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DROGAS. A número 1 da lavagem dos cartéis, tem cabeça pedida por Hillary Clinton.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 28 de março de 2009.


O nome da mulher que lava dinheiro-sujo para os principais cartéis mexicanos de cocaína é Blanca Margarita Cázares, apelidada de “Imperatriz dos Narcos”.


Blanca tem 54 anos de idade. Ela está foragida desde a prisão de Sandra Ávila Beltran, no final do ano de 2007. Sandra Ávila Beltran ficou conhecida como a “Rainha da Cocaína”: confira retrospectiva abaixo sobre a Rainha do Pó.


O relatório do Tesouro norte-americano levado ao México pela secretária de estado Hillary Clinton destaca a atuação de Blanca, apontada como “lavadora-assciada” ao potente cartel de Sinaloa, comandado por Joaquin Gusman Loera, apelidado de “El Chapo”.


“El Chapo” está no elenco da revista Forbes sobre os homens mais ricos do planeta. Ele teve um filho preso neste mês de março e um outro morto junto com o de Blanca em enfrentamento com tropas mexicanas de combate ao narcotráfico.


Missa Cocaína

Esse megatraficante, segundo a polícia, cooptou para integrar o cartel a miss Sinaloa, Laura Zuniga, presa em dezembro do ano passado. Laura Zuniga é contadora de profissão.


Pelo relatório portado por Hillary Clinton, os sete principais cartéis mexicanos estão enraizados em 230 cidades norte-americanas próximas à fronteira.

Nessas 230 cidades-escritórios são gerenciadas operações de distribuição de cocaína saída do México para oferta no mercado norte-americano: confira na retrospectiva abaixo a Federação responsável pelo ingresso de 66% da cocaína disponível nos EUA.


O grande movimento de “branqueamento” (expressão usada pelos cartéis) de capitais sujos e a aquisição de armas, granadas e munições, seria realizado pela supracitada Blanca Margarita Cázares. Para os moradores de Culiacán, onde nasceu e vivia Blanca com o marido e filhos, é tudo mentira e não passa de montagem de um espetáculo para alavancar a visita de Hillary Clinton.


Blanca nasceu na cidade mexicana de Culiacán. Ainda jovem, começou a trabalhar em informais bancas de câmbio de moedas. Com larga experiência em lavagem de capitais, começou a atuar para os cartéis de Sinaloa e Tijuana (lado do Pacífico). Ela é exemplo típico dos potentes, que, como observou uma especialista escocesa, prefere o “mouse à metralhadora”.

Uma das clientes de Blanca era Sandra, a raínha do Pó e da tradicional família Beltran do cartel de Sinaloa.


Sandra fundou e comandou até ser presa no final de 2007 o cartel de Jalisco. Um cartel irmananado ao colombiano cartel do Vale Norte, que tinha em Juan Carlos Abadia, preso no Brasil onde operava, o braço da organização na América do Sul.


Não tardou para Blanca atender, via Sandra Beltran e o seu namorado colombano El Tigre (do cartel do Vale Norte), Diego Montoya Sanches, o chefe dos chefes do cartel colombiano do Vale Norte.


A última vez que Blanca foi vista em público, em dezembro de 2007 e pouco antes da prisão de Sandra Beltran, estava a rezar aos pés da imagem da “Virgem de Guadalupe, no santuário La Lomita.


Como é fiel, a polícia e agentes da agência norte-america antidrogas, conhecida pela sigla DEA, estão de olho e têm informantes em igrejas com imagem da Virgem de Guadalupe, num arco entre as cidades de Tijuana e Juarez.


--Wálter Fanganiello Maierovitch—


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Retrospectiva: Geopolítica, Geoestratégia e Geoeconomia das Drogas: 24/1/2008.


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A Raínha da Cocaína.

24/1/2008: Relatório secreto do governo norte-americano mostra que quatro potentes cartéis mexicanos uniram-se a formar uma "federação".


Os chefões dos quatro grupos batizaram a união com o nome de "Federacion". Ela é formada pelos cartéis de Sinaloa, Milênio, Juarez e Guadalajara.


Esses quatro cartéis mexicanos são responsáveis, segundo observadores do fenômeno das drogas, pelo envio de 66% da cocaína que, ---pela fronteira e pelos oceanos Pacífico e Atlântico (Golfo da Califórnia-Pacífico e do México-Atlântico)---, chega aos EUA.


A idéia de uma federação formada por quatro potentes associações criminosas partiu do megatraficante Joaquin Gusman Loera que é o chefão do cartel Sinaloa.


A gota-d'água deveu-se às recentes prisões de operadores e chefes de cartéis co-irmãos. Dentre elas está a de Alfredo Beltran Leya, um dos fortes operadores do cartel de Sinaloa, e de Juan Carlos Abadia - este a serviço, no Brasil, do co-irmão cartel colombiano do Vale Norte.


Os quatro cartéis mexicanos reunidos em federação dedicam-se a enviar a cocaína de procedência colombiana para o mercado consumidor norte-americano.


Com a união em federação, deverão os cartéis operar mais intensamente as redes distribuidoras, num imenso espaço formado entre a cidade de Juarez (fronteira com a americana El Passo) e a península de Yucatán, no Golfo do México.


O lado do Pacífico ainda ficará sob domínio do cartel de Tijuana, sediado na cidade do mesmo nome e que faz fronteira com a norte-americana San Diego. O cartel de Tijuana controla o tráfego pelo Golfo da Califórnia e ainda não se interessou em ingressar na "Federacion".


PANO DE FUNDO.


Por não mais interessar ao jogo geoestratégico da dupla Bush-Uribe, a agência DEA (Drug Enforcement Administration) recebeu sinal verde, a partir de setembro de 2007, para desmontar o colombiano Cartel do Vale Norte e os cartéis mexicanos a ele coligados. Ou seja, cartéis responsáveis pela cocaína que invade a fronteira dos EUA, via México.


Frise-se: o colombiano Cartel do Vale Norte era o responsável por grande parte do financiamento dos paramilitares das AUC (Autodefensas Unidas de Colômbia). A AUC, de ideologia de direita, combatiam as Farc (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colômbia) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), ambas de esquerda. Daí, a liberdade, durante doze anos, de Diego Montoya Sanches (Don Diego), chefão do Cartel do Vale Norte.


Com o processo de pacificação do governo Uribe e derrotas impostas às Farc, vários paramilitares da AUC depuseram as armas, passaram para a legalidade e saíram das listas de extradições. Assim, cessou o financiamento do Vale Norte, que, em troca, tinha facilidade para enviar cocaína para os cartéis mexicanos.


O fim do interesse norte-americano em suportar o Cartel do Vale Norte ocorre a partir de agosto de 2007. E a DEA (Drug Enforcemente Administration) entrou em ação para executar, a contar de setembro de 2007, o plano para desmonte do cartel do vale Norte e os seus coligados mexicanos.


O DESMONTE .


No final do ano de 2007 e janeiro de 2008, ocorreram duas importantes prisões no México.


A primeira foi de Sandra Ávila Beltran, nascida em Tijuana, e apelidada "A Rainha da Cocaína". A segunda foi de Alfredo Beltran Leya, do cartel mexicano de Sinaloa . Alfredo, apelidado Mochomo, foi preso neste mês de janeiro de 2008.


A essas prisões se deve acrescentar, a partir de setembro de 2007, a de Juan Carlos Abadia, no Brasil e, na Colômbia, de Diego Montoya Sanches (Don Diego) e de Diego Espinosa Ramirez (El Tigre).


Para se entender o quadro: Sandra é da família Beltran, do cartel de Sinaloa. Ela deixou o cartel de Sinaloa, sem rompimento, e montou o seu próprio cartel, que levou o nome de cartel de Jalisco.


Por sua vez, Beltran Leyva é operador-principal do cartel de Sinaloa, cujo chefe é “El Chapo” (Joaquin Gusman).


O cartel mexicano de Sinaloa recebia cocaína do colombiano cartel do Vale Norte.


Sandra, a Rainha da Cocaína, era amasiada com o colombiano Diego Espinoza Ramires, apelidado de El Tigre. O amásio de Sandra era o segundo operador (o primeiro era Abadia), até ser preso, do Cartel do Vale Norte.


Em face das prisões, quer de colombianos (final de 2007: Abadia, Montoya Sanches - chefão do Vale Norte - e El Tigre), quer mexicanos (final de 2007: Beltran Leyva e Sandra Beltran), os quatro cartéis mexicanos mencionados acima resolveram constituir uma "Federação".


Em resumo: começou o pós-Abadia, ou seja, a união de cartéis em federação. Uma reação ao desmonte que a interesseira DEA resolveu executar, depois de muitos anos de tolerância e de toneladas de cocaína enviadas pelo Cartel do Vale Norte para o mercado norte-americano.

-Wálter Fanganiello Maierovitch-


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