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Crime Organizado: Al Qaeda se aproxima dos Piratas Somalis.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 15 de abril de 2009.

Piratas Somalis em ação no golfo de Áden

Os sequestros relâmpago perpetrados nas ruas brasileiras conquistaram a preferência de grupos organizados de criminosos pela rapidez na obtenção da indevida vantagem patrimonial.


No estratégico golfo de Aden, entre a africana Somália e o asiático Iêmen, a criminalidade organizou-se para apreender embarcações e seqüestrar os seus passageiros. Uma atividade lucrativa, que a Al Qaeda quer comandar, não para finalidade de lucro, mas para promover tragédias espetaculares.


Equipados com velozes barcos de borracha, aparelhos de comunicação, fuzis russos Ak47 e um ancoradouro à disposição em Puntland, os chamados “piratas somalis” atacam com planejamento e dividem tarefas: em terra fica o grupo que faz exigências por internet. Todo o material necessário para os ataques são comprados em Dubai.


As embarcações retidas são devolvidas depois de negociações realizadas com as seguradoras ou com as próprias companhias proprietárias. Quanto aos tripulantes, o preço do resgate é acertado com os países de naturalidade ou com o da bandeira da embarcação.
Como se percebe, nos seqüestros de pessoas e de coisas para fim de extorsão, tudo pode ser resolvido rapidamente, basta pagar. Lógico, o crime organizado mira no lucro e não na ideologia. O terrorismo nos mares, para a Al Qaeda, é visto apenas como forma de difundir a jihad islâmica.


Neste exato momento, 12 navios estão na posse dos chamados “piratas da Somália” e 260 pessoas são mantidas como reféns.


Nada foi de uma hora para outra que os “piratas somalis” começaram a atacar. Em 2008, os “piratas” promoveram 111 ataques. Neste ano de 2009, já ocorreram 70 ações.


Na quarta feira 8, os piratas interceptaram o navio mercante Alabama e o comandante, o norte-americano Richard Phillips ofereceu-se como refém, em troca da liberação dos tripulantes. Ontem, com ordem expressa do presidente Barack Obama, uma tropa especial resgatou o comandante Phillips em operação que resultou na morte de três somalis e numa prisão.


O episódio foi suficiente para a Al Qaeda entrar no jogo e retomar o projeto de terrorismo nos mares. Em outubro de 2000, no mesmo golfo, dos lados do Iêmen e do porto de Aden, o terrorista Osama bin Laden idealizou um ataque exitoso contra um destroyer norte-americano USS Cole. Morreram 17 tripulantes À época Laden vivia no Iêmen, sob cobertura do governo.


Um aviso lançado pelos alqaedistaa já circula e soa como represália pela morte dos três piratas somalis: “Golpearemos os cidadãos dos EUA onde se encontrarem, ainda que muitas milhas de distância da costa somali”.


A ordem de Obama para resgate foi arriscada, pois fatos pretéritos não eram animadores. Ou seja, no dia 4 de abril passado os piratas somalis atacaram um veleiro francês que havia saído do porto de Zanzibar, na Tanzânia. Eram cinco os tripulantes, dentre eles uma criança de 3 anos de idade. Uma guarnição especial francesa, com ordem do presidente Sarkozy, deu início a uma trágica operação resgate, em 10 de abril.


A criança de 3 anos acabou salva. O seu pai, Florent Lemacon, proprietário do veleiro Tanit, morreu metralhado. Os franceses prenderam três piratas. Um quarto acabou morto. Foram libertados com vida quatro franceses tripulantes do veleiro Tanit, incluído o menino de 3 anos de idade.


No sábado passado, os “piratas somalis” atacaram e se apossaram do rebocador Buccaneer, de propriedade da empresa italiana de navegação Micoperi, sediada em Ravena. Os piratas mantém cativos 16 marinheiros: dez italianos, cinco romenos e um croata. As negociações tiveram início na segunda feira passada.


O grupo de piratas mostra-se cauteloso. Dizem que os norte-americanos, ontem e com relação ao comandante Phillips, violaram uma regra básica, isto é, não se pode atacar e matar negociadores: referência aos três piratas mortos.


São vários os grupos de piratas que atuam no golfo de Áden. Os mais conhecidos são comandados por islâmicos já identificados pelos 007 dos serviços ocidentais de inteligência: (1) Garad Mohamud Mohammed, (2) Mohammed Abbi Hassan (apelidado Afeweyne), (3) Fará Hersy Kulan (Boyah).


Segundo os 007 da Cia, número significativo de somalis, que cresceram nos EUA e ficaram empolgados com a propaganda alqaedista, já deixaram as cidades americanas como Minneapolis, Portland, Seatles para engrossarem, na Somália, grupos jihadistas dispostos a promover o terror nos mares.


PANO RÁPIDO. O presidente Obama foi informado sobre o fortalecimento da Al Qaeda na Somália e tenta elaborar, com outros países, um plano para dar segurança as embarcações que passam pelas águas do golfo de Áden. Um grupo ligado ao alqaedismo mantém, há anos, uma base de adestramento na Somália. A base também abriga terroristas foragidos de outros países e prepara homens-bomba.


Dois grupos são alvos dos 007 da Cia. O primeiro deles é o Shabab: ao tempo de Bush os seus membros foram objeto de ataques com mísseis disparados por aviões sem pilotos. O segundo grupo formou-se recentemente (janeiro de 2009) na Somália e leva o nome de Hizbul Islam.


Segundo um estudo feito pelas Nações Unidas, os grupos somalis estão organizados como empresas privadas. Ou seja, obtém financiamentos, possuem gestores distantes dos locais dos ataques, empregam estratégia militar, possuem correspondentes encarregados de comprar os melhores equipamentos e os “piratas” são assalariados.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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