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Direitos Humanos: Amazon censura autores homossexuais e obras sobre o tema.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 15 de abril de 2009.


Os gestores da Amazon, --o maior site-livraria do mundo--, parecem ter ingressado no túnel do tempo e voltado a 1559. Ou seja, um retorno ao tempo da Inquisição, que criou o “index librorum prohibitorum” e mandou queimar os livros relacionados como proibidos.


Pode ser, também e diante da polêmica entre o papa Ratzinger e o ex-premier britânico Tony Blair, tenha a Amazon optado pela doutrina canhestra do pontífice, para o qual “os homossexuais são intrinsecamente doentes”: sobre a polêmica consulte seção Agora, deste site.


Sem mais, a Amazon colocou um filtro a excluir 57.310 obras sobre temas e autores homossexuais.


No index inquistório da Amazon entraram obras famosas como A Estátua de Sal, do notável Gore Vidal.


O primeiro excluído, segundo perceberam os adeptos do Twitter, foi o escritor Mark Probst, que conta sobre cowboys que se amam e mantém relacionamento homossexual.


O twitter foi a principal arma usada para derrotar a Amazon, que ontem jogou a toalha e recolocou títulos e autores excluídos, como romances e ensaios de lésbicas e gays.


Pelo noticiado, as mensagens eletrônicas de protestos entupiram a caixa-postal da Amazon, que recuou.


Durante a “guerra” dos usuários de twitter contra a Amazon, dois comunicados foram divulgados, com esfarrapadas motivações. Bem melhor que não tivessem sido apresentadas. O primeiro deles representou um verdadeiro escárnio à inteligência dos que consultam e compram livros pela rede Amazon: “ no material para adultos” foram criados filtros “tendo em conta a sensibilidade o universo dos nossos clientes”.



Os dois comunicados devem ter enraivecido Oscar Wilde, falecido em 1900 e condenado em vida a dois anos de prisão por atentado grave ao pudor, em face de relacionamento homossexual com o filho de um marquês.


PANO RÁPIDO. O recuo da Amazon tardou. O difícil será recompor a credibilidade, pelo revelado desrespeito às diferenças e aos direitos humanos.


Para usar a frase do humorista e ensaísta Larry Kramer, “devemos vigiar a Amazon em face da maneira como maneja o patrimônio cultural da humanidade”.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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