São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

DROGA. Genie a maconha sintética vendida por internet e camuflada em incenso.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 17 de março de 2009.


Certa vez, um cyberpolicial da União Européia enviou-me uma revista com matéria e entrevista sobre uma sua descoberta. Numa loja de artigos de decoração para residências e escritórios, –que vendia pela internet sofás, mesas, cortinas, etc–, eram comercializadas plantas decorativas. A peça decorativa mais vendida era o alucinógeno cacto peyote, ou seja, o famoso “the divine cactus”. Não preciso dizer que o dono acabou condenado por traficar essa droga proibida.


Logo que se liberou nas farmácias holandesas a venda de maconha para infusões terapêuticas, a preocupação das cyberpolicias européias voltou-se à venda por internet desse chá canábico.


Muitos adquirentes, por exemplo, poderiam ter a idéia de abrir o saquinho, –destinado originariamente para ser mergulhado numa xícara de água fervente–, e preparar com o conteúdo um cigarro para fumar. Aí, bastaria comprar papel gomado vendido em caixinhas nas tabacarias (no Brasil, são encontrados em bancas de jornais e revistas e certamente para substituir a palha para os adeptos de fumo picado de tabaco). E o barbante do saquinho serviria para amarrar o cigarro a ser enrolado.


No final de semana, diante do apurado em smart shop e vendas por internet, as cyberpoliciais européias deram o alarme. Alarme sobre um incenso aromático vendido por internet e encontrável em smart-shop.


A propósito, só podiam dar o alarme, pois o incenso, com princípio ativo capaz de produzir efeito igual ao tetra-hidro-cannabinol (THC), não está relacionado como droga proibida, nas tabelas européias e norte-americanas: nem na brasileira.
,br>
O incenso, –recordista de vendas a chamar a atenção das cyberpolícias que investigam as compras por internet–, concentra um “mix” de ervas naturais conhecidas:jasmim, rosa gálica, alfazema, etc.


A novidade é que no “mix” do mencionado incenso entra, também, um componente sintético, ou seja, não natural: produzido em laboratório.


O componente sintético do incenso produz, quando fumado, o mesmo efeito que o supracitado THC da marijuana. É o “jwh-018”, desenvolvido originariamente para fim analgésico.


O “jwh-018”, agora chamado de “maconha sintética”, é muito mais potente que a marijuana ( contém 2% a 3% de princípio ativo), o haxixe (resina com 7% de princípio ativo) e o skunk ( um híbrido da cannabis sativa e da índica cujo princípio ativo chega a 20%).


Pela internet, o incenso aromatizante com “jwh-018 é conhecido pelo nome de “Genie”.


O incenso Genie contém princípio ativo até cinco vezes superior ao do skunk. Dada a potência, os sintomas de intoxicação são mais freqüentes: dificuldade de coordenação motora, brancos de memória, alucinações, etc.


PANO RÁPIDO. A comercialização da nova maconha sintética cresce, enquanto, na semana passada e no inútil escritório sobre drogas das Nações Unidas, fixava-se até 2019 o prazo para se por fim à oferta das drogas proibidas.


No Marrocos, maior produtor mundial de maconha e haxixe, na Colômbia, maior cultivadora de folha de coca, e no Afeganistão, maior extrator de ópio-bruto da papoula, todos os cultivadores ficaram preocupadíssimo. Estão sem dormir há vários dias. Devem estar importando o calmante chá de camomila para misturar com suco de maracujá. Talvez, aumente para eles a venda de Maracujina, pela internet.
–Wálter Fanganiello Maierovitch–


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet