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DROGAS. A maconha para tirar a Califórnia da crise financeira.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 17 de março de 2009.
Crachá de usuária de maconha terapêutica, para evitar problemas com a polícia.

A crise pegou em cheio a Califórnia do governador Arnold Schwarzenegger. Nunca houve taxa tão alta de desemprego e até já se pensa, nas escolas, em aulas só quatro dias da semana.


Por causa dos tempos bicudos, Schawarzenegger conseguiu aprovar uma lei que lhe autoriza a cortar temporariamente a prestação de alguns serviços públicos. Enquanto isso, os californianos exigem criatividade dos dirigentes para reduzir os efeitos negativos da crise financeira em curso.


Como todos falam em criatividade, o deputado californiano Tom Ammiano resolveu dar a sua contribuição e quer ver aprovado o seu projeto de lei que levaria aos cofres públicos, todo o ano, mais de US$1,3 bilhão.


O projeto de Ammiano parte da liberação da maconha e de derivados para uso lúdico-recreativo, com o monopólio da venda canábica reservado exclusivamente ao estado da Califórnia.


Ammiano fala em liberação para emprego recreativo uma vez que a Califórnia, desde 1996, permite o uso da maconha para fins terapêuticos. Para evitar problemas com a polícia nas ruas e nas praças, o próprio estado fornece um crachá para identificar os autorizados a consumir maconha.


O mercado da maconha-terapêutica é controlado pelo estado californiano. E a Califórnia, por ano, vende US$200 milhões de maconha para finalidade médica-terapêutica. Como se percebe pela cifra, trata-se de uma terapia muita apreciada pelos pacientes, que são obrigados a exibir receita médica para obter a maconha.


Segundo Ammiano, e desde que aprovado seu projeto chamado Marijuana Control, Regulation and Education Act, cada cigarro de maconha será vendido por US$1,0, “uma bagatela”, acrescenta.


Pelo projeto, o cigarro canábico só poderá ser vendido a maiores de 21 anos de idade.


O momento político é favorável, propala Ammiano. Isto porque Barack Obama acabou com a linha dura da administração Bush para as drogas. E o novo czar antidrogas da Casa Branca, o policial Gil Kerlikowske (foi chefe de polícia de Seatle), avisou que a perseguição a usuários de drogas não fará parte das suas prioridades.


Os conservadores estão assustados com o projeto de Ammiano que aposta todas as fichas, para a Califórnia sai da crise financeira, na liberação, regulamentação e taxação da venda da maconha.


Para atacar o projeto de lei, os supracitados conservadores falam que já têm problemas graves com o consumo abusivo de bebidas alcoólicas. E frisam não quererem arcar com custosas despesas em face da dependência da maconha. Destacam, ainda, não desejarem correr riscos por terem de interagir com pessoas sob efeito de maconha.


PANO RÁPIDO. A polêmica está aberta na Califórnia.


De se ressaltar que ninguém contesta a venda de maconha para emprego terapêutico.


Só Bush implicava com isso e promoveu, junto à Corte Suprema de Justiça dos EUA, uma ação judicial. Sua tese, acolhida pela Corte Suprema, era de que apenas a lei federal poderia cuidar da liberação de drogas.


Os estados-federados com leis a autorizar o uso terapêutico da maconha fizeram de conta que a decisão da Corte Suprema não era para eles. Dentre esses estados, figura a Califórnia.


No Brasil, a lei não permite o uso terapêutico da maconha, uma das evidências de como nossa política sobre o fenômeno das drogas é atrasada e preconceituosa.
Wálter Fanganiello Maierovitch


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