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DROGAS: Hillary Clinton chega no México para a Guerra às Drogas.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 24 demarço de 2009.

Hillary Clinton.

No interior da maleta 007 que carrega uma assessora, Hillary Clinton, --a poderosa secretária de Estado do governo Brack Obama-, tem disponível um longo relatório, com três itens destacados:

(1) a “war on drugs” deflagrada pelo ex-presidente Bush e pelo presidente mexicano Felipe Calderón causou 5.600 mortes, só no ano de 2008.

Mais da metade dos mortos eram de pessoas sem qualquer ligação com os potentes cartéis mexicanos ou com organizações criminosas menores.

(2) em 2009, até início de março, morreram na “guerra às drogas” 1.501 mexicanos.

Ainda não se sabe, ao contrário de 2008, quantos dos mortos tinham comprometimento com o narcotráfico realizado pelos cartéis: tijuana, golfo, juarez, nova-laredo,etc.

(3) o milionário Plan Mérida faliu. Ele era uma adaptação do colombiano Plan Colombia e substituiu-se, no trabalho de repressão, a corrupta polícia pelo Exército do México.

A secretária de estado Hillary Clinton, --amanhã e na reunião com Calderón--, irá anunciar o envio de um contigente de agentes federais para pontos da fronteira. Lógico, do lado norte-americano por onde passam cocaína, maconha, armas, munições, heroína, clandestinos e refugiados da guerra às drogas.

O conservador Felipe Calderón tomou posse no cargo de presidente em dezembro de 2006 e fez campanha focada no combate aos potentes cartéis de narcotraficantes.

A vitória de Calderón foi contestada pelos correligionários de Lopez Obrador, da esquerda progressista e apelidado de El Peje. Em razão disso, Calderón, no dia seguinte à posse, deu início à “war on drugs”, em parceria com Bush.

Assim, conseguiu Calderón desviar o foco do debate, que era a fraude nas apurações. Algo, aliás, da tradição mexicana, que teve um único partido político (PRI) a controlar o poder durante 21 anos.

No início da “war on drugs” da dupla Calderón-Bush teve o apoio da população. E o presidente Calderón passou a contar com elevado porcentual de aprovação, revertendo o quadro de suspeitas, pelas fraudes eleitorais: 300 mil pessoas, na Praça da Constituição, tinham estado na manifestação voltada a dar, de fato, “posse” a Lopez Obrador.

Diante do número de mortes de civis inocentes e das derrotas impostas pelos cartéis, Calderón despencou em prestígio. E não colou mais o seu discurso de a “war on drugs” haver levado à prisão 45 mil suspeitos de ligações com os sete maiores cartéis mexicanos. Ou melhor, ele não convenceu os cidadãos da veracidade das suspeitas e da utilidade de arrestar “peixes menores”.

Mais ainda, os mexicanos não aceitam a matança a cidadãos inocentes promovida por Calderón, que já deveria ter entrado na mira do Tribunal Penal Internacional (TPI).

PANO RÁPIDO. Há grande expectativa quanto à visita de Hillary Clinton.

Sabe-se que ela irá dizer que o governo Barack Obama tem uma nova estratégia para reforçar as relações com os países latino-americanos, a incluir acordos no campo das drogas proibidas.

Essa nova estratégia, no entanto, caberá a Obama propor, em abril e por ocasião à Cúpula das Américas, que será em Trinidad e Tobago.

Pela rádio-corredor da Casa Branca comenta-se que Obama oferecerá ao México um grupo de especialistas para ajudar na luta contra as drogas. Se for isso, nenhuma mudança, pois o Plan Mérida foi, como o Plan Colômbia, feito pelos tais “especialistas” norte-americanos.

Em abril, pouco antes da Cúpula das Américas, o governo norte-americano enviará ao México o procurador-geral Eric Holden, que está preocupado com o fato de os conflitos e a violência já terem ultrapassado a fronteira do México, ou seja, migrado para as cidades norte-amerianos.

A agenda de Holden vem carimbada como uma visita a tratar de tema que interessa à segurança interna dos EUA.

Holden sabe bem que os cartéis e os bandos armados mexicanos usam armas e munições compradas nos EUA.
Wálter Fanganiello Maierovitch


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