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Direitos Humanos. Homossexuais. Blair pede mudança na doutrina da Igreja. Monumento ao gay desconhecido.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 11 deabril de 2009.

Tony Blair.

Nesta semana, ocorreram dois fatos marcantes e importantes no campo dos direitos humanos. O ex-primeiro ministro britânico Tony Blair, que se converteu ao catolicismo e é casado com uma católica, deu entrevista onde conclama o papa Ratzinger a “reconsiderar a posição da Igreja sobre os gays”. Por outro lado,os moradores em São Francisco, na Califórnia, promoveram uma homenagem simbólica às vítimas da intolerância.


Com efeito. Em São Francisco (EUA) a comunidade gay reagiu à “caça aos gays” em Bagdad que, nos dois últimos meses, resultou no assassinato de 25 homossexuais, como informou o The New York Times.


Nas duas últimas semanas, no reduto do líder fundamentalista Moqtada al Sadr, no bairro conhecido por Sadr City, foram executados 6 iraquianos considerados gays.


A reação da comunidade gay em São Francisco, --apoiada por organizações não governamentais de proteção aos direitos humanos--, consistiu na promoção de uma passeata e nas colocações de flores, velas acessas e cartazes, no denominado Monumento ao Gay Desconhecido. No cartaz central, ficou grafada a frase “Iraq, stop killing gays”.


O ex-premier Blair, por seu turno, deixou claro que existe,com relação ao homossexualismo, um divórcio entre a moral católica vaticana e a posição liberal da maioria dos crentes, que se mostram cada vez mais tolerantes.


Sobre o tema, o papa Ratzinger já anunciou a posição oficial da Igreja: “ os homossexuais são intrinsecamente doentes”. Não bastasse, Ratzinger foi o autor, no final do ano de 2008, de mais uma infeliz colocação. Ou seja, comparou o homossexualismo aos desastres ambientais, no sentido de grave desordem. Para Ratzinger, -- já que ainda não existe um dogma da Igreja com referência à homossexualidade--, as relações entre pessoas do mesmo sexo constituem pecado”.


papa Ratzinger.

Blair busca espaço na mídia internacional. Designado como mediador da paz no Oriente Médio, demorou para perceber a gravidade da guerra em Gaza. Recebeu críticas por ter saído às compras, --a fim de aproveitar uma tradicional liquidação londrina--, ao invés de imediatamente rumar para o Oriente Médio e tentar evitar os trágicos bombardeios de Israel. No momento Blair empenha-se, para usar suas palavras, em “ trabalho de sensibilização e de renovação cultural sobre questões controvertidas na Igreja”. Não se sabe se em breve vai propor uma mudança para se candidatar a papa.


Outro que busca espaço na mídia é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Para tanto, propõe a liberação das drogas, depois de oito anos de apoio ao proibicionismo e à criminalizaçao do usuário. Mais ainda, deixou escrito, nos final do seu segundo mandato, uma política para o fenômeno das drogas que era copia carbonada da norte-americana. Com isso, quis vincular o novo presidente. Na verdade, trata-se de um cego a pretender guiar outros.


O ex-premier britânco, na supracitada entrevista dada ao jornalista Johann Hari do Independent e reproduzida na revista “Atitude Gay”, entrou em rota de colisão com o papa Ratzinger. Numa das respostas, Blair bateu duro: - “ Frequentemente é esquecido que Jesus e Maomé lutavam pela mudança do modo de pensar tradicional”.


Numa outra passagem da entrevista, Blair sustentou que a Igreja deveria passar por um período de reformas, pelo conflito aparente entre as novas gerações e as hierarquias eclesiásticas.


PANO RÁPIDO. Nos modernos estados-laicos, o respeito pelas diferenças representa uma garantia e um direito do cidadão. No mundo religioso e em estados teocráticos, prevalece o obscurantismo e a colocação dos homossexuais como cidadãos de segunda classe. Sobre a entrevista de Blair, um teólogo e filósofo da Igreja, bispo Luigi Negri, respondeu ao jornalista italiano Gian Guido Vecchi de maneira surpreendente: “- Se também 99 pessoas em 100 pensarem como Blair, isto não mudaria um cabelo a posição da Igreja”.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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