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Direitos Humanos: Na Turquia, Barack Obama não enfrenta como esperado a questão do genocídio de 1,0 milhão de armênios

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 7 de abril de 2009.

Ohran Pamuk, turco, nobel de literatura em 2006.

Na sua primeira grande viagem internacional, o presidente Obama cercou-se de cautelas. Nos encontros, mostrou-se humilde e procurou demonstrar que a era Bush estava enterrada.


No G20 londrino, buscou o consenso e dobrou a Alemanha e a França que tinham posição diferente dos EUA sobre como enfrentar a crise financeira. Na primeira oportunidade, Obama elegeu Lula como protagonista do cenário político internacional e colocou-se abaixo dele em termos de liderança mundial: - “Esse é o cara”.


Ao comemorar os 60 anos da Aliança Atlântica (OTAN), Obama convenceu os 28 países membros. Emplacou, em Estrasburgo (França), o premier dinamarquês como secretaria-geral, - com mandato e partir de 1 de agosto próximo-, e convenceu a todos sobre a necessidade de envio de mais 5 mil soldados para o Afeganistão, para enfrentar o terrorismo, na fronteira entre esse país e o Paquistão.


Diante da oposição da Turquia ao nome do premier dinamarquês Anders Fogh Rasmussen para a secretaria geral da Otan, Obama prometeu colocar um turco na vice-secretaria e oficiais na formação do novo comando militar.


O premier turco Recep Erdogan concordou e esqueceu o caso das vinhetas ofensivas a Maomé, publicada no jornal dinamarquês Jilands Posten, em 30 de setembro de 2005: o premier turco entendia que o governo dinamarquês deveria ter censurado o jornal, pela blasfêmia contida nas vinhetas. Rasmussen, quando do episódio das vinhetas, avisou que no seu país havia liberdade de expressão e deixou de receber os embaixadores islâmicos que lhe pediram audiência para protestar. Por isso, Rasmussen entrara no “índex” do governo turno.


Para aplainar o terreno e chegar tranqüilo na Turquia, o presidente Obama sabia que não poderia reabrir a ferida da questão do genocídio dos armênios, ocorrido em 1915, por ocasião da Primeira Guerra Mundial, em solo Turco-Otomano.


Assim e antes de chegar a Ancara, Obama, de Praga (República Tcheca), pediu aos 27 estados membros da União Européia o ingresso da Turquia. No particular, a França e a Alemanha se opuseram, mas a Turquia continua candidata, com apoio dos EUA.


A Turquia sempre negou o massacre de armênios, cerca de 1,0 milhão. Colocou no seu código penal ser crime admiti-lo e o turco Pammuck, premio Nobel de literatura de 2006, teve de deixar o país: foi ameaçado fisicamente e por processo criminal por admitir o genocídio.


Os governos turcos, há anos, apenas admitem ter deslocado os armênios para a fronteira com a Rússia e frisam que 300 mil deles morreram em guerras civis.


No discurso de ontem, no parlamento turco, o presidente Obama, sobre o genocídio turco, limitou-se a falar em união, na reaproximação de Ancara com Erevan, no apreço do seu país à fé islâmica. A frase de efeito consistiu na afirmação de que “A América não está em guerra com o Islã”.


PANO RÁPIDO. O presidente Obama, na campanha e posse presidencial, reafirmou o seu compromisso com a defesa dos direitos humanos.


Em Ancara, Obama não enfrentou como devia o tema do genocídio dos armênios. Genocídio mais do que comprovado. Inclusive por documentos da lavra de Mehmed Taled, que à época era o ministro do interior (defesa interna) e foi o grande responsável pelo massacre de 1,0 milhão de armênios.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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