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Direitos Humanos. Luta antinegacionista no Parlamento Europeu.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 28 de março de 2009.



No Europarlamento, teve início um movimento para afastar Jean-Marie Le Pen, líder da extrema direita francesa, da presidência da assembléia de abertura que ocorrerá em julho próximo.


O xenófobo e neonazista Le Pen, de 81 anos, já afirmou no Parlamento de Estrasburgo que, na Segunda Guerra, as câmaras de gás dos campos de concentração “representam apenas um detalhe da história”.


Le Pen é o mais velho europarlamentar.


Caso seja reeleito para o parlamento europeu, — o que parece certo pois a ultra direita francesa descarrega os votos nele–, terá direito, à luz do regimento interno, a presidir a assembléia de abertura, proferindo o discurso, como decano investido de um novo mandato.


Nesta semana, o Partido Socialista Europeu (Ppe) e o Partido Verde (Pv) apresentaram proposta para mudar o regimento interno a fim de afastar a possibilidade de Lê Pen, -na próxima legislatura que começará em julho-, de Le Pen abrir os trabalhos.


Presente à sessão onde ocorreu a proposta de alteração regimental, Le Pen reagiu. Fez uso da palavra para frisar não ter negado a existência de câmaras de gás, mas que tal fato foi de insignificante relevância histórica, “como todos sabem”.


A manifestação enfureceu o europarlamentar alemão Martin Schulz. Para ele, não pode representar o parlamento, em cerimônia de abertura de legislatura, alguém adepto de conhecidas teses negacionistas, como Le Pen.


O debate sobre a alteração do regimento continuará na próxima semana.


Na sessão, o balde de água-fria partiu do liberal-britânico Graham Watson que sustentou ser contrária a uma mudança regimental “ad personam”.


O líder do partido popular, o eurodeputado Josep Daul, disse que 500 milhões de cidadãos europeus devem ser dignamente representados e que o seu partido e as lideranças democráticas do parlamento “não aceitarão que a memória das vítimas do nazismo sejam ofendidas e pisadas”.


PANO RÁPIDO. O discurso de Le Pen tem inspiração nas teses negacionistas do inglês David Irving e do francês Robert Faurisson. Eles sustentam que as câmaras de gás nunca existiram, mas nunca conseguiram provas para derrubar uma verdade factual, com inúmeros testemunhos, fotografias e documentos.


Faurisson foi acionado por Deborah Lipstadt, em célebre processo indenizatório. Como não consegui comprovar a veracidade da tese, acabou condenado a pagar indenização.


Irving acabou condenado e preso na Áustria, onde negar a Shoa é crime tipificano na lei penal.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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