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CRIME ORGANIZADO: falsificar viagra rende mais que tráficar cocaína e heroína.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 24 de março de 2009.
Viagra, original.

A Convenção de Palermo representa o primeiro e, até agora, único instrumento das Nações Unidas dedicado a contrastar o fenômeno representado pela criminalidade organizada transnacional. Aquele tipo de organização que não observa limitações de fronteiras e cujas associações delinquentes recebem o nome de máfias ou pré-máfias.


Vários países deixaram de ratificar a Convenção de Palermo, para a alegria das máfias.


A surpresa maior, com relação aos Estados-membros que não firmaram a Convenção de Palermo de 2000, ficou com a Itália. A Itália era o país-sede da Conferência e é a terra das potentes Cosa Nostra (Sicília), Camorra (Campania-Nápolis), ´Ndrangheta (Calábria) e Sacra Corona Unita (Puglia). Desnecessário frisar que os EUA também não subscreveram a Convenção.


Uma das inúmeras contribuições trazidas pela Convenção de Palermo (o Brasil é subscritor e o nosso Parlamento já a aprovou) foi a de mostrar a maneira de atuação das internacionais criminosas. Ou seja, as organização são reticulares: atuam em rede.


Em outras palavras. A uma organização criminosa transnacional pode se “plugar” a qualquer quadrilha, bando, organização pré-mafia. Ainda, a doleiros, lavadores de dinheiro e recicladores de capitais ilícitos lavados.


A criminalidade organizada, - que conta com velocidade superior a das polícias e como já se afirmou prefere muito mais o mouse à metralhadora -, descobriu, na sua permanente busca de lucro, que falsificar “viagra” e congêneres rende 2.000 vezes mais do que traficar drogas proibidas, como cocaína, heroína, etc. Só não rende mais do que a maconha.


Coube à polícia alemã a primeira constatação. A polícia aduaneira alemã apreendeu, em 2008, mais de um milhão de drágeas falsificadas de “viagra”. A partir daí, começaram as análises e projeções policiais, que, por evidente, não são feitas pelas nossas policiais estaduais e federal.


A análise comparativa coube à BKA, como é conhecida a polícia criminal alemã.


A BKA é uma das melhores no combate à criminalidade organizada reticular. Por exemplo, a polícia criminal alemã (BKA), há pouco, descobriu que a ´Ndgranheta italiana lavava dinheiro na bolsa de valores de Frankfurt e em restaurante na cidade de Duisburg, da rede chamada Da Bruno.


Numa análise que levou à conclusão de a contrafação de “viagra” render às máfias 2.000 vezes mais do que o tráfico de cocaína (oferta e consumo em aumento na Europa: confira “post” abaixo), alguns dados foram conhecidos foram utilizados.


Com feito. Um quilo de substância ativa (princípio ativo) empregado para produzir uma drágea contrafeita contra a impotência ou distúrbio sexual custa no mercado 35 euros (cerca de R$102,00). O custo das pílulas falsificadas com o quilo supramencionado é bem inferior a custo de um grama de cocaína-pura. Mais, a quantidade de drágeas é maior. As despesas de transporte e distribuição infinitamente menores: o cloridrato de cocaína é elaborado na Colômbia. A heroína tem a pasta-básica que sai do Afeganistão e o refino maior é na Turquia.


A cocaína e a heroína custam sempre menos ao consumidor-final e o lucro se torna bem menor, comparado ao falso “viagra” (contrafação de “viagra”).


Fora isso, as sanções penais para a contrafação, em todo o âmbito da União Européia, são bem mais brancas do que as previstas para os traficantes de drogas ilícitas.


PANO RÁPIDO. A Alemanha já percebeu, - e o Brasil e os EUA ainda não -, que a criminalidade de matriz mafiosa só busca o lucro. Por isso, atacar a economia que essa criminalidade movimenta é a única maneira de golpeá-la com sucesso, em especial por cortar o seu poder corruptor.
–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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