de Ahmadinejad, cuja impopularidade aumenta com a aproximação das eleições de junho próximo.


Por exemplo, foram as jovens iranianas que revelaram, depois da tentativa de suicídio de Delara(cortou as veias em 2007), a carta onde ela se mostra recuperada psicologicamente: - “ A minha defesa da vida é feita pelas cores, formas e expressões”, numa referência a ter se apegado à pintura para vencer a depressão e a morte.


A saída da depressão deveu-se à mudança de cárcere. Ela estava em prisão superlotada, com um banheiro para cada 100 presas, raras visitas autorizadas e precária de ventilação nas celas do presídio de Rash.


No corredor da morte, onde ainda está Delara (houve suspensão por dois meses da execução da pena-capital) permanecem, também, 150 jovens iranianos.


A pena de morte, no Irão, pode se aplicar a partir de 15 anos de idade para o sexo masculino e de 9 anos para o feminino.


Em 2008, o Irã executou oito menores de dezoito anos.


Neste ano de 2009, ocorreu uma execução de menor de 18 anos.


O estranho é ter o governo do presidente Ahmadinejad desrespeitado a Convenção Internacional sobre Direitos da Infância.


Essa Convenção da ONU proíbe imposição de penas capitais em face de crimes cometidos por menores de 18 anos. Delara tinha 17 anos quando consumado o crime de que foi acusada e condenada definitivamente em 2005.


A pressão internacional e o momento político ( Obama na presidência a estender a mão ao Irã e o período pré-eleitoral) ajudaram na decisão da Corte Suprema de suspender, por dois meses, a execução de Delara.


Segundo analistas, o risco existe ainda. Mas, caiu de 90% para 5%.


Durante dois meses, vai-se tentar convencer um dos filhos da vítima fatal, -- único resistente--, a assinar uma carta de perdão e recolher a indenização financeira. No Irã, a aceitação do perdão e o recebimento de indenização impedem a execução da pena de morte. Em último caso, poderá haver a clemência ou a transformação da pena de morte em prisão.


A grande repercussão do caso Delara, entretanto, serviu para os fundamentalistas sunitas talebans do Paquistão executarem, por meio de fuzilamento público, um casal de namorados: ambos negaram.


Os talebans enviaram as imagens do fuzilamento da mulher e estas foram transmitidas pela rede televisão do Paquistão. Estão espalhadas em sites filo-taleban.


Por ordem do presidente paquistanês Asif Ali Zardari, viúvo da assassinada Benazir Bhutto, na região nordeste do Paquistão, fronteira com o Afeganistão, vigora a lei religiosa e não a lei do estado. Mais, funcionam tribunais islâmicos e não os do estado paquistanês.


Ontem, em execução anunciada como exemplar pelos talebans, foi metralhado um casal de amantes, com tiros de halashinikov (fuzil russo).


Na filmagem, a mulher paquistanesa, entre 30 e 40 anos de idade, chorava, pedia piedade e berrava que ninguém jamais "havia tocado no seu corpo”.


Quatro encapuzados carrascos talebans realizaram disparos contra o peito da mulher. Com ela caída e a respirar ofegante, coube um apelo popular pelo tiro de misericórdia. Os carrascos, então, dispararam até descarregar suas armas.


Para fingir que tem o controle da região tribal, na fronteira entre Paquistão e Afeganistão, o presidente Zardari, -- dado como corrupto e apelidado de dr. 10%, admitiu a vigência da lei islâmica. E a interpretação é feita por fundamentalistas talebans por meio de tribunais islâmicos “ad-hoc” (para os casos cotidianos).


O acusado de namorar com a mulher paquistanesa e ter com ela relações sexuais fora do casamento também foi metralhado e morto.


Para analistas internacionais, os talebans, fundamentalistas sunitas, aproveitaram a repercussão do caso da jovem pintora persa Delara ( o Irã é teocrático xiita) para desafiar o Ocidente. Eles utilizaram a tecnologia de difusão de imagens para chamar a atenção e a fim de, pelo terror, gerar o medo no Ocidente.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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